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Jornais na tela

Publicado na edição de 24.01.2016


Martinho Moreira Franco

Continuo inseguro quanto aos reclames, mas os naturais permanecem vivíssimos na minha memória cinematográfica (“reclame” correspondia a anúncio publicitário; “natural” significava “jornal da tela” ou cinejornal). Ambos eram exibidos na abertura das sessões de cinema: os reclames em forma de cartela (ou slide); os naturais como documentários sobre acontecimentos (geralmente da semana) registrados no Brasil e no mundo. Em seguida é que entravam em cena os trailers e o filme em cartaz.

Um dos principais cinejornais brasileiros era “Atualidades Atlântida”, produzido pelo distribuidor Luiz Severiano Ribeiro, dono da maior cadeia de cinemas do país. Rivalizava com o “Canal 100”, de Carlos Niemeyer, da Líder Cinematográfica, celebrizado pela cobertura dada ao futebol e pelo tema musical (“Que bonito é...”) sublinhando lances da partida. Mas o jornal da tela que eu mais apreciava era “Atualidades Francesas”, da companhia Gaumont, exibido no Cine Plaza. Preservo ainda nítidos os acordes da música-tema e o timbre de voz do locutor anunciando: “Em Paris, o Presidente Charles De Gaulle...”

A locução, aliás, era um caso à parte, a começar pela narração dos trailers. Quem, da minha época de cinemaníaco, não se recorda, por exemplo, de Ramos Calhelha narrando trailers de filmes da 20th Century Fox? Outro nome merecedor da admiração do público e dos próprios profissionais da locução era o de Luís Jatobá, narrador habitual de documentários gravados em estúdios do eixo Rio-São Paulo. Sem esquecer que Cid Moreira, “móveis e utensílios” da Rede Globo por várias décadas, despontou para a fama como locutor do Canal 100.

Informam historiadores que os mais antigos “naturais” brasileiros datam de 1916, boa parte produzida com fins assumidamente publicitários. Não me lembro dessa produção, mas citaria documentários do ítalo-brasileiro Primo Carbonari e do franco-brasileiro Jean Manzon, de quadra de tempo bem posterior, como exemplares de reconhecida qualidade jornalística, independente do objetivo comercial. Pesquisadores apontam o Departamento de Informação e Propaganda (DIP), do Estado Novo (1937-1945), de Getúlio Vargas, como responsável pela institucionalização do cinejornalismo “chapa branca” no Brasil, mas essa é outra história.

Aqui, no escurinho da saudade, lamento que não haja mais jornais da tela em exibição no Brasil, embora não frequente as salas de shoppings da cidade. A memória é da época em que o cinema era a maior diversão. Diversão e, também, fonte de informações. Hoje, com a tevê e as redes sociais mostrando os fatos do dia em tempo real, falar em “Atualidades Atlântida”, “Atualidades Francesas” e “Canal 100” é coisa de quem ainda se liga em vozes marcantes como a do longevo Léo Batista, em plena atividade no “Globo Esporte” e no “Esporte Espetacular” (aposto como vai narrar replay de gols do Brasil nas Olimpíadas do Rio...).

Bom domingo!

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