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Surgimento de A União

"Conhecer a história de A União é conhecer a história do próprio povo paraibano" Ricardo Coutinho

 

 

Por Gonzaga Rodrigues

 

 

O jornal A União nasceu, na Paraíba, como instrumento de conciliação política de suas lideranças após o golpe militar, sob a bandeira da República que extinguia o ex-Império destronado, com o embarque melancólico de uma das presenças mais veneráveis da história brasileira, o sr. D. Pedro de Alcântara.

 

Uma coisa é ler no estilo objetivo da História, que pretende ser científica, cena como o embarque dos exilados imperiais; outra, bem diferente, é assistir a esse embarque na crônica de conotação afetiva de Raul Pompéia, um dos testemunhos mais pungentes dessa madrugada que some na penumbra dos tempos.    

 

Como o texto iniciava, A União surgiu na tentativa de viabilizar a convivência entre as ambições políticas deflagradas com a mudança de regime e atiçadas com a sucessão de golpes iniciados a partir de 15 de novembro. Golpe no regime monárquico, golpe no Congresso recém instalado, golpe de Floriano sobre o golpe de Deodoro. E golpes locais a cada composição de governo de que se cogitasse ou que se conseguia formar.

 

Funda-se o jornal na pretensão de harmonizar as diversas correntes que disputavam, historicamente, a concentração da riqueza e do poder e cujos atores mudavam, a partir daí, de barões para coronéis.


Atribuía-se à imprensa poderes suficientes para isto. Para o bem ou para o mal, era a única tribuna para onde confluíam todas as informações e opiniões. Fora da imprensa, era o boato ou o púlpito, este um privilégio da Igreja.

 

República, o que é isso?       

 

A República, como já foi insistentemente repisado, não chegou à Paraíba nas costas de nenhuma rebelião. Nem mesmo de algum discurso local que pregasse a ideia. O regime monárquico brasileiro, como bem se sabe, já vinha se arrastando e começou a ruir desde o fim da escravatura, flagelo vergonhoso em que a economia se sustentava, desabando com o empurrão dado por tumultos e revoltas que ficaram conhecidos como a Questão Religiosa e a Questão Militar, subindo a fervura no ocaso do velho regime.

 

A própria capital do Império, testemunha que acordara estonteada com a movimentação de tropas na Praça da Aclamação, passou a capital da República com um único ferido na resistência esboçada ante a movimentação de tropas: o general José da Costa Azevedo, último ministro da Marinha do regime decaído. 

 

Até mesmo o imperador se mostrava tolerante com a ideia republicana “e até prova disto deu no dia em que o depuseram, não se surpreendendo com a desgraça” (Rocha Pombo) . Numa nota escrita no exílio, encontrada pelo historiador paraibano José Maria dos Santos (ver A Política Geral do Brasil, ed. Itatiaia, p. 154), o velho imperador já vinha “considerando” essa alternativa:

Desejaria que a civilização do Brasil já admitisse o sistema republicano, que, para mim, é o mais perfeito, como podem sê-lo as coisas humanas. Creiam que eu só desejava contribuir para um estado social em que a república pudesse ser ‘plantada’, por assim dizer, por mim, e dar sazonados frutos. Como seria ela solução natural, não poderiam preocupar-me os direitos de minha filha e netos.


No seu livro de grande escritor, um clássico da historiografia política brasileira, José Maria dos Santos (1) fecha a transcrição sem esconder a grande admiração que nutria pelo espírito do imperador: “Na história de nenhuma das monarquias do mundo moderno poderia ser encontrado um documento semelhante”.

 

         Proclamada a República: julgava-se que fosse pilhéria


A mudança de regime foi recebida, aqui, como pilhéria, expressão usada por um dos ativos contemporâneos da cena política e cultural, o jornalista Eugênio Toscano, diretor de A Gazeta da Paraíba, ao narrar como lhe chegou a notícia dada pelo dr. Lima Filho, seu colega de jornal, mencionado, anos depois, em carta de Augusto dos Anjos à Sinhá Mocinha (mãe do poeta) como médico da família.

 

Eram mais ou menos 5 horas da tarde do dia 15 de novembro de 1889. Achava-me eu com o meu inseparável companheiro Cordeiro Junior (*) no escritório da Gazeta, quando entrou o dr. Lima Filho e perguntou-nos se já sabíamos da novidade que havia; à nossa negativa disse-nos ele, calmamente, como se tratasse da coisa mais natural do mundo, de um fato cuja reprodução já não nos pudesse causar espanto:

- Pois o exército e a armada acabam de proclamar a República no Rio de Janeiro!

Compreende-se que não acreditamos logo nessa história que a recebemos como pilhéria de colega”.

         E arremata:

Saí a fim de tomar melhores informações (...) era tudo tão calmo! A notícia confirmava-se, mas sem despertar entusiasmo, ou curiosidade mesmo sequer. Algum conhecido que eu encontrava e comunicava o fato, respondia-me:

- Homem, dizem isto!

 

A velha e feroz corrida por posições

Mas não foi esse o clima já no dia seguinte, quando começou a corrida assanhada em busca de posições. Até aí, monarquistas tinham sido todos, divididos entre liberais e conservadores, agremiações da idade do Império que se revezavam no Poder mantendo os interesses dos senhores agrários e da elite burocrática. Com o monopólio da política, “não raro determinando, eles próprios, o número de eleitores e dirigindo as eleições”.

 

Republicanos, mesmo, não chegavam aos dedos de uma mão: somente Albino Meira, lente da Faculdade de Direito do Recife, aí atuando. Candidato pelo partido republicano, o grande Albino, patrono de Jomar Souto na Academia de Letras, não obteve, aqui, mais do que 24 votos. Outro, Maciel Pinheiro, cujo idealismo é louvado por Castro Alves, seu contemporâneo na Faculdade de Recife; além de Coelho Lisboa, professor do colégio Pedro II, e Aristides Lobo, este, filho de Santa Rita, militante da imprensa e jurista no Rio. Foi protagonista da fundação da República, o primeiro a ocupar o Ministério da Justiça no novo regime e a quem se atribui participação na escolha do paraibano que viria implantar o regime no Estado. 

 

Vale conferir na História de Horácio de Almeida: “O dia 16 a Paraíba viu transcorrer sem alteração. A 17 chegou a notícia de que a família imperial embarcara para o exílio. Os que não queriam se comprometer com a novidade política tomavam agora posição pela implantação da República”.

 

Cita, como reforço, a frase do alagoanovense Manuel Tavares Cavalcanti: “A Paraíba aderiu à República toda de uma vez.”. (*)

 

Toscano se antecipa: a primeira junta

É Eugênio Toscano, por iniciativa própria, que sai convocando os homens de evidência para uma reunião na Gazeta da Paraíba, jornal que dirigia e apenas cedia uma de suas colunas para a propaganda republicana. Dali saem para a Câmara Municipal com o fim de organizar um novo governo. E aclamam uma junta encabeçada pelo coronel Honorato Caldas, comandante do batalhão do Exército, Artur José Reis, pela Marinha, e os civis Barão do Abiaí, dr. Lima Filho e Eugênio Toscano.

 

Conquanto fosse escolhido como chefe dessa junta, o coronel Caldas rejeita a ideia alegando a inexistência de documento oficializando a mudança de regime. Pretendia, isto sim, que a formação do novo governo ocorresse sob a égide do quartel. Na sua lógica, se o movimento era do Exército, se a República era cria do Exército, nada mais justo ou lógico que só ao Exército caberia tutelar a mudança. E decide organizar outra junta por ele chefiada, mas com outros nomes, entre os quais os dos civis Tomaz de Aquino Mindelo, Cruz Cordeiro e Manoel Carlos Gouveia. Toscano, jornalista de ideias e de combate, ficou fora. 

