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Gordofobia, mercado e cuidados com a saúde


Felipe Gesteira

Pessoas com excesso de peso sofrem diariamente para executar tarefas cotidianas em um mundo de espaços cada vez mais apertados. Dificuldades de locomoção, desconforto, até limitações para desfrutar das opções de lazer, na falta de assentos especiais. Parece que a sociedade não os aceita, que as cidades e os espaços públicos não foram pensados para eles.

Um projeto de lei da ex-senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) inclui obesos mórbidos na lei 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento a idosos, pessoas com deficiência, mulheres grávidas ou que estejam amamentando, além daqueles com criança de colo em bancos, repartições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos. A lei proposta pela petista também obriga as empresas públicas de transporte e as concessionárias de transporte coletivo a reservar assento para obesos.

Só quem está muito acima do peso sabe o tamanho da sua dificuldade, que além dos problemas já conhecidos, sofre também um tipo de preconceito velado. Gordofobia. Olhares julgadores, como se todo gordo fosse gordo por desleixo, tudo isso junto das teorias de que gordos produzem menos, são desatentos, descuidados. É tudo gordofobia.

Enquanto isso, o projeto da ex-senadora pelo Mato Grosso aguarda ser votado desde 2009. Já passou pelo Senado, agora espera entrar na pauta do dia para votação na Câmara, em caráter conclusivo. A última movimentação do PL 3249/2012 foi proposta pelo deputado paraibano Veneziano Vital do Rêgo (PMDB), em março do ano passado, quando pediu à Mesa Diretora que o projeto fosse incluído na pauta.

Até onde é preconceito?

Cenário para a maioria dos debates na pós-modernidade virtual, as redes sociais têm sido palco também para a discussão sobre gordofobia. O tema é bastante pertinente, principalmente no que toca os direitos das pessoas com excesso de peso, mas até que ponto pode se caracterizar uma atitude como gordofóbica?

Muitos que defendem a bandeira da luta contra a gordofobia alegam que a mídia, o mercado, tudo e todos tratam gordos com preconceito ao valorizar na cultura de massa e na publicidade corpos magros como ideais. Se não existe corpo ideal, pois cada pessoa pode ser feliz com o seu, sem a necessidade de rótulos, existe, no entanto, o ideal de saúde. Mais da metade dos brasileiros está com excesso de peso, conforme levantamento feito pelo Ministério da Saúde. Tendência maior para doenças do coração e diabetes são problemas de saúde pública.

Também há excessos nas pessoas que vivem em academias, em busca desse ‘corpo ideal’, barriga zero, enfim. Mas não podemos enquadrar tudo como gordofobia. Recomendar que pessoas pratiquem exercícios físicos, cuidem da saúde, se alimentem melhor, não é necessariamente gordofobia. É preciso ter bom-senso. Sempre que vejo alguém dizendo que vai ser gordo, sim, vai comer pão, pizza e quanto açúcar branco quiser, pois está bem com seu corpo, penso que ele reproduz exatamente o discurso que a indústria alimentícia quer. Não sejamos manipulados. A sociedade precisa avançar por um mundo com menos processados e mais orgânicos.  

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