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Opinião: "Gritaria contra o interesse público"

Reprodução/Wikipedia Recorte da obra "O Grito" (Skrik, 1893), do norueguês Edvard Munch

Recorte da obra "O Grito" (Skrik, 1893), do norueguês Edvard Munch


Walter Galvão

Nos últimos dias, a oposição paraibana tenta criar inutilmente o que os especialistas em sociologia da comunicação de massa chamam de “ciclo sistemático de atenção a questões”. E qual o mecanismo preferencial da ação dos nossos oposicionistas? O grito.

No grito, parlamentares, gestores partidários e de órgão públicos, bem como militantes que fazem oposição sistemática ao PSB e seus partidos aliados, tentam fixar a suposta realidade de que o Estado está quebrado.

Certamente que não estamos no melhor dos mundos. A crise é real. As ameaças de colapso são persistentes para Estados e Municípios.

Alguns processos que alimentam a crise em âmbito nacional: depressão fiscal, desemprego ainda em alta, retração da arrecadação, escândalos de corrupção, inflação e seus múltiplos egos, inercial, psicológica, dos custos de produção, dos serviços, dos preços recebidos pelos produtores rurais (IIPR)...

A inflação ainda é uma ameaça concreta a qualquer reestruturação de demanda e preços que virá devido à recomposição dos estoques industriais que estão realmente no fim. Alguma energia será incutida no organismo debilitado.

Ao longo de 2017 será possível pensar, de acordo com os relatórios do Banco Central, de projeções do sistema financeiro, e da indústria, em recuperação do binômio consumo e emprego.

Isso vai favorecer a arrecadação. E facilitará só um pouquinho a vida dos Estados. Que comprometem cada vez mais a agenda de desenvolvimento, agenda de característica da que hoje é tocada na Paraíba, devido à enorme retração dos recursos do FPE.

Essa arquitetura fiscal aliada ao pacto federativo ainda cheio de assimetrias e contradições, a incapacidade de investimentos do Governo Federal, o custo Brasil insustentável, o desemprego crescente e a necessidade de contingenciamento de recursos ampliam a crise nos Estados.

O governo da Paraíba  foi um dos primeiros no país a programar redução de custeio da máquina como proteção da agenda das obras estruturantes, e manteve os gastos em estradas, segurança hídrica (adução, principalmente), saúde, segurança pública, educação, cultura. Não atrasou salários. Inaugura obras quase que semanalmente.

Além disso, estabeleceu parâmetros legais para redução do preço dos contratos. A decisão sinalizou para um padrão de economicidade que blindou até agora seu equilíbrio contábil.   

É nesse contexto que a oposição acusa o Governo estadual de tentar ocultar uma crise de proporções tão alarmantes quando indomáveis. Não há o que ocultar. A crise está na cara. Afirmam que o Executivo não estaria no controle de ações capazes de fazer um enfrentamento eficiente da crise. Ao contrário, estaria atuando de forma a agravar problemas que estariam infelicitando a vida dos cidadãos e cidadãs. Mas não apresentam os descritores da propalada quebradeira. A retórica é tosca, os argumentos falhos, o objetivo menor: eleitoreiro.

A propósito dessa tentativa de criar um falso cenário social, os cientistas afirmam que a opinião pública funciona através de uma dinâmica de atenção a alguns temas que se relacionam diretamente com seus interesses.

E isso nos parece uma obviedade daquelas ululantes. Se há excesso de calor; se há desabastecimento nos supermercados; se o governo não paga os salários em dia, obviamente que opinião pública tem a atenção despertada devido às repercussões negativas de tais fatos na vida de todo mundo.

O importante, porém, e que vai além do muro das obviedades, é que tais ciclos de interesse contribuem para a formulação e gestão de políticas públicas.

Nesse sentido, caberia à militância oposicionista estabelecer em seu discurso a simetria justa com a realidade dos fatos, em nome do respeito ao eleitorado e às forças que encarna. Mas vejam o que acontece: no período em que mais os parlamentares gritam sobre o colapso administrativo é que sai um relatório especial sobre a crise nos Estado produzido pelo G1, o portal de notícias da Globo. E nele, a Paraíba figura entre os que estão superavitários. “Superávit primário subiu 28,79% no primeiro semestre de 2016” na Paraíba, informa o portal a partir de avaliação dos dados do Tesouro Nacional.

Essa situação não quer dizer que a Paraíba esteja livre das piores turbulências da crise. Mas que não confere a realidade com o que apregoa a oposição. A saúde da democracia depende também do rigor crítico de uma oposição responsável. Mas forçar a barra com o intuito de desgastar a imagem do Governo semeando o medo entre servidores públicos e a desconfiança na segurança em ações das políticas públicas direcionadas ao bem estar da população é um desserviço explícito. A Paraíba não merece.

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