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Derrotismo para (não) vender jornais

 

Crise, arrocho, queda no crescimento, demissões em massa, mais crise, recessão, retração na economia, crise novamente, aí uma notícia boa mas vem com “apesar da crise”; depois, crise,
aumento na conta de energia, aumento no combustível, sobe tudo. Os jornais não estão mentindo, mas pintam um cenário muito pior do que o real. Tenebroso, até. 

“Não comprem, não gastem, a hora é de poupar”. Se não dizem isso explicitamente, sugerem. É tanto aumento, tanta crise, tanto desemprego que o cidadão segura o dinheiro com medo de um dragão surreal que vai consumir todas as suas economias. E o que acontece com dinheiro seguro? Para de circular. O comércio esfria, a economia desacelera, e aí, sim, começa uma crise de verdade. 

Tenho conversado com empresários de vários segmentos, das micro às empresas de grande porte, e a reclamação é a mesma. Eles dizem que essa conversa de crise, crise, crise todo dia na imprensa é que contribui para a redução do consumo, como se as pessoas tivessem dinheiro e não quisessem gastar. E são eles, os empresários, que geram emprego.

A economia poderia estar bem melhor. Uma sucessão de erros desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso, acentuados por Lula e agravados por Dilma fez com que o poder de compra do brasileiro fosse reduzido. É impossível dizer que as coisas estão como antes. Somente energia elétrica e combustível já são fatores suficientes para afirmar que o dinheiro que sobrava para o lazer diminuiu. Mesmo assim, dizer que uma crise assola o país quando a taxa de desemprego ainda está em um dígito é não conhecer a situação de outros países. Grécia, Espanha, Portugal, esses estão em crise.

A imprensa insiste na crise, que eu ainda chamo de recessão. E quando a crise chegar mesmo, vão chamar de quê? Quebradeira? É fato que esse clima só piora as coisas, e tenho minhas dúvidas se falar em crise, crise, crise todos os dias ajuda a vender jornais. Mais assusta que ajuda, acredito.

Certo dia vi uma manchete de jornal das mais assombrosas. A representação em imagens de três itens essenciais tomava conta de mais de meia capa: gás de cozinha, energia elétrica e combustível; o texto era algo na linha “tudo mais caro”, todas maiúsculas, assim mesmo, horrível. Agora me diga, o cidadão que passa na banca de revistas e se depara com esse jornal dizendo que tudo vai ficar mais caro, faz sentido ele tirar dinheiro do bolso para gastar com esse jornal. E era verdade, mas há outras formas de se contar o mesmo fato. Outra vez, o mesmo impresso fez pior, disse que o Estado em que ele circula era dos piores para se viver. Afastando as pessoas que querem investir é que a coisa não anda mesmo.

Quando não é assim, assustando de cara com a notícia de algum aumento, o malfeito surge desde cedo, ainda na pauta. Recentemente vi uma reportagem falando de pessoas que, apesar da crise - de novo esse termo esquisito - não quebraram. Os personagens eram apontados como raridade, exceção. Parafraseando os ministros do Supremo Tribunal Federal, para mim essa pauta seria natimorta.

Sabe quantas pessoas no Brasil não quebraram? Centenas, milhares. Conheço mais de 50. Quem tinha suas contas em dia até se apertou um pouco, gasta menos no barzinho, investe menos, mas não quebrou. Quem vivia com a corda no pescoço, terminando o mês pendurado no cartão de crédito e já devendo o mês seguinte, esse quebrou. Agora dizer que a maioria quebrou, é demais. Vá assustar outro!

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