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Retirar verba do Viaduto do Geisel é crime contra a PB, afirma Dilma

por publicado: 16/06/2016 00h05 última modificação: 16/06/2016 20h18
Exibir carrossel de imagens Divulgação/ALPB Dilma debateu o golpe contra a democracia e o momento político brasileiro

Dilma debateu o golpe contra a democracia e o momento político brasileiro


Cardoso Filho

“Eles estão praticando um crime contra a Paraíba”. Foi o que denunciou a presidente afastada Dilma Rousseff sobre o bloqueio da verba de R$ 17 milhões retirada da conta do Estado pelo Ministério das Cidades. Os recursos estavam destinados para a construção do Viaduto do Geisel. Ela lembrou que havia deixado o dinheiro pronto para ser utilizado pelo Governo da Paraíba, considerou um desrespeito e disse que isso não é uma prática republicana. “É fazer politicagem”.

A presidente afastada discursou durante 40 minutos na audiência pública promovida ontem pela Assembleia Legislativa da Paraíba, no Espaço Cultural, para falar sobre democracia e o atual momento político do país. O evento contou com as presenças de várias autoridades, entre elas os governadores Ricardo Coutinho e Wellington Dias (Piauí), deputados estaduais da Paraíba, de Pernambuco e Rio Grande do Norte, deputado federal de Pernambuco, Sílvio Costa.

A solenidade começou com o Hino Nacional executado por uma banda formado por crianças e adolescentes do Projeto Prima. A praça do povo do Espaço Cultural ficou lotada por representantes do povo, entidades de classe, agricultores que chegaram de vários recantos do estado. Um forte esquema de segurança foi montado contando com policiais militares, federais e ainda segurança privada que utilizaram detectores de metais.

Dilma Rousseff fez duras críticas ao presidente interino Michel Temer, o tratou de traidor em seu discurso e destacou a receptividade dos paraibanos. Em dado momento afirmou que “a árvore da democracia está infestada de parasitas”. “Vou ficar de olho nas obras de transposição do Rio São Francisco demonstrando preocupação com a situação hídrica de Campina Grande”, assegurou.

Dilma ainda classificou o governador Ricardo Coutinho um grande parceiro e afirmou que juntos conseguiram importantes resultados, citando a vinda de 413 médicos, através do Programa Mais Médicos, e o ingresso de 67 mil estudantes nas faculdades através do Prouni e Fies. Ainda em seu discurso, a presidente condenou o estupro de mulheres e que o processo de impeachment que sofre é um golpe.

“Processo injurioso contra o povo”

Audiência Pública foi promovida pela Assembleia Legislativa da ParaíbaA presidente chegou ao Espaço Cultural por volta das 15h40 acompanhada do governador Ricardo Coutinho. No local, a multidão gritava “Fora Temer” e “Fica Querida”. Faixas e cartazes contra o golpe e contra o presidente interino do Brasil foram espalhados ao redor da Fundação Espaço Cultural José Lins do Rego.

Um dos momentos mais emocionantes foi a homenagem que Dilma fez à lider das Ligas Camponesas, Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro Teixeira. Em seu discurso, Dilma falou da luta das mulheres acrescentando ser fundamental resistir, enfrentar e mudar. Ela foi ovacionada quando revelou que eles quiseram que renunciasse. “Eles achavam e diziam que eu era uma pessoa muito dura e estava no mundo da lua, mas eles esqueceram de dizer que a mulher brasileira é, sobretudo, firme e lutadora. É fundamental resistir, enfrentar e mudar. Nós mulheres sabemos disso. Tenho muito orgulho do apoio que tenho recebido das mulheres e sei reconhecer esse apoio e olhar a luta das mulheres deste o tempo da escravidão, as mulheres desse país resistiram a muitas lutas. Nesse momento só a força da solidariedade e toda energia que vocês me passam compensam esse sofrimento e essa injustiça”, destacou.

O governador Ricardo Coutinho iniciou seu discurso elogiando a iniciativa da Assembleia Legislativa da Paraíba ao realizar a audiência pública para discutir a democracia e o momento político do Brasil. Sobre o que considera golpe, ele afirmou que quem votou a favor do impeachment comprou gato por lebre e disse: “as pessoas estão vendo agora que foram apenas usadas para o privilégio de alguns poucos no poder.

Com duras críticas, ele falou da atitude do presidente interino Michel Temer ao retirar a verba de R$ 17 milhões para a conclusão do Viaduto do Geisel, que, segundo ele, está 60% concluído. “Escolher um Estado pequeno como a Paraíba para perseguir e retirar o dinheiro de uma obra não é um ato contra a minha pessoa, é contra o povo da Paraíba. É uma pessoa que não teve um único voto legítimo e está governando o Brasil, num processo injurioso contra o povo”, afirmou.

Ele tratou como mesquinharia a decisão de Temer em barrar os deslocamentos de Dilma pelo Brasil em avião da FAB. Segundo o governador, Dilma havia lhe dito “vou à Paraíba nem que seja a cavalo, mas vou chegar aí’. E considerou a vinda da presidente como uma data histórica para a política da Paraíba.

Falando antes de Dilma Rousseff, Ricardo disse que a presidente é a responsável pela obra de transposição do São Francisco. E disse que as cidades da Paraíba não podem ficar sem abastecimento, pois 90% já está pronta e não pode parar. Ele ressaltou ainda que a pequena elite brasileira jamais aceitou que Brasília pudesse ter mulheres guerreiras, negros, militantes LGBT, entre tantos. “Brasília hoje mudou a sociologia de poder”, disse, e foi ovacionado pelo público, que proferia as palavras de ordem: “Ricardo, guerreiro, do povo brasileiro!”.

Presidente Dilma Rousseff recebeu diversas homenagens dos participantesGaldino ressalta momento histórico

O deputado Adriano Galdino, presidente da Assembleia Legislativa, disse que a presença de Dilma “no nosso estado é um grande momento para a mulher paraibana”. E ressaltou que aquela sessão especial é a defesa do estado democrático de direito.

“A partir da Paraíba nós queremos que Dilma continue a presidente porque ela foi eleita”, disse.

Jeová Campos, deputado responsável pela audiência pública, falou pouco e preferiu entregar a Dilma um convite para ir até São José de Pìranhas e Cajazeiras e conhecer três grandes barragens e outras obras importantes e inaugurar, para que “não sejam entregues por golpistas”.

A deputada Estela Bezerra tratou como golpe o que vem sendo praticado atualmente no Brasil. Ela citou a supressão de ministérios, de secretarias responsaveis pelos direitos dos trabalhadores, dos agricultores e ainda a supressão de direitos políticos. A parlamentar concluiu dizendo que Dilma é uma mulher de coração valente.

Moradora do assentamento Santa Helena, em Cruz do Espírito Santo, a agricultora Ana Celli foi ao Espaço Cultural acompanhada do pai, mãe, filho e outros parentes. O mesmo fez a presidente daquele assentamento, Célia Maria da Silva. As duas disseram que estavam muito felizes em conhecer a presidente, enquanto que aquele era um momento gratificante, pois foram os governos Lula e Dilma que ajudaram os mais necessitados, dando condições de trabalho e educação, com alunos da zona rural tendo condições de frequentar a universidade.

Lúcia Madruga, representante da Frente Brasil Popular, falou das conquistas sociais e dos trabalhadores durante os governos Lula e Dilma e se emocionou quando disse que já havia passado dificuldades e que no governo Dilma conseguiu uma casa própria, através do Programa Minha Casa, Minha Vida, e agradeceu por seu filho, que estuda graças ao Prouni.

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