 

A segunda junta


Essa junta foi proclamada ao povo de uma das janelas do quartel. O povo, segundo as “Memórias” do coronel Coutinho, não passava de meia dúzia de curiosos no jardim em frente, hoje Praça Pedro Américo. E não houve dificuldade para surgir um adesista da primeira hora que assumisse a proclamação, o jovem advogado Antonio Massa, que faz carreira como magistrado, político, chefe de polícia e, afinal, senador.

 

O coronel Caldas assume o governo no dia 18, faz embarcar de volta ao Rio o presidente deposto, Francisco da Gama Rosa, a quem devemos o Teatro Santa Roza, última obra entre as poucas que a coroa implantou na Paraíba. 

 

Mas lá em cima, na cúpula do governo provisório da República, cogitavam-se de outros nomes para a Paraíba. Albino Meira, com justiça, era um deles, candidato de Aristides Lobo, Ministro do Interior e Justiça. Entretanto, outros paraibanos influentes conseguiram trocar Albino por Venâncio Neiva, que estava de juiz de primeira instância em Catolé do Rocha, mas com uma diferença decisiva: tinha um irmão marechal, próximo de Deodoro, o paraibano Tude Neiva.

 

         Anunciado o nome de Venâncio, o coronel Caldas esperneou, promoveu comício que o aclamasse, não queria passar o cargo, e vem o chefe de Polícia, dr. Pedro Velho do Rego Melo, dissolve a manifestação, e o coronel, que recorre ao quartel para tentar uma reação, termina preso e embarcado no primeiro navio com destino ao Rio. A tropa já vinha de conspiração contra ele.

 

         Venâncio Neiva: de juiz de Catolé a Presidente      


Assume Venâncio Neiva e recebe orientação para formar o governo com Epitácio Pessoa e Coelho Lisboa, este como chefe de policia, que demora pouco no posto, rompido com o presidente. Venâncio preside as primeiras eleições republicanas que escolhem três senadores e cinco deputados para a primeira constituinte nacional. Senadores: marechal Almeida Barreto, João Neiva e Firmino Gomes da Silveira. Deputados: Pedro Américo, Epitácio Pessoa, Joaquim do Couto Cartaxo, Sá Andrade e João da Silva Retumba.

 

         A Paraíba elabora a sua Constituinte, condicionada pela Constituição de 24 de fevereiro de 1891, e elege, pela assembleia, o governador e vice-governador, confirmando Venâncio Neiva no poder. Venâncio, sem recursos, pouco pôde fazer em obras físicas, destacando-se, porém, no empenho de harmonizar as elites envolvidas na política, sempre desavindas nos partidos Liberal e Conservador.

 

         Quando, porém, o dirigente paraibano consegue algo parecido com uma convivência tolerável dos interesses locais, Deodoro renuncia ao governo, vinte dias depois de ter decretado o fechamento do Congresso que o tornara presidente constitucional, e aparece em cena a figura enigmática  de Floriano Vieira Peixoto, que revoga o decreto de fechamento do Legislativo e passa a governar com mão de ferro. Vem o desmonte de Floriano, depondo todos os governadores que não haviam se manifestado claramente contra o golpe pretendido por Deodoro.

 

Venâncio se pronunciara, sim, mas através de um telegrama cauteloso, o primeiro nos anais da Paraíba que deixava a ditadura de orelha em pé com a dubiedade do texto. Tal qual o telegrama da Paraíba posicionando o seu governo em relação ao golpe de 1964, o do presidente Venâncio também não ia além de breve texto excessivamente vago para as pretensões florianistas. Foram estas suas palavras: “Recebi vosso telegrama, o estado continua em paz”. A dureza de Floriano não perguntava por isso.

 

 O governo Venâncio durou dois anos e vinte dias, de 6 de dezembro de 1889 a 27 de dezembro de 1891. Tempo suficiente para esse registro digno de reedição de um expoente da elite intelectual da Paraíba:

Venâncio Neiva não se destacou por dotes intelectuais de exceção. Não foi jornalista nem orador, qualidades que, em seu tempo, davam brilho especial às biografias políticas. Mas foi, sem contestação, um homem de reputação ilibada e de grande autoridade moral. Depois de sua deposição, conseguiu ele sobreviver fora e acima de toda a polêmica partidária. Para os antigos correligionários, ficou sendo o patriarca da República na Paraíba. Para os adversários, passou a ser, sem demora, um paraibano merecedor de todo o respeito, pela dignidade com que se conduzia na vida pública.

 

É o julgamento, distante no tempo, do ex-governador Oswaldo Trigueiro, em seu livro A Paraíba na Primeira República, editado noventa anos depois.


 O daquela hora, firmado por um liberal, o jornalista Irineu Joffily, não altera o perfil moral de Venâncio, mas dá outra ideia do político e de seu desempenho: “Na vida pública, como juiz municipal do termo de Pombal, durante todo o tempo de sua judicatura, revelou-se sempre conservador exaltado e rancoroso, fazendo jus, assim, a uma vara de Direito (...) Não demorou na revelação do seu plano de administração, que era o dos antigos partidos monárquicos.(...) ...e a derrubada foi tão  completa como talvez nunca houvesse no antigo regime. Professores, coletores, gente do correio, que eram liberais ou suspeito de sê-lo, todos foram sacrificados e substituídos por conservadores (...) Não parou aí. Dissolvidas as câmaras municipais, foram nomeados os conselhos de intendência, com pessoal do Partido Conservador, recebendo vencimentos de um conto e duzentos mil reis, muito embora a receita da maior partes desses municípios não chegasse a um conto de reis. Implicitamente ordenou o aumento de impostos em favor de seus amigos...”

 

Não era um fraco, o dr. Venâncio. Num dos tumultos que teve de enfrentar, o último, deixou o palácio a pé, pela porta da frente, na hora do expediente.

 

A turba que representava o povo – para os efeitos desejados pelo governo federal – investiu contra ele, com ameaças de agressão e de morte. Venâncio não recuou nem apressou o passo. Encarou os amotinados e proferiu, firme, a frase que o celebrizou: “Para me matarem, são muitos; para me amedrontarem, são poucos.   


Sobe novo coronel dessa vez com Toscano


 Em seu lugar assume outro coronel, o comandante Savaget, da guarnição federal, numa composição com Eugênio Toscano de Brito (afinal contemplado) e Joaquim Fernandes de Carvalho.

 

 Cinquenta dias depois assume o governo o major Álvaro Lopes Machado, indicado pelo republicano Coelho Lisboa, dissidente de Venâncio, e pelo médico Abdon Milanês, tio de Álvaro, talvez o mais influente, pelos serviços médicos prestados ao major Floriano quando de sua passagem pela Paraíba, em missão registrada nas Memórias, do coronel Coutinho, e onde fez outras amizades como a do dr. Gama e Melo, convidado por telegrama do marechal para o Ministério da Justiça. Indo morar no Rio Comprido, Milanez consolidara essa amizade como vizinho do futuro Marechal de Ferro.

 

Álvaro, afinal, para todo o sempre


A nomeação de Álvaro (nomeação disfarçada por uma aclamação da Câmara Municipal) era o que faltava para consolidar o regime republicano na Paraíba. Álvaro Machado, engenheiro militar até então sem militância política, não soube apenas segurar o governo e marcar presença administrativa, como inaugurou uma das maiores oligarquias no seu Estado.

