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Saúde promove fórum sobre assistência humanizada ao parto

Ricardo Puppe Na Paraíba, entre 2011 e 2017, morreram 250 mulheres, de 111 municípios

Na Paraíba, entre 2011 e 2017, morreram 250 mulheres, de 111 municípios


A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Coordenação Estadual da Saúde da Mulher, promoveu nesta terça-feira (5) o ‘III Fórum Perinatal Estadual da Rede Cegonha - avanços e desafios na prática da assistência humanizada ao parto’, no auditório do Cefor-PB, na capital. O evento reuniu profissionais das maternidades públicas do estado; gerentes regionais de saúde; e gestoras de políticas públicas para as mulheres.

Além de discutir os avanços e desafios na prática da assistência humanizada ao parto, o fórum teve também como objetivo pactuar propostas para organizar a rede de cuidados integral e humanizada de atenção às mulheres e aos recém-nascidos, favorecendo o acesso a práticas de saúde que defendam e protejam a vida.

“Este espaço é bastante importante com discussões estratégicas e reafirma o nosso compromisso com a qualificação, pois cada pessoa envolvida deve desempenhar a sua parte. O governo do estado vem fazendo o possível para que possamos ter os melhores indicadores na assistência materno-infantil”, declarou a secretária de Estado da Saúde, Cláudia Veras.

Durante a manhã, o evento teve três palestras. À tarde, foram realizadas as discussões em grupos. A primeira palestra teve como tema ‘Boas práticas na atenção ao parto e nascimento’ e foi ministrada pela ginecologista obstetra Cláudia Bianka Manhães, do Isea, em Campina Grande, e professora da Unifacisa. Entre as boas práticas elencadas respeito à escolha da mulher quanto ao local do parto; garantia da privacidade da mulher na hora do parto; fornecer alimentação para que a gestante não fique em jejum em nenhum momento do parto e cuidados adequados ao cortar o cordão umbilical.

“A todo instante, acontece violência obstétrica e, na maioria das vezes, a gestante e família não tem conhecimento do que se trata porque nem sequer sabe o que é violência obstétrica. Diante disso, este evento é muito importante, pois toda informação que é repassada, de forma adequada, é útil para a melhoria da assistência obstétrica na Paraíba”, falou a médica.

A gerente Operacional da Resposta Rápida, da SES, Diana Pinto, apresentou o panorama da mortalidade materna na Paraíba. Entre 2011 e 2017, morreram 250 mulheres, de 111 municípios. De acordo com os dados apresentados por Diana, a maior causa das mortes é hipertensão arterial e 90% das mortes foram registrados nos hospitais; 44% das mulheres tinham entre 30 e 39 anos; 88% eram negras e 40% dona de casa. A apresentação foi concluída com a informação de que 92% das mortes maternas são evitáveis.

A cardiologista pediatra Sandra Mattos, presidente da ong Círculo do Coração, apresentou o trabalho que vem sendo desenvolvido na Paraíba, a partir da parceria com o governo do estado, desde 2011, com o objetivo, inicialmente, de dar assistência, com qualidade, às crianças com cardiopatia e, a seguir, foi sendo ampliada para crianças com microcefalia e gestantes. De 2011 até 2017, foram realizados 204 mil atendimentos.

Da parceria, surgiu o projeto ‘Caravana do Coração’ que, anualmente, percorre 13 municípios paraibanos atendendo crianças com problemas cardíacos, microcefalia e gestantes e oferecendo capacitação aos profissionais de saúde. Até agora, foram 6.741 pacientes atendidos; 330 profissionais envolvidos e 2.418 capacitações de profissionais de saúde de todo estado. “O sucesso deste trabalho deve-se a cada um fazer a sua parte, com muita dedicação e, principalmente, amor”, disse Mattos.

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