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Macacos me mordam!


Martinho Moreira Franco

Fiquei com cara de banana quando vi esta semana o título de assustadora notícia no portal UOL: “Bananas correm risco de extinção”. Ainda mais ao ler o seguinte na abertura da matéria: “O mundo enfrenta uma ameaça que pode provocar, segundo especialistas, a extinção da variedade mais comum da banana, a Cavendish (no Brasil, banana d’água e/ou nanica). E talvez da fruta em todas as suas espécies.”

Já bastaria a ameaça que paira sobre a Cavendish, mas esse “talvez da fruta em todas as suas espécies” é que me deixou particularmente assustado. Claro. “Todas as suas espécies” incluem a banana prata, a ouro, a maçã, a comprida (banana de cozinhar) e outras que estudiosos catalogam conforme denominações que recebem nos mais diversos países onde são cultivadas desde tempos imemoriais. E que estão plantadas na memória de gerações criadas sob o signo dessa fruta.

Não vou discorrer sobre as origens da banana, muito menos pormenorizar o noticiário sobre a sua possível extinção, mas algumas perguntas começam a não querer calar. Por exemplo: extinta a banana, como ficaria a expressão “preço de banana”, muito utilizada quando se faz referência a uma pechincha qualquer? (tudo bem, caiu em desuso com a disparada do preço do produto no mercado, mas o dito popular se mantém).

E como as futuras gerações entenderiam o significado de “dar uma banana”? - atribuo o gesto à insinuação fálica do fruto, mas essa é outra história. E a expressão “República de Bananas?”, inspiradora de um dos clássicos de Woody Allen, como seria entendida? E tantas outras expressões consagradas, no Brasil, como a já citada “cara de (um) banana”, que se refere ao sujeito babaca, apatetado, abobalhado?

Outra coisa: com a extinção (que implica, necessariamente, o desaparecimento da bananeira), como farão os adolescentes rurais quando a libido apertar e não houver no quintal um tronco para furar e chamar de seu? Ficarão na mão, certamente. E as adolescentes, como poderão fazer adivinhação, na noite do santo casamenteiro, se não mais haverá bananeira onde enfiar a faca? (“Danei a faca no tronco da bananeira/Não gostei da brincadeira/ Santo Antônio me enganou.../”. Sem contar que no Carnaval não mais fará sentido cantarolar a marchinha “Foi numa casca de banana que eu pisei...”

Só mais uma questão, pra encerrar: a esta altura da ameaça noticiada pelo UOL, com que cara estarão Ramalho Leite, Afrânio Bezerra e outros bananeirenses ilustres, além de condôminos como Carlos Candeia, Roberto de Luna Freire e outros donos de chalés em Bananeiras? Sabe-se lá se o nome da cidade será também extinto! Enquanto isso, vou cantarolando a adaptação carnavalesca da canção folclórica jamaicana “Banana Boat Song/Day O” (Harry Belafonte, lembram?): “Eu não sou macaco/ Mas eu gosto de banana/ Ê-ê-ê, ê-ê-á/ Eu não sou moenda/ Mas eu gosto de uma cana/ Deixa quem quiser falar...”

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