 

 Deu à Paraíba uma nova Constituição que durou até 1930, organizou a administração, cujos funcionários não recebiam havia onze meses, abriu estradas, construiu açudes, reduziu a dívida que vinha dos tempos imperiais e colou, no Partido Republicano, os nomes mais tradicionais.

 

Manteve o domínio por mais de vinte anos, sucedido por outra oligarquia clássica, a de Epitácio Pessoa, tese de ensaio em Universidade americana.

 

Dois instrumentos importantes e até decisivos o ajudaram: seu vice-presidente Monsenhor Walfredo Leal, amigo de infância desde Areia, o grande gestor financeiro da administração. Deixava Walfredo no lugar com a frequência que a mulher exigia, morando no Rio. No dizer de Horácio de Almeida, ela tinha horror à Paraíba.

 

 O outro instrumento: a criação de A União. Na confusão de interesses que havia de enfrentar, vislumbrou com mais futuro a persuasão pela força das letras, da opinião aberta do que pela contingência das armas. Fundado o partido, coloca o jornal na arena das informações e das ideias, na expectativa de que é sempre mais duradouro e proveitoso tratar com adversários no nível intelectual do que com aliados e contrários no nível restrito dos interesses pessoais.

 

Aconselha-se, convoca as lideranças do partido que fundara, o Partido Republicano, sem excluir as que remanesciam do regime deposto, e abre espaço para a produção intelectual até então dispersa e insegura, o testemunho histórico e o que o Ministro José Américo batizou, depois, de sua primeira Universidade. 

 

         Por que jornal?

 

         Por ser, na época, o único instrumento de informação e de formação mais poderoso daquela transição de séculos. Um agente cultural concreto, palpável, “com sua materialidade no papel impresso e efetiva força simbólica das palavras que fazia circular”, como bem define o professor e ensaísta Marco Morel. As baionetas convencem com mais rapidez, nunca para toda a vida. A informação, o esclarecimento, a opinião convincente não se perdem no tempo.

 

         E o Brasil de 1892 ainda retinha viva a força da imprensa na nossa maior eclosão de felicidade pública, o 13 de Maio. No quadro político a ser enfrentado por Álvaro Machado, não havia alternativa fora da conquista pacificadora. Não havia partido político que não mantivesse o seu jornal. Era para onde acorria a leitura do povo. Da fração de povo aquinhoada com a instrução escolar.

 

         Um homem de pensamento que não militava na política, o padre Francisco Lima traz esse quadro para o D. Adauto, documento fiel e muito bem escrito desse período. A pretexto de biografar o primeiro Arcebispo da Paraíba, Padre Lima traz tintas de outra isenção para o quadro em que atuou seu biografado:

 

Os primórdios da República marcaram de fato em todo o país uma época agitadíssima, perturbadíssima, confusíssima, As instituições políticas sem estabilidade – pelos pruridas de restauração monárquica; as atitudes dos próceres revelando muitas vezes uma perplexidade torturante – com o medo de perder as posições conquistadas, os extremistas do tempo (...) caluniando, injuriando, ridicularizando elementos os mais dignos, de qualquer partido, com ou sem cor política – na expansibilidade dos seus instintos açulados pelas paixões do momento.

 

Nesse clima de calçadas, de cafés, dos ajuntamentos comuns a uma época em que a comunicação era sobretudo pessoal, o jornal se impunha como o grande aglutinador, para o bem ou para o mal.

 

Não somente as lideranças políticas armavam as suas tendas de opinião jornalística, mas, entre nós, a própria Igreja, a qual, pela ortodoxia do seu grande pastor, tinha pela frente a mais combativa das folhas, O Commercio, dirigido por Arthur Achilles. Para se bater pelos seus princípios, a Igreja de Dom Adauto cria também A Imprensa, jornal diário, que teve fases de relevo e foi mantido até os anos 1960.

 

No seu tempo, Artur Aquiles domina a cena social, política e intelectual no momento mesmo em que se instala a República. Castro Pinto, o líder de mais prestigio cultural de então, define essa grande figura, na retórica gloriosa daqueles dias, como “a cotovia madrugadora dos grandes interesses da Paraíba”. Inaugura a imprensa doutrinária e noticiosa e torna-se guia incontestável dos que marcaram o jornalismo com seus nomes: Coriolano, Celso Mariz, Álvaro de Carvalho. Muita gente o lia escondido, de camisão por trás das portas, como o menino José, sobrinho do pároco de Areia, que veio a ser, depois, ninguém menos que José Américo.

 

O jornal concebido para acomodar liberais e conservadores numa só carga republicana, teria como argumento mais persuasivo a propagação dos elementos de mudança a ser implantados no novo regime.   

      

         A herança encontrada


         O prestígio ímpar de Artur Achilles devia-se exatamente ao combate persistente e duro do seu jornal ao desprezo dado pelo regime monárquico às necessidades primárias da Paraíba. O Commercio, também filho da República, surgira três anos antes de A União, mas herdara, remotamente, de Borges da Fonseca, o destemido revolucionário de ideias libertárias, a consciência republicana. Consciência republicana de 1817, anterior à Independência, inspirada nos ideais de Frei Joaquim do Amor Divino, o Frei Caneca, cujos ideais produziram seus mártires na Paraíba. A União dos anos 1920 registra, em texto de Irineu Pinto, essa lista de dezenas de presos e deportados, cinco dos quais enforcados. 

 

O Commercio é um remanescente distante dessa chama e sai à frente cobrando educação e saúde para todos e não apenas para os filhos da aristocracia. Reclama porto à altura das exportações, o maior volume delas desviado para o porto do Recife. Prega fortalecimento do comércio, livrando a capital centenária das filiais das grandes casas de fora. Atrita-se com governo e igreja que mendigavam em vez de se impor aos caprichos da Corte. Num editorial de primeira página, abrindo o jornal da transição do século, em vez de louvação, a Paraíba aparece tão pobre quanto em 1824, quando teve de mandar pelos correios procuração a José Bonifácio para representá-la na Constituinte porque não dispunha de recursos para enviar um seu representante.

 

         A Gazeta do Sertão, o jornal de Irineu Joffily, um ano antes da proclamação da República, confirmava esse diagnóstico de pobreza:

Uma agricultura rotineira e atrasada, tendo criminosamente vivido do braço escravo, definha e enfraquece. A criação do gado, entregue às forças naturais sem as mais rudimentares noções do seu desenvolvimento. As indústrias são completamente desconhecidas, e nenhuma esperança há de que possam aparecer... O comércio, como intermediário entre o produtor e o consumidor, funciona como agente do fisco, arrecadando impostos. Se o dinheiro extorquido por meio de onerosos impostos, tivesse aplicação na Província, para em futuro remoto dar algum benefício, não seria tão grande o mal. Ao contrário disso, quase a metade da renda da Província é consumida no embelezamento da corte e a outra metade distribuída a um funcionalismo enorme e desocupado.

 

         Na seca de 1888 o povo aparecia amontoado pelas esquinas, dormindo ao relento e recebendo, à força de gritos e ameaças, a magra ração de farinha. Farinha era tudo quanto o Império e os barões do sul reservavam aos fantasmas do teatro da seca. Por cima ainda tinha a polícia a provocar o povo, fazendo corpo mole ao cangaceirismo, ao roubo e assassinatos. Há acusações sérias ao baronato privilegiado pela confiança do poder. Na Gazeta do Sertão, de Irineu Joffily, aparece uma nota sobre “a maneira desordenada e até criminosa por que têm corrido os serviços da Alfândega sob a inspetoria do Barão de Abiahy”. Os aliados do governo não pagavam imposto.

