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Colonização do espaço

Publicado na edição de 23.01.2016


William Costa

Em outras palavras, o físico britânico Stephen Hawking disse, esta semana, que, do jeito que vai, o progresso não levará a humanidade ao encontro do “paraíso perdido”, ou fará a sociedade do futuro concretizar um conto de literatura fantástica. Muito pelo contrário. A ciência e a tecnologia poderão provocar uma hecatombe, por meio de guerras devastadoras, aquecimento global irreversível e vírus geneticamente modificados, contra os quais a medicina será impotente.

Para o autor de Uma breve história do tempo, que propõe grandezas imensuráveis por cérebros limitados como o meu, caso o apocalipse tecnológico se confirme, o único jeito da humanidade escapar do desastre final é correr para os foguetes, e partir para colonizar novos planetas. Digo “colonizar novos planetas” para lembrar a tese segundo a qual a raça humana descende de extraterrestres, desmoralizando Adão e Eva do Gênesis e os macacos, de Darwin.

Mesmo “de olhos abertos” para as maravilhas tecnológicas do meu tempo, comparando, por exemplo, a nau capitânia que trouxe Pedro Álvares Cabral para “descobrir” o Brasil ao Boeing 747 que protege o presidente dos Estados Unidos da ira das vítimas do capitalismo, pressinto que a nossa ambição interestelar conseguirá, no máximo, instalar colônias na Lua, para alegria de São Jorge e o dragão, que irão pelejar diante de torcidas organizadas.

Ora, se não conseguimos ser sábios numa terra em tudo abundante, de paisagens sublimes, cuja paleta a química humana jamais irá reproduzir, imagine o nosso estado de espírito quando nos encontrarmos na vastidão escura e silenciosa do Cosmos, onde o uso racional e solidário dos recursos será fundamental para a sobrevivência. Iremos temer a própria sombra, ao lembrarmos que, na hora da partida, esqueceram os bilhetes da lei.

Pesquisas indicam que seremos dez bilhões de seres humanos em dois mil e cinquenta. Até lá, teremos de encontrar uma solução para o colossal desafio que será transportar essa gigantesca massa humana para as moradas espaciais. Talvez fosse melhor dizer celestiais, porque, das duas uma: ou construímos gigantescas espaçonaves, capazes de transportar milhões de pessoas de uma só vez, ou a nossa história terminará com uma tragédia espetacular.

Imensas filas irão se formar nas bases de lançamento, mas os primeiros voos estarão reservados para a minoria rica. Claro, haverá um político safado arrumando vagas, cambistas com passagens extras, e alguém irá burlar a segurança com aquele “jeitinho” que nós, brasileiros, conhecemos tão bem. Que ninguém se iluda. No vale-tudo para tentar salvar a pele no espaço, o “resto” ficará por aqui, lutando com pau e pedra, bebendo água e comendo capim.

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