Localizada na orla do Cabo Branco, em João Pessoa, a Fundação Casa de José Américo (FCJA) completou 45 anos, em dezembro de 2025, enquanto instituição. Presidente desde dezembro de 2019, o jornalista e escritor Fernando Moura avalia as potencialidades institucionais da entidade. “Gerir uma instituição como a Fundação Casa de José Américo é uma missão de extrema responsabilidade. Exige compromisso com a história e com o patrimônio público, material e imaterial. Trata-se de uma instituição incumbida de salvaguardar o legado de um homem das letras e da história”.
Para Moura, a FCJA é “a guardiã da memória, da tradição, do valor, do exemplo, da influência, da contribuição, da marca, do saber, da cultura, da lição, dos princípios e do conhecimento de uma das principais personagens da vida contemporânea da Paraíba e do Brasil”.

- Local preserva o mesmo terraço em que o autor de A bagaceira recebia amigos, intelectuais, populares e autoridades | Foto: Arquivo A União
Com toda a sua riqueza histórica e cultural que iremos listar mais adiante, o jornalista e escritor aponta que, na prática, a fundação é o cofre dos legados de José Américo. “Legados histórico, político, administrativo e literário. A FCJA é uma caixa-forte onde estão preservados os acervos de um homem que, já na década de 1930, nutria uma visão de futuro. Ele guardou seu acervo a vida inteira. E, com base nesse material preservado, é que surgiu o museu, sob a tutela de uma fundação. Tudo que fazemos hoje, na fundação, tem um laço com José Américo”.
Fernando Mouro completa: “Zé Américo é um homem para ser estudado permanentemente. E o papel da fundação que leva seu nome é fazer esse estudo e abrir para que as pessoas tenham acesso a esses dois milhões e meio de documentos existentes aqui. Nossa responsabilidade é enorme”, frisa o presidente.
Potencialidades turístico-culturais
Ao longo do tempo, suas potencialidades transformaram a instituição num importante centro histórico, artístico-cultural e de lazer, proporcionando a visitação às suas diversas unidades culturais e o acesso à pesquisa. Com localização privilegiada, na orla do Cabo Branco, precisamente entre o mar e a Mata Atlântica, todo cenário ao redor serviu de inspiração ao seu patrono-escritor, o que se soma à riqueza de suas dependências interiores. Além disso, permite aos visitantes contemplarem todo potencial de beleza natural em seu entorno.
Museu Casa de José Américo
Cartão de visita, foi nessa casa onde José Américo viveu as três décadas finais de sua vida (faleceu aos 93 anos). A morada preserva a sua originalidade, abrigando mobiliário original da época, obras de arte, objetos de uso pessoal, comendas, biblioteca e arquivo fotográfico.
Dentre os atrativos, uma estátua de corpo inteiro de José Américo veste o fardão, empunhando a espada da Academia Brasileira de Letras (ABL). O terraço conta com as mesmas cadeiras com as quais José Américo recebia amigos, intelectuais, jornalistas, populares e autoridades.
Mausoléu
O monumento, que guarda os restos mortais de José Américo e da sua esposa, dona Alice, é um outro cartão de visita da fundação.
Projeto do arquiteto indiano Bahram Khorramchachi, está instalado no pomar. O monumento mede 11 m de comprimento por 7 m de largura, com 55 cm de profundidade. Destaca-se da base triangular um obelisco, com escultura em bronze da face do escritor José Américo. O espelho d´água simboliza a luta de José Américo contra a seca, retratada em suas obras e na sua atuação política.
Retrata também o seu profundo amor pela Paraíba e a devoção à sua esposa. Os epitáfios presentes no monumento expressam esses sentimentos: “Minha Paraíba amada: vi tantas coisas grandes e mesquinhas, vi o bem e o mal, vi ascensões e vi abismos. Agora, só quero ver-te a ti. Só quero o regaço maternal que será, depois de tantas lutas, o meu final e doce repouso”.
Arquivo e documentação
Reúne milhares de documentos da vida privada de governadores, escritores, intelectuais e políticos paraibanos. O local desenvolve projetos de pesquisas em torno da vida e obra de José Américo, em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq-PB).
Biblioteca Durmeval Trigueiro Mendes
Dispõe de um acervo estimado em mais de 50 mil títulos: enciclopédias, dicionários, coleções especiais, obras raras, periódicos e plaquetes das diversas áreas do conhecimento humano. Dispõe de diversos livros doados à instituição.
Hemeroteca
A coleção de periódicos guarda a memória da imprensa paraibana e nacional. O espaço de pesquisa conta com coleções de diversos jornais de circulação no estado e de alguns países. Há também edições raras como: Diário Oficial do Império do Brasil (ano de 1868) e partes de O Libertador (ano de 1896).
Memorial da Democracia da Paraíba
Depositário dos documentos da Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória.
Núcleo de Estudos Arqueológicos
Abriga pesquisas e reservas técnicas de coleções arqueológicas, advindas de pesquisas realizadas na Paraíba.
Acesso Cidadão
Projeto tem como objetivo promover a inclusão social e permitir a acessibilidade às pessoas com deficiências ou mobilidades reduzidas, com atividades simultâneas de esporte, cultura e lazer.
Cineclube O Homem de Areia
Oferece exibições cinematográficas, seguidas de comentários com especialistas e debates com o público. Acontece todas as primeiras quartas-feiras do mês, em sessão única e com entrada gratuita.
Unidade Tambaú
Inaugurada no dia 28 de março de 2025, marca uma nova página na história da FCJA, com a sua primeira unidade externa. O novo equipamento está localizado à Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, 122, no bairro de Tambaú.
O objetivo da expansão física é acomodar os acervos existentes e os que chegam, para atender pesquisadores. Outro aspecto é incentivar o acesso mais lúdico e interativo dos seus serviços. Entre as atrações, estão a GibiZeca e a Cordelteca, além dos acervos de Simeão Leal, negativos fotográficos do Palácio da Redenção e também outros acontecimentos históricos.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de março de 2026.