 

         Os benefícios de monta registrados nos últimos anos da monarquia, aqui na Paraíba, resumiam-se na arrastada implantação da estrada de ferro Conde d`Eu – a que se atribui a entrada do progresso na Paraíba – (2) e na construção do Teatro Santa Roza. Esta iniciativa a Paraíba ficou devendo mais ao espírito do presidente Gama Roza do que aos interesses da metrópole. Para quem não sabe, Dr. Luiz Francisco da Gama Roza era homem de ideias avançadas, iniciado em Sociologia e mantendo correspondência com o filósofo Herbert Spencer, que tanto influenciou o pensamento de Augusto dos Anjos. Merece registro especial: quando presidente da província de Santa Catarina, em 1884, provocara escândalo nomeando o poeta negro Cruz e Souza (filho de escravos) promotor público da comarca de Laguna.

 

         Foi deposto na Paraíba oito dias depois de inaugurar um dos nossos mais solenes e belos monumentos, o Teatro. O coronel Honorato Caldas, que se arvorava chefe do governo nas primeiras horas republicanas, ainda teve a delicadeza de acompanhá-lo em seu embarque, em Cabedelo.

 

         Como andava a capital da Parahyba


         Não contava os 30 mil habitantes. Concentrada entre o porto do Sanhauá e o arruado da colina, pontilhado de igrejas, com um palácio que até como morada era precário, a cidade se rarefazia ao chegar à lagoa dos Irerês, um charco natural para onde escorriam as águas da chuva e dos esgotos. Até duas ou três décadas atrás, o próprio palácio, símbolo da elite reinante, era um casebre indecente no dizer de um de seus ocupantes. Num pedido de ajuda ao governo imperial, o presidente o achava tão velho “que estou vendo o momento em que me caia em cima e de toda a minha família”.

 

A cidade esbarrava na Rua da Frente, assim chamada por ser a primeira olhando para o nascente. Era a atual 13 de Maio, cortada pela feira que descia da atual Praça Rio Branco e que só no governo de Álvaro veio merecer um mercado público. A água era de chafariz, nisso se unindo ricos e pobres. Jaguaribe era a estrada dos macacos. Cruz das Armas a saída para o Recife. Trincheiras, que veio se urbanizar nos anos 1920, com Camilo de Holanda, era um batismo originário de várias versões, mais de lenda, nunca comprovado. Um sitio, um paul cercando a cidade que descia da Rua Direita para o Varadouro, onde ferviam o comércio e a especulação política. A crônica do tempo encontra Floriano Peixoto a distrair as folgas do quartel, onde demorava em missão, batendo pernas nos cafés da Maciel Pinheiro ou com cadeira na calçada do doutor Gama e Melo. O major-brigadeiro, que já devia ser o taciturno enigmático que a grande imprensa veio caricaturar depois, havia se tornado amigo do doutor Gama, e, como conversava pouco, gostava de ouvi-lo. Não é por outro motivo que o convidou para o seu ministério. Gama não aceitou, por modéstia, por excesso de auto-crítica.

 

         Tudo vinha pelo rio, desde os produtos de olaria do interior aos importados de Portugal, Itália e Inglaterra. Eram ingleses os motores, os produtos mecânicos, o ferro e a arquitetura dos coretos; eram portugueses, do reino, os queijos, os vinhos, a seda e a literatura; vinham da Itália os tratados de Direito. A França entrava na competição através de Portugal, como se continuasse a disputa da Conquista ou com alguns livros de Renan, Alfred de Musset, Victor Hugo no original. Pesquisando relíquias do Engenho Pau d`Arco, Da Costa e Silva, biógrafo de Augusto dos Anjos, foi encontrar uma edição de O Capital, de Marx. Tinha o autógrafo do dr. Alexandre, um estudioso das relações do capital e do trabalho, com artigo publicado na imprensa local. 

 

         Jornal era o que não faltava, todos de partido. E não era privilégio da capital, talvez fosse de Areia, que perdia economicamente para Mamanguape, mas ganharia em títulos de semanários ou mensários para a própria Parahyba. E na remessa de homens públicos para a moderna história da Paraíba, relembremos que saiu dos matizes de Areia o pincel que configura as mais rutilantes páginas da história brasileira. Foi de lá a grande voz libertadora da escravatura, na Paraíba, A Verdade, com a elite dos seus leitores antecipando-se ao 13 de Maio.

 

           O Floriano que não conhecíamos


         Em síntese, cabe recorrer a pequeno trecho introdutório da História da República Brasileira escrita em bom jornalismo para estudantes e à altura do entendimento popular. Hélio Silva, do olho do furacão, faz este trailer primoroso dos primeiros anos do regime, cujas larvas vêm pegar de surpresa as províncias:

 

A violência gera a violência. (...) À força responde-se com a força. O país conheceu a guerra civil, com o sacrifício de filhos ilustres. (...) No tumulto houve a tentativa de restaurar a Monarquia. A República parecia falhar em seus desígnios. Não era essa a República que haviam sonhado os seus propagandistas. Então, a mocidade cerrou fileiras em torno de Floriano, no que ele significava em defesa do regime e dignificação da nacionalidade. Apoiado nos moços, Floriano realizou a grande missão que o redime dos erros cometidos.


Os filhos da República


         Dessa mocidade surgem os novos interventores na realidade política e cultural paraibana. Epitácio Pessoa, que chega à Presidência sem o patamar de um estado rico; Castro Pinto, José Américo, Argemiro de Figueiredo, Samuel Duarte, Oswaldo Trigueiro, José Joffily, Abelardo Jurema, além do protagonismo no campo das ideias e das artes: Pedro Américo, Augusto dos Anjos, Carlos Dias Fernandes, Raul Machado, Pereira da Silva, José Lins do Rego, Melo Leitão, Assis Chateaubriand, Celso Furtado, Ariano Suassuna, filhos do século em que A União nascia para estimular e testemunhar. 

 

* * *

 

         Indicado por um tio civil amigo de Floriano, Álvaro Machado, ainda jovem, veio governar o seu Estado, sem nenhuma experiência administrativa nem passado político. Era engenheiro do Exército e professor da Escola Militar. Ao contrário dos seus antecessores no incipiente regime republicano, governou duas vezes, chefiou a política da Paraíba durante vinte anos, fez governadores, senadores, fez deputados e entra na História da Paraíba como o mais operoso, até então, só vindo a ter paralelo, anos depois, com o governo de Castro Pinto. 

 

         Precisou de um jornal, reconhecendo-o como o mais indicado recurso de propagação do seu tempo, para dizer a que vinha, depois de toda uma vida militar e acadêmica fora da terra natal.

 

Encontrava uma capital histórica pontilhada de belas igrejas, regada de boas fontes de água, com porto fluvial dando acesso a outro marítimo, mas num atraso estrutural e de comércio que pouco diferia das cidades do interior. Areia e Mamanguape talvez ostentassem mais prestígio em negócios, só prejudicadas depois que o trem da Great-Western as deixou fora das suas linhas de progresso.(2) A cidade das Neves não tinha calçamento nas ruas centrais, nem água encanada, nem iluminação, nem telefone, nem estrada sequer para Tambaú, praia de onde o povo fugia com medo do  impaludismo. Não sendo de admirar, portanto, que a digna consorte de Sua Excelência se recusasse a vir morar na Paraíba. Como aconteceu, igualmente, com a família de Epitácio e do presidente João Pessoa.

