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Quando fantasmas não se divertem

Publicado na edição de 17.04.2016


Martinho Moreira Franco

Ainda bem que o governador Ricardo Coutinho já garantiu que em seu governo A União não fecha. Nem a Rádio Tabajara. Testemunhei a dupla garantia em entrevista que ele concedeu a repórteres deste jornal quando a emissora oficial do Estado fez aniversário no ano passado. A batida de martelo deixou em maus lençóis os velhos fantasmas que vez por outra rondam redação e oficinas de A União bem como estúdios da Tabajara. Digo isso porque não faltaram, ao longo do tempo, governadores dispostos a matar os dois coelhos de uma canetada só. No figurino de Ricardo Coutinho, porém, a cartola é outra, daí o seu aval à preservação do jornal e da rádio como patrimônios culturais da Paraíba. Dessa mata, portanto, tais coelhos não sairão. Aqui e agora esses fantasmas não se divertem.

Estou rememorando a decisão do governador porque já fui perseguido por fantasmas de redação que se materializaram em duas ocasiões: quando era editor-assistente de “A Carta” e quando assinava coluna diária em “O Norte”. O caso da revista foi fulminante: a publicação anunciou o fechamento e o consumou de pronto. O jornal, inicialmente, cortou mais de metade da folha de pessoal, colocou em seguida o restante em banho-maria e, por fim, entornou o caldeirão. Dispensado no segundo corte, nem tive tempo para chorar o leite derramado, pois, além da indenização, recebi de pronto convites para colunista do “Jornal da Paraíba” e de A União.

A bem da verdade, o JP fez uma sondagem, via Gerardo Rabello, enquanto Nelson Coelho, então superintendente desta empresa, me disse, objetivamente, que não abria mão do meu nome. E foi curto e grosso ao bancar a temeridade. Devo-lhe, assim, o retorno ao jornal do qual já fora até editor-geral, nos gloriosos anos 1970, quando dirigido por Biu Ramos. De Nelson pra cá, Ramalho Leite e Fernando Moura correram o mesmo risco que Bia Fernandes corre nos dias atuais, de modo que, ao menos desta vez, escapei de recair na síndrome que acometealguns companheiros sempre que espectros rodeiam redações e oficinas e se corporificam no guichê da tesouraria.

Desculpem o tom pessoal do relato, mas, cá pra nós: e se eu tivesse optado pelo “Jornal da Paraíba”, em vez de A União, quando “O Norte” perdeu (desculpem) o norte? Estaria agora a ver navios entre os mais de cem profissionais do JP lançados recentemente à deriva. Pior: considerando meu histórico no fechamento de “A Carta” e de “O Norte”, talvez estivesse hoje sofrendo nova recaída da síndrome.

Há poucos dias, por exemplo, Gonzaga Rodrigues, mestre da crônica, glória do jornalismo paraibano e responsável pela formação de gerações e gerações de repórteres, redatores e articulistas de nossa imprensa, puxou-me pelo braço e, mal disfarçando certa amargura, me disse em tom algo forçado de gracejo: “Moreira, parece que pra onde eu vou, um jornal vai pra trás...” (ele era colunista de “O Norte” na época do fechamento e, até a semana passada, assinava coluna no “Jornal da Paraíba”). Ora, Gonzaga sabe que já botou muito jornal pra frente na Paraíba e que seu nome é bem maior que qualquer espectro. Faltou-lhe, na época, a sorte que tive quando trazido de volta para A União, vá lá que seja. Mas, tudo passa, tudo passará, como diria o filósofo Nelson Ned. Menos velhos fantasmas por este jornal, enquanto Ricardo Coutinho for governador. Bom domingo para todos!

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