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A felicidade não tem preço

Uma das voluntárias que participam do programa Papai Noel dos Correios, em São Paulo, não quis acreditar quando uma criança de apenas oito anos idade, em vez de pedir brinquedo, roupinha ou telefone celular, ao ditar carta para ser enviada pela ECT à Lapônia, pediu que o Bom Velhinho repassasse uma cesta básica ao pai e à mãe desempregados. A voluntária não quis acreditar por que ignorava ser este um dos pedidos feitos com desconcertante frequência por inúmeras crianças em diversos estados brasileiros. No Acre, por exemplo, o gerente da Empresa de Correios e Telégrafos na cidade de Cruzeiro do Sul, Airton Pessoa, fez um resumo do quadro: “Aqui, em algumas cartas as crianças pedem brinquedo, ipad, iphone, notebook, tablet, mas o que mais nos comove é quando pedem alimentação. E normalmente são esses os pedidos mais atendidos na campanha”. Lá no Acre, muitas crianças chegam a especificar aos menos dois produtos que não podem faltar na cesta básica do Natal: leite e iogurte. É embaraçoso (e comovente) ou não é?

Bom, no meu caso, só não fiquei cá tão embaraçado ao ler o noticiário porque já tinha me comovido com alguns depoimentos espontâneos dados, em recente programa jornalístico da TV Cabo Branco, por beneficiários do Bolsa Família que recebem do Governo do Estado o Abono Natalino (único do gênero no país). Na primeira declaração, uma mulher de aparentes 50 anos de idade disse, em tom de felicidade, que o abono lhe serviria para comprar arroz, feijão, açúcar, óleo e outros produtos que compõem a cesta básica. Mais feliz ainda, adicionou à balança sabem o quê? “Um quilo de galinha,” Na manifestação a seguir, uma outra mulher, da mesma faixa etária, assim se expressou: “Vou ajuntar e comprar umas roupas para as crianças.” E olhem que o Abono Natalino é de R$ 32,00! Mas vocês não imaginam o quanto essa quantia significa em dezembro para meio milhão de famílias paraibanas! Ou, por outra, já estão vendo o seu significado, não é isso?

Os dois depoimentos, aliás, teriam bastado para despertar espírito natalino em qualquer cristão, mas eis que um terceiro favorecido pelo abono do Governo do Estado - um senhor também de meia idade - me fez acreditar que o Natal realmente existe, ao declarar, entre humilde e determinado: “Quem vai decidir é o meu menino, que é dele esse dinheiro.” E repetiu, com toda a ênfase: “Quem vai decidir é ele.” Pensem numa emoção! A pergunta que me faço hoje é a seguinte: terá o menino decidido ajudar ao pai na cesta de alimentos ou preferiu pegar seus R$ 32,00 e os entregou à mamãe para comprar uma roupinha e um brinquedo? Aposto como escolheu a segunda alternativa, mas a lição que fica nesta véspera de Natal é a do simbolismo que quantia relativamente tão pequena adquire quando entregue a mães e pais de tão grandes corações. Na verdade, o tamanho do benefício não é documento quando valores mais altos se alevantam. A felicidade do Natal não tem preço. Que o digam as crianças de 500 mil famílias que, na Paraíba, nem precisaram escrever a Papai Noel para ganhar uma roupinha ou um brinquedo neste Natal.

Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade!

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