  

 

O NASCIMENTO DE

A UNIÃO

 

Tito Henriques da Silva, conterrâneo areiense do Presidente, é trazido da Gazeta do Sertão, o jornal famoso de Irineu Joffily que Silva gerenciava em Campina Grande, para cuidar da negociação e montagem do jornal do Partido Republicano, recém-criado.

 

 A tipografia, segundo a História de A UNIÃO, de Eduardo Martins, formou-se do espólio da velha tipografia de José Rodrigues da Costa, editora de O Publicador, mas na versão do Coronel Coutinho, em suas Memórias, foi adquirida de outro jornal, Diário da Paraíba, o Diarinho  (1884), que fisgara  o título de um outro que funcionara em 1861. Essa divergência pouco acrescenta, mas não se pode desprezar o testemunho do autor das Memórias, que viu A União nascer, integrando a primeira turma de redatores.

 

 A Paraíba era pródiga na criação de jornais. Numa lista de Coriolano de Medeiros (Almanaque da Paraíba, 1934) aparece mais de uma centena de títulos, desde o que inaugura, em 1826, o periodismo da terra (A Gazeta do Governo da Parahyba do Norte) aos jornais que A União vinha encontrar circulando na capital e no interior.

 

 Os primeiros redatores convocados: Antônio da Gama e Mello, Moreira Lima, Ivo Magno Borges da Fonseca, José Ferreira de Novais Sênior, Diogo Sobrinho, Antonio F. Baltar, João Machado da Silva, Dias Pinto e João Leopoldo Loureiro.

 

 Diz-se “convocados” porque não eram remunerados. Escreviam como participação, alguns redatores próceres da política, como o dr. Gama e Melo, deputado provincial, deputado geral, vice-presidente, tendo assumido o governo três vezes. Uma dessas vezes coincidiu com a presença do major-brigadeiro Floriano Peixoto em missão na Paraíba. Moravam na mesma rua (a General Osório), aonde traziam seus assuntos para o fim de tarde na calçada e, logo que assumiu, Floriano convidou-o para o Ministério. Admirava-o como homem culto e como político. Não foi de graça que Álvaro Machado o escolheu para compor o quadro de redatores do jornal oficial.

 

         O livro de Coutinho não perde essa passagem, reproduzindo o testemunho do chefe de oficina, Cassiano Hipólito:

Quando estava pronto o primeiro número de A União – conta Hipólito – o sr. Tito Silva deu-me ordem de ir pedir ao dr. Álvaro Machado o artigo de fundo; o que cumpri dirigindo-me a Palácio, onde ouvi do Presidente:

                            - Conhece o Dr. Gama e Mello?

                            Respondi afirmativamente.

- Pois vá a ele para receber o artigo. Ele é o redator-chefe de A União”.


         Samuel Ribeiro, que chefiava a turma da noite no meu tempo de secretaria do jornal, dizia, para me provocar: “Só acredito no seu futuro quando você chegar a redator-chefe”. Foi o cargo que a sorte ou a incompetência sempre me negou. Cheguei a diretor de segundo escalão, mas nunca pude ser redator-chefe. Era, de fato, um cargo de rigorosa seletividade, pelo qual passaram, além do doutor Gama e Mello, professor, latinista, ex-presidente do Estado; Cunha Pedrosa, magistrado; Elias Ramos, grande jornalista; Francisco Coutinho de Lima e Moura, chefe de redação e diretor; Caros Dias Fernandes; Samuel Duarte e, nos meus dias de iniciante, Sá Leitão Filho, Juarez Macedo, José Barbosa de Souza Lima, sem esquecer Wilson Madruga, intelectual de cultura literária que não ambicionou outro mérito a não ser o de jornalista, com uma elaboração de texto que servia de modelo a todos nós.   

 

         Coronel Coutinho não esquece os nomes do primitivo corpo gráfico chefiado pelo tipógrafo Cassiano Hipólito Ribeiro dos Santos. Quando entrei na revisão de A União, em 1951, ainda encontrei alguns descendestes desse primeiro time de operários gráficos. De artistas cujos trabalhos, vistos por esse ângulo, mereciam compor o museu da imprensa paraibana. 

 

Os anos famosos


         O prestigio cultural do jornal passa a ser marcante a partir do segundo mandato de Álvaro Machado, menos pela fidelidade à vida política em que os vários grupos se envolviam, como pelo nível intelectual de sua redação. Fala-se em nível intelectual por ser, na época, a grande referência, longe, muito distante ainda, do condicionamento profissional.

 

         O jornalista era arrebanhado para as redações pela qualidade do seu discurso, fosse da tribuna ou através do texto. Ingressavam nas redações, no caso de A União, por indicação e convite do governo, advogados, professores, médicos, magistrados, bastando que escrevessem ou falassem bem. E do governo fossem simpatizados ou simpatizantes.

 

         Cunha Pedrosa vangloria-se da “falange escolhida” por ele no segundo governo de Álvaro. Não há um só que não tenha virado nome de rua: Caldas Brandão, Francisco Seráfico da Nóbrega, Manuel Tavares Cavalcanti, Heráclito Cavalcanti, Ascendino Cunha, Otacílio de Albuquerque, Flávio Maroja, João de Lira Tavares, Rodrigues de Carvalho, Gonçalo Aguiar Botto de Menezes, Arthur Carvalho Rodrigues dos Anjos, Leonardo Smith. Este Leonardo, único talvez a não ser festejado com placa de rua, é, seguramente, o precursor do moderno jornalismo brasileiro na Paraíba de Carlos Dias Fernandes. Seus editoriais, seus comentários assinado por L.S.L., antecipam-se ao texto objetivo, aos vocábulos mais próximos do uso comum, escrevendo para um público de jornal e não para o Presidente ler.

 

         No tempo em que A União permanecia na Praça João Pessoa, um terço do 1º andar reservado à redação. Ainda alcancei a coleção de 1902. Era guardada a sete chaves no gabinete do diretor; as demais, presas a cadeado ao longo de uma das paredes. As de 30 já tinham roubado, recuperadas depois, em 1980, na gestão de Nathanael Alves. Foi quando Wilson Madruga me despertou o interesse pelo texto de Smith, que emigrou depois fazendo-se desembargador no Rio, aí constituindo família e falecendo.

 

         Os anos 1915/20 ocupariam um capítulo especial sob o ângulo de qualquer pesquisa política, social ou cultural. É o período em que se reúnem, num só lugar e num mesmo tempo, os nomes que projetaram a Paraíba para todo o sempre. Projeção nas letras, na política, na cultura, já que na economia essa projeção foi rápida e episódica, anotada nos primeiros anos da Colonização e, séculos depois, nos anos de 1920 e 1930, conforme os registros de Ambrósio Fernandes Brandão (1612) e Celso Mariz (1939). Na projeção cultural, mereceu o louvor de um pernambucano – o legendário Barbosa Lima Sobrinho - concessão nem sempre fácil ao orgulho pernambucano.     

 

A melhor escola de artes gráficas


         Não foi só a escola de prática literária ou redacional. Foi um centro formador de artífices gráficos. Artífices que viraram artistas, dominando a melhor técnica de produção de livros, revistas, jornais, impressos em geral.

 

         A brochurazinha mal acabada a que se refere Tristão de Ataíde quando lhe chega às mãos e examina, com um gesto de descaso, a 1ª edição de A Bagaceira, de 1928, não era mais pobre que as impressas no Rio. Em 1912, a edição carioca do EU estava muito longe do seu merecimento. Os primeiros livros de Lima Barreto não eram melhor impressos que os dos nossos poetas editados nos prelos da Maciel Pinheiro. Machado de Assis, Coelho Neto, Olavo Bilac vieram conquistar edições em nível com o seu prestigio quando editados pela Chardron, Garnier, editoras consorciadas com os livreiros de Portugal. 

