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Festcine Copaoba

A nave que nunca pousa vence o festival

publicado: 29/04/2026 09h00, última modificação: 29/04/2026 09h00
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A atriz Ingrid Trigueiro recebeu homenagