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Índigena paraibano é destaque nas artes plásticas e na música

por publicado: 16/10/2016 00h05 última modificação: 15/10/2016 10h41
Divulgação Artista se especializou em reproduzir figuras indígenas, objetos bélicos históricos, além das belas paisagens de Baía da Traição

Artista se especializou em reproduzir figuras indígenas, objetos bélicos históricos, além das belas paisagens de Baía da Traição


Hilton Gouvêa

Ele nasceu Severino Pereira da Silva, um índio potiguara da Aldeia Tracoeiras, em Baía da Traição, 84 Km ao Norte de João Pessoa. Mas, ao optar pela carreira de artista plástico, simplificou sua nomenclatura para Séver, com o propósito de tornar seu nome mais compreensivo e ágil de pronunciar. Hoje, aos 58 anos, ele se autodefine como “paisagista e pintor de figuras indígenas”. Ou melhor, pode-se compará-lo a um desenhista antropomorfo, que gosta de pintar e rabiscar indivíduos humanos estilizados.

Com sangue de artista primitivo nas veias, Séver saiu de casa ainda adolescente. Foi tentar a vida no Rio de Janeiro, dividindo o tempo entre trabalhos diversos, embora o que mais lhe atraísse fosse o de pintar quadros e vendê-los, inicialmente nas feiras, depois a amigos e, posteriormente, organizando pequenas exposições. Fez várias. Os preços populares de suas artes eram o principal atrativo. Os temas, que variavam de paisagens a figuras indígenas em grupos ou individuais, aguçavam a curiosidade dos clientes.

Por levar a sério tudo que faz, Séver deve ser o único artista plástico que carrega embaixo do braço suas telas e equipamentos e pinta em qualquer praça, de qualquer lugar e qualquer país. Seu ateliê original ainda está montado na aldeia Tracoeiras, a oito quilômetros do centro de Baía da Traição, no Litoral Norte do Estado. É uma instalação simples, onde o artista também guarda teclado, maracá, flauta rústica e pandeiro, instrumentos que, de uma hora para outra, o transformam em músico e crooner de uma banda que anima os bailes das redondezas.

A música é outro talento nato

Pois é: da mesma forma que suas mãos ágeis traçam as linhas de tintas com o pincel, elas seguram a flauta ou o pandeiro e dão conta do recado. Isto sem falar que Séver também canta músicas em ritmos que lhe agradam. “Pena que não existe um ritmo indígena como a salsa ou o tango”, lamenta. Hiperrealista em algumas artes, ele demonstra essas qualidades no óleo sobre telas “Canhões do Forte”, retratando, em primeiro plano, as canhonetas quinhentistas do Forte do Tambá e, ao fundo, a enseada de Baía da Traição.

“São obras que parecem fotografias”, opina Wagner Zedinson, um norueguês entusiasmado com as pinturas de Séver, que visitou Baía da Traição no início deste ano. Em a Madonna Potyguara, o artista procura uma semelhança entre a índia que segura no colo um curumim, com os inúmeros quadros que mostram a Virgem Maria com o Menino Jesus no mesmo ângulo.

Foram trabalhos assim que o credenciaram a receber o primeiro prêmio do Concurso Internacional de Filatelia e Arte, no Rio de Janeiro, realizado recentemente.

Com seu inconfundível bigode azeviche, a camiseta branca, o calção colorido e os óculos de grau, Séver Potyguara – este é seu nome artístico completo – mais parece um professor em férias. Mas, de seu ateliê, já saíram telas para a Holanda, Suécia e Argentina, através de turistas entusiastas das belezas de Baía da Traição. Quem observa o artista pilotando uma moto, a perambular pelas 15 aldeias locais, à cata de temas para suas obras, jamais ligaria aquela simples figura à de um artista plástico que, vez por outra, exibe pinturas nos eventos especiais da UFPB e que já andou o Brasil inteiro difundindo a cultura de seus ancestrais.

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