 

 Semeão Leal, um editor e consultor conceituadíssimo dos anos 1950/60, no Rio, teve iniciação nas oficinas de A União. Ele e Tomaz Santa Roza, o cenarista famoso, ambos emigrados da Paraíba.

 

A História da Província da Paraíba (1912), de Maximiano Machado, e as Notas (1908), de Irineu Pinto, compostos manualmente na caixeta, com prazer voluptuoso o leitor os acaricia entre as mãos, ainda hoje. A União formou verdadeiros mestres, num aprendizado que aparece exercitado uns setenta anos antes, quando se cogitou de fundar o primeiro jornal, a Gazeta do Governo da Parahyba do Norte. No acervo de notas do livro de Irineu Pinto aparece um edital oficial convocando rapazes para aprenderem tipografia. Os primeiros alunos tinham sido formados em Recife, convertendo-se em professores depois de anos de prática. Considere-se que havia um mercado sem alternativa para a mensagem impressa. Não existia outro meio de comunicação de massa.

 

E em fevereiro de 1951, quando entro na oficina de A União, todo um quarteirão que era o prédio movimentando-se em suas máquinas e em seus homens, experimentei meu primeiro grande assombro. Se não fosse Chaplin, a alma, o filme, teria assistido a Tempos modernos como coisa já vista.

 

Aprendi a ver o impressor, o digitador de linotipo, o paginador, o chapista como senhores de uma profissão nobre. Tão nobre quanto os italianos, franceses, ingleses consideravam os Bodonis, os Cointets, os Didots e Elzeviers concorrendo na criação e fundição de suas famílias gráficas. Francisco de Assis, um linotipista de O Norte, não tinha uma polegada a menos na comparação com esses inventores. Era preciso acompanhar os cuidados especiais com que o velho Valdemar Nicolau preparava a sua Nebiolo para iniciar a impressão das encomendas. Aquele pulo de Pelé, de punhos fechados, não foi mais efusivo que o bambo como Nelson, o paginador que me assistia, achou solução para conciliar, esteticamente, a pouca matéria de uma conferência de José Américo com o muito espaço a que a rama da página nos obrigava. Fizemos um arranjo, um terço das quatro páginas em rodapé, e os dois terços acima de espaço em branco acentuando, valorizando, o título e os blocos de chamadas. Tiramos a prova, olhamos de longe, e partimos para o abraço. No outro dia, Juarez Batista levou o caderno ao autor da conferência, ninguém menos que José Américo (era um trabalho sobre Augusto) e selei, com esse bambo, uma amizade para toda a vida. A minha continua.

 

A União como pano de fundo


Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo, nascido em 1905, filho de coronel, mas cedo convertido ao fascínio do estudo e da cultura, não passou imune ao prestígio cultural de A União. Sua biografia é uma das mais ricas da galeria de intelectuais e homens públicos da Paraíba. Bacharelando-se em 1924, cedo transferiu-se para Minas, onde foi promotor e inspetor de ensino. Voltou à sua terra em 1929 para navegar contra a maré, isto é, para acompanhar os que defendiam a candidatura de Washington Luiz, combatendo a Aliança Liberal. Vai advogar no Rio e volta à Paraíba para ser prefeito de João Pessoa no governo de Argemiro. Em 1939, já se acha cursando a Universidade de Michigan, com defesa de tese. Com o fim do Estado Novo, Ingressa na política de volta à Paraíba para defender a candidatura de Eduardo Gomes. Em 1947 é eleito governador, concorrendo com outro expoente das nossas letras e da oratória, Alcides Carneiro. O que faltava em prodígios eletrônicos ganhava-se pelo encantamento da palavra. Oral ou escrita, era a matéria prima da formação de opinião.

 

 Voltando a Oswaldo: num depoimento a Capítulos da História da Paraíba, registra, irônico, ter sido “o último governador da Paraíba pobre”.  Confessa: “O confronto entre a penúria do governo estadual e os abundantes recursos de que hoje dispõe o poder público (dizia isto em 1985) revelam um grande progresso econômico, ao lado de certa mudança de mentalidade”. Se não encheu as vistas com obras físicas, deu grande impulso ao setor educacional.

 

Escola fecunda


A altura de onde descortina a história de A União, em seu livro A Paraíba na Primeira República, não podia faltar à história àquele tempo quase centenária do jornal:

Sob a direção de Carlos Dias Fernandes, A União foi uma fecunda escola de jornalismo, por onde passou quase toda a juventude intelectual do tempo. Com sua presença, o jornalismo político aprimorou-se, a polêmica tornou-se esporte predileto e o meio literário da província teve vibração até então desconhecida. Nesse período, além dos livros do próprio Carlos Fernandes, cerca de duas dezenas foram editadas, numerosos trabalhos de qualidade, dentre os quais merecem destaque: Ensaios de Filosofia e Crítica, de Alcides Bezerra; Ensaios de crítica e estética, de Álvaro de Carvalho; Metafísica versus fenomenismo, do Cônego Florentino Barbosa; Apanhados Históricos da Paraíba, de Celso Mariz; A Paraíba e seus problemas, de José Américo; Estudos Filosóficos, de Monsenhor Pedro Anísio; além de títulos encimados por Orris Soares, Manuel Tavares Cavalcanti, Irineu Ferreira Pinto, José Rodrigues de Carvalho, Coriolano de Medeiros, Ascendino Cunha, José Coelho, Ademar Vidal publicaram livros e ensaios sobre aspectos culturais, históricos e econômicos.


Esta foi a fase áurea da cultura paraibana, favorecendo o surgimento de novos valores. De nomes com presença na literatura brasileira que não havia se efetivado ainda. José Américo puxando o cordão divisado pela crítica dos anos 30 com frase que foi um marco nas letras brasileiras: “São os do Norte que vêm”. 

 

Oswaldo Trigueiro não deixou apenas o seu ilustre testemunho. Confiante no futuro do jornal, acolheu com a discrição que o caracterizava, a iniciativa de agregar ao jornal o suplemento Correio das Artes, lançado a 27 de março de 1949. Colaboraram com a apresentação gráfica, o desenho do logotipo, ilustrações e desenhos ornamentais Tomaz Santa Rosa e José Semeão Leal.

 

Outra característica de Oswaldo Trigueiro: evitar a propaganda pessoal no jornal oficial.

 

         Exemplos de antigos diretores       


Jornal do governo, sujeito às mudanças políticas, nem sempre a escolha dos seus diretores sofria essa variação. Tito Silva, um dos fundadores, permaneceria o tempo que bem desejasse se não fosse atraído pela atividade comercial. Carlos Dias Fernandes, segundo o registro de Eduardo Martins, foi diretor durante quatro governos. Claudino Moura, o gerente de 1907, veio sair em 1928. O desempenho funcional às vezes se impunha nos cargos de direção. Com o tempo, em vez de se aprimorar, esse critério foi abolido.


Não seria fácil substituir Carlos Dias Fernandes, homem forte de todos os governos. Estrela no governo de Castro Pinto. Voz forte não somente nos limites de A União, no fazer jornalístico, na liderança cultural, como nas decisões governamentais. Deve-se ao seu prestígio indisputável a reforma do edifício, a aquisição de equipamentos, a ascensão e consolidação da Imprensa Oficial como a grande editora, campeã, até hoje, da impressão de livros da Paraíba.

