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Servidores do HU iniciam greve no campus da capital

Evandro Pereira Pacientes que se deslocaram de outros municípios reclamam da falta de atendimento por causa da greve da categoria

Pacientes que se deslocaram de outros municípios reclamam da falta de atendimento por causa da greve da categoria


José Alves

O Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), situado no campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, foi na manhã desta segunda-feira (13) palco de revolta de centenas de pacientes que residem em outros municípios e saíram de suas casas de madrugada, pagando transportes alternativos, mas não conseguiram ser atendidos. O motivo é que os funcionários do HU deflagraram uma greve por tempo indeterminado, reivindicando reajuste salarial e melhorias de trabalho. Com o movimento grevista, foram suspensos vários serviços.

A revolta foi geral entre os pacientes. Alguns conseguiram ser atendidos antes do início da greve, porque alguns médicos foram trabalhar, mas a maioria dos pacientes saiu frustrada do hospital porque foram obrigados a voltar a um Posto de Saúde da Família para remarcar a consulta. A aposentada Maria da Conceição veio do município de Caaporã e foi informada que a aplicação de uma vacina que iria tomar teria que ser remarcada. A filha dela, que também viajou para mostrar os exames ao médico, ficou revoltada porque teve que remarcar nova consulta para o retorno.

Deanda Leandro dos Santos estava acompanhando sua mãe, que deveria ser atendida por um cardiologista e não conseguiu. "Acho um absurdo, ela conseguiu essa consulta depois de muito esforço e agora chega aqui e encontra os funcionários em greve. O pior é que o hospital não remarca, então temos que voltar para um PSF para remarcar a consulta dela", disse Deanda Santos muito chateada.

Severina Verônica Veloso de Oliveira, 58 anos, revelou que faz tratamento de pulmão e fígado no HU, e nesta segunda-feira não conseguiu ser atendida por causa da greve dos funcionários. "Eu ainda consegui falar com o médico que acompanha meu tratamento, mas ele disse que infelizmente não poderia me atender por causa da greve e me mandou remarcar a consulta. Sou uma pessoa de classe média baixa, ganho apenas um salário mínimo e saí do município de Sapé de madrugada pra cá pagando uma passagem no valor de R$ 100,00 para chegar aqui e não ser atendida. É um absurdo", disse Severina, afirmando que a situação do HU é uma imoralidade.

Atraso no repasse

Segundo o chefe do setor de Regulação e Saúde do HU, Leonardo Figueiredo, o Hospital Universitário Lauro Wanderley tem aproximadamente dois mil funcionários e atende mais de mil pessoas por dia. Ele revelou que o atraso no repasse da verba federal que é feita pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) ao hospital vem prejudicando a manutenção do HU porque, com o atraso, faltam alimentos e até papel. "A verba que é repassada pela prefeitura é destinada aos insumos do hospital e os constantes atrasos vem gerando sérios problemas", concluiu.

Por conta do atraso no repasse de verbas, mais de 40 cirurgias tiveram que ser suspensas e reagendadas. A assessoria da Central de Regulação do Município de João Pessoa se defendeu e disse que a verba destinada ao HU é repassada diretamente pelo Ministério da Saúde para a unidade de saúde sem qualquer intermédio da Secretaria Municipal de Saúde, mas o chefe de Regulação da Saúde do hospital, Leonardo Figueiredo, disse que o dinheiro é repassado pela Prefeitura e que vem sofrendo atrasos.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviço Hospitalar da Paraíba (Sindserh-PB), Adriano Furtado, a greve foi decidida em assembleia dos trabalhadores no último dia 10, "porque fomos informados que esse ano iríamos ter "zero de reajuste", mais a retirada dos transportes para a gente trabalhar, além da falta de material para trabalhar. Os colchões dos trabalhadores estão no chão por falta de camas". A categoria está reivindicando um reajuste de 4,7% de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA).

O líder sindical revelou que praticamente uma ala inteira da clínica médica do HU está fechada e que eles não estão chamando os funcionários que foram aprovados em concurso. "Esperamos que a população paraibana apoie nosso movimento porque estamos defendendo os direitos dos trabalhadores, exatamente as pessoas que cuidam da saúde da população", disse Adriano, lembrando que a data base da categoria é março e, desde então, estão sem serem ouvidos em todo o país.

Os sindicalista informaram que os serviços administrativos estão 90% parados, além do ambulatório. O serviço que está na atividade é o atendimento para os pacientes internados em apartamentos ou em UTI. Por outro lado, a parte de clínica está apenas 30% funcionando. Já as cirurgias que estavam agendadas precisam ser remarcadas, mas todas que forem de urgência e emergência estão sendo feitas.

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