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A morte de um policial

Editorial publicado na edição de 06.02.2016


Os versos meditativos do poeta metafísico inglês John Donne tornaram-se mundialmente famosos pelo grau de amor ao próximo que encerram: “a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por vós”.

A morte de um policial nos apequena ainda mais, enquanto cidadãos, porque somos a razão de ser do Estado Democrático de Direito. E ele, o policial, além da condição de ser parte do gênero humano, é quem, em última instância, dentro do possível, nos garante o bem da vida e o convívio social saudável.

E o preço que paga, por esta ação protetória, é altíssimo. O policial é a mão pesada, armada e opressora do Estado, que foi criado, exatamente, para impedir que nos matássemos uns a outros, cada um fazendo valer o seu gosto ou ponto de vista sobre as coisas do homem, da natureza, de Deus etc.

O policial expõe primeiro a sua, para depois proteger a vida do outro. Que ele, necessariamente, não conhece. De um modo geral, ambos são desconhecidos; o cidadão e o policial que o protege. Este, seguramente, sabe muito do primeiro; aquele, na maioria das vezes, só o que o rádio, o jornal e a televisão lhe dizem.

Em todas as categorias há bons e maus profissionais. Mas só as forças de segurança pública são vistas, no Brasil, como um conjunto de brutamontes; homens e mulheres sem coração, movidos pelo desejo de bater e matar, esquecidos da função de preservar a “ordem pública”, conceito abstrato.

Só uma força superior pode proteger o policial, no momento em que ele entra em confronto com marginais, para proteger vidas ou patrimônios materiais. É um trabalho duro, solitário, marcado pela injustiça do aplauso quando a ação é bem-sucedida e o repúdio coletivo quando algo foge ao seu controle.

O policial é acusado de muitas coisas, mas talvez a maior injustiça que se comete contra ele é responsabilizá-lo, unicamente, pelos crimes gerados por instintos humanos assassinos, desavenças ocasionais, ou desigualdades sociais. Seria preciso colar um policial em cada cidadão, para se tentar a paz total.

No Brasil, além de policial e bandido, há outra dicotomia que incomoda e exige solução: polícia e justiça. A primeira prende; noite e dia, prende. A segunda solta; dia e noite, solta. Existe algo mais frustrante, ou melhor, mais humilhante, para um policial, do que ver um marginal em liberdade, rindo da sua cara?

Para reverter a criminalidade, o Brasil precisa, urgentemente, rever suas leis. Tornar crime hediondo o assassinato de um policial. Deter a sangria de recursos que adiam os julgamentos para “o dia de são nunca”. Manter bandido preso até o cumprimento final da pena. E valorizar, o máximo possível, o policial.

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