 

De temperamento sabidamente forte, teria de ceder o lugar ao presidente João Pessoa, mais forte ainda. E para essa sucessão difícil foi convocado um homem da paz, da harmonia, da irmandade literária, o doutor Celso Furtado, doutor honoris causa antes de existir Universidade.

 

Demorou pouco. Nos primeiros ensaios da luta política que viria se desferir, pediu o boné e foi cuidar dos seus estudos. Era um gentleman, um homem da concórdia e só por febre cultural teria integrado o time dos “jovens turcos” (3) com José Américo, Álvaro de Carvalho, Demócrito de Almeida e  Valfredo Guedes Pereira.

 

A explosão de 30


Octacílio de Queiroz, duas vezes diretor de A União, costumava dizer que 1930 foi o grande divisor de águas na história da Paraíba. Mesmo já havendo firmado presença marcante ao longo da História do Brasil, com André Vidal de Negreiros, decidindo a parada na guerra holandesa, e Epitácio Pessoa, num momento extraordinário de sua terra, chegado à Presidência da República, foi com sua participação na Revolução de 30 que a Paraíba se impôs no cenário histórico do país.

 

O jornal A União passou a referência nacional. Não media forças com O País, o grande jornal brasileiro, pelos seus limites provincianos. Mas era conhecido das redações metropolitanas, Rio e são Paulo, de redatores e leitores em todo o Nordeste, e referência especial em Belém do Pará, que atraía interesses de todo o país e até do estrangeiro ainda por conta do apogeu da borracha.

 

Porta-voz de um dos três estados que se rebelavam contra o domínio do café com leite na política brasileira, era natural que o jornal da Paraíba se convertesse em jornal de protesto nacional.

 

Com o “Nego” de João Pessoa, com as lutas internas, o jornal chegava a níveis recordes de tiragem. Conforme entrevista que Eduardo Martins consegue do Dr. Osias Gomes, diretor no período revolucionário, a tiragem registra um crescendo que vai de 10 mil exemplares, naquele tempo, a 30 mil exemplares.

 

Nós chegamos a tirar 30 mil exemplares – declara Osias Gomes – uma coisa escandalosa. Entrava papel de momento, caminhão de papel, as máquinas não paravam. A União era arrebatada nos três Estados. O sr. Diógenes Chianca comprava o jornal a 80 réis o exemplar, enchia uma baratinha, e ia vender em Recife a 5 mil reis o exemplar. O jornal era vendido até clandestinamente nos estados vizinhos, entre os inimigos. (Inimigos do governo, certamente – Nota do redator) Os demais jornais eram inexpressivos. 


 Um detalhe sumamente constrangedor nessa entrevista:

Outra coisa – lembra Osias – nem sempre o trabalho corria num mar de rosas. Durante a campanha chamada de Princesa o jornal era composto e impresso altas horas da noite com o edifício cercado por tropas do Exército, que faziam manobras, armadas de metralhadoras, arrastando-se pelo chão. Isso era desanimador para o pessoal do batente que, redatores e repórteres, davam parte de doente. (...) Mas havia o preparo bélico. Os tipógrafos dispunham de 25 carabinas Comblain e da respectiva munição. (...) No bureau do diretor, em que me assentava, estavam engavetados, a conselho de João Pessoa, alguns cartuchos de dinamite para o que desse e viesse.


A entrevista do dr. Osias Gomes está nas páginas 40/42 do livro de E. Martins, A União, Jornal e história da Paraíba.

 

A minha Universidade

José Américo, que dá grandeza à história cultural de sua terra, rico de títulos e de leituras, reputava o jornal A União como a sua Universidade: “Minha escola de jornalismo, ou melhor, de escritor”.

 

 Que pode dizer um jornalista sem escola regular, aprendendo o oficio como os tipógrafos aprendiam a manobrar o componedor ou os impressores o melhor instante de imprimir? De oitiva, vendo os outros fazerem, aprendendo com o tempo?

 

 Foi a escola que abracei. Tinha outras opções, podia seguir outra carreira sem mais sacrifício que os demais companheiros de Casa do Estudante. Mas sonhava com meu nome escrito em letra de forma, dando autoria a um poema ou a um texto daqueles de Silvino Lopes.

 

Silvino Lopes, Gilberto Freire, José Américo, José Lins, Celso Mariz, Coriolano, os cronistas do sul, os poetas de qualquer universo chegavam às rodas de leitura e de conversa da rapaziada de Alagoa Nova através de A União. O jornal chegava com o ônibus que vinha de Campina Grande, no começo da noite. Minha catequese inicial foi em Campina, mas Campina era forte de rádio, fraca de jornal. O Rebate, semanário do professor Luiz Gil, dizia pouco. Estudando em Campina, passava os olhos no Jornal do Comércio e no Diário que o Padre Odilon Pedrosa me concedia o privilégio de deixar o internato e apanhá-los na agência distribuidora. “Vá e volte em cima dos pés”. Mesmo assim dava tempo a alguma coisa. Esse “alguma coisa” que foi fermentando aos poucos e evitou que eu ingressasse noutra carreira mais rendosa.

 

         Quem encontrei           

 

Antes de entrar nas pessoas, entremos no templo. Era um templo de janelas altas, bem altas, que leituras posteriores me autorizavam a chamar de romanas. A conotação romana mais se acentuava com as colunas dóricas, excessivamente sóbrias, que ladeavam as grandes varandas abertas para a vizinhança monumental abraçando a praça cívica, mais cívica ainda depois do harmonioso conjunto monumental assinado por Umberto Cozo, em homenagem ao “Nego” de João Pessoa.

 

O diretor era Juarez da Gama Batista, sempre elegante em seu terno branco e de uma magrém que enganava a todos nós, que o imaginávamos leve e fugidio. Ledo engano: era de uma energia e de uma autoridade que faziam surpreendentes os seus instantes de cordialidade. A nós, revisores, e suponho que ao privilegiado corpo de redatores, pois uma porta vai-e-vem nos separava. Víamos tudo de nariz encostado a essa porta. Não era proibido entrar, mas nós não entrávamos.

 

E estavam lá, a partir da tarde, numa fila de máquinas encostada às paredes, os senhores redatores e repórteres. Não distinguíamos bem a diferença. Entre as duas filas, num canto e noutro do quadrilátero, os birôs de Sá Leitão Filho, secretário, e, noutro extremo, o de Wilson Madruga, redator-chefe.

                                      ***

O governo era o de José Américo. Tudo nos parecia mito, a nós que ficávamos do lado de cá da porta vai-e-vem. As ordens vinham de um chefe de gabinete do diretor, um galego engravatado com um ombro mais alto que outro, que gostava de dar ordens. De recomendar cuidado excessivo com certas matérias, principalmente as vindas do Palácio, dizem que ditadas pelo Homem. Nos fins de tarde o diretor sumia e, já à noite, ressurgia com essas ordens. Entrava e saía de seu gabinete. E lá vinha com as folhas datilografadas e emendadas diretamente para o secretário.

 

O secretário era um executivo da redação, o diretor de redação de hoje. Recebia as matérias já repassadas pelo crivo do redator-chefe. Sua função era avaliar de olho o espaço da página, escolher a tipagem e descer o texto para a composição.


Lá em baixo, seis ou sete caldeiras a 320 graus centígrados derretiam chumbo para converter esse texto em material pronto para a paginação e, afinal, a impressão.


Mantidos num pão com café até a madrugada, sentindo o odor quente do chumbo derretido que subia até à mesa de revisão, achávamos aquilo uma coisa mágica, o mesmo encantamento que sente o passarinho rendido sob o olhar ansioso da serpente.  

                                      * * *

Dez anos depois eu estava num dos lugares deixados pelo redator-chefe ou pelo secretário. A Paraíba ganhara Universidade, recebera a luz da Chesf, crescera urbanamente em sua capital e noutras cidades polarizadoras, multiplicara a rede escolar sem vencer o analfabetismo, mas apresentava um dos piores índices de desenvolvimento do Nordeste. Esses índices escandalizaram a ponto de constranger o olhar externo, estimulando um de seus filhos de prestígio acadêmico internacional a dedicar um olhar novo ao subdesenvolvimento do Nordeste. Tornara-se ele um dos grandes teóricos da ciência do desenvolvimento. Fora alvo de convocação da ONU para integrar os formuladores de planos e projetos da CEPAL.

 

E fazia o seu voluntariado na Paraíba. Conversara com o governador (Pedro Gondim), ouvira os amigos, repassara os dados mais recentes do atraso e convencera o presidente JK, um visionário, a tratar o Nordeste com estratégia que não se limitasse ao mero acúmulo de água.

 

Fomentou uma grande esperança, que terminou contrastando com a desigualdade e a pobreza cada vez mais agudas. E eclode o movimento camponês fermentado na miséria social do regime de latifúndio e do cambão das usinas.

 

Esse clima de revolta encontrava nos fazedores de A União o registro possível. Durante mais de três anos, enquanto não surgiu ordem em contrário, as páginas do jornal não deixavam em branco os fatos e pronunciamentos mais evidentes do movimento camponês. Os concorrentes estavam ligados mais diretamente aos donos das terras férteis onde as associações camponesas mais prosperaram. Sapé, núcleo central da indústria açucareira e, por consequência, das Ligas Camponesas, entrava sem problema nas pautas de A União. Ouvia lideranças que as empresas jornalísticas taxavam de bandidos.

 

Deu cobertura justa ao assassinato do líder João Pedro Teixeira, transcreveu, na íntegra, taquigrafado pelo seu diretor, jornalista Hélio Zenaide, um dos maiores discursos do nosso tempo (de todos os tempos), o discurso de Raimundo Asfora, no Ponto de Cem Reis, encarnando a comoção e o protesto daquele momento trágico da nossa política.

 

Não importa que, pouco depois, a orientação do jornal tenha mudado, tenham sido demitidos o seu diretor e boa parte do corpo redacional. Ainda que o jornal do dia fosse incinerado, o jornal da História o guardaria.

 

         É o caso de A União.   

 

 

 Jornalista, cronista e escritor, Luiz Gonzaga Rodrigues, autodidata, nascido em Alagoa Nova-PB, iniciou-se no jornalismo em A União, em 1951, como revisor. Foi secretário de Estado da Comunicação Social, presidente da Associação Paraibana de Imprensa e da Academia Paraibana de Letras e Prêmio AETC-JP de Jornalismo 2006. É Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

 

        

 

 

(1) José Maria dos Santos - Nascido a 26 de agosto de 1877, na capital paraibana, José Maria dos Santos foi um homem de notável inteligência e que soube conquistar os seus espaços na esfera cultural dos maiores centros por onde passou. Após concluir os estudos no Liceu Paraibano, ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro, cursando, posteriormente, a Escola de Ciências Políticas de Paris. Destacou-se, porém, como jornalista, cuja carreira iniciou em São Paulo como diretor de A Tarde, Tribuna Paulista e Jornal do Comércio. Fixou-se em Paris como correspondente do Estado de São Paulo. Ainda na Europa, participou da Delegação Brasileira à Conferência de Paz, em Versailles, atuando, ainda na imprensa francesa como redator de Le Figaro e redator-chefe de Le Parisien.

No Rio de Janeiro, foi redator de O País, da Gazeta de Notícias e da Folha da Manhã; em Santos, dirigiu O Diário. Mesmo com todo esse potencial, o paraibano ilustre sempre foi esquecido na sua terra natal. Somente em 1992, teve o seu nome ressaltado pelo Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IBGP), que o elevou da categoria de sócio correspondente para patrono da Cadeira nº 01 e criou a COMENDA DO MÉRITO CULTURAL "JOSÉ MARIA DOS SANTOS", para homenagear pessoas e entidades que tenham contribuído para o engrandecimento da cultura paraibana.

Em dezembro de 2000, o IHGP, sob a presidência do historiador Hugo Guimarães, prestou significativa homenagem ao ilustre conterrâneo com uma sessão magna para o lançamento da plaqueta de autoria do jornalista Luiz Gonzaga Rodrigues, editada pela A União - Superintendência de Imprensa e Editora, como parte da Série Histórica da Coleção PARAÍBA - NOMES DO SÉCULO. José Maria dos Santos faleceu em São Paulo no dia 16 de julho de 1954. Obras publicadas: A Política Geral do Brasil; Os Republicanos Paulistas e a Abolição; A Terra e os Problemas do Homem; Os Fundamentos Reais da Liberdade; Notas da História Recente; Bernardino de Campos e Partido Republicano.


Fonte(s):

http://ihgp.net/memorial2.htm

 

(2) A Estrada de Ferro Conde D’Eu - O historiador Horácio Almeida registra que “o progresso entrou na Paraíba pela linha de ferro. Por onde apitava o trem uma emoção nova nascia: a do progresso econômico, mas foi coisa de pouca monta, porque a área beneficiada era demasiado exígua”. Em 1881, foi inaugurado um trecho de 30 km ligando João Pessoa à localidade Entroncamento, em Sapé. Era a Companhia Estrada de Ferro Conde D’Eu, do Brasil Imperial, detentora da concessão.

Onde o trem chegava, a vida mudava. De Entroncamento, a estrada se bifurcava para o norte, chegando até Mulungu, em 1882, e em 1884, à Guarabira, de onde prosseguiu para Nova Cruz, no Rio Grande do Norte e daí, até Natal. Ao sul, parou em Pilar, em 1883. “Houve maior demora em fazer a ligação da capital ao porto do Cabedelo, numa extensão de apenas 18 km, realizada em 1889. Proclamada a República, os trabalhos pararam. O único trecho construído em onze anos do regime republicano foi o de Mulungu a Alagoa Grande, inaugurado em 1901, numa extensão aproximada de 25 km”. Em julho de 1901, o Governo Federal arrendou a ferrovia à empresa inglesa Great Western Railway, que construiu um ramal de Pilar a Timbaúba, em Pernambuco, e completou o trecho de Guarabira a Nova Cruz, no Rio Grande do Norte. Em 1907, o trem chegou a Campina Grande. “A estrada de ferro onde fazia ponta dava vida ao lugar. Se passava adiante, levava consigo o progresso. Itabaiana cresceu quando o trem ali chegou. Estacionou, senão decresceu, quando os trilhos se prolongaram até Campina Grande. Os lugares que ficavam marginalizados, ao longo da estrada, sem vias de acesso, como Mamanguape e Areia, caíram estagnados”.

 

Fonte:

joaopessoa.cbtu.gov.br/historia/historia_jop.htm

 

 

 

(3) Jovens turcos - Senador federal e depois presidente da república, Epitácio Pessoa tornou-se chefe absoluto no estado. Sob sua influência foram eleitos os presidentes Francisco Camilo de Holanda e Sólon Barbosa de Lucena, respectivamente para os períodos 1916-1920 e 1920-1924. Desde o governo Castro Pinto, Sólon de Lucena começara a arregimentar um grupo de moços, logo chamados "jovens turcos", para contrapor aos "goelas", isto é, aqueles que apoiavam todos os governos e se beneficiavam de todas as situações.

 

Fonte:

viagemdeferias.com/joaopessoa/paraiba/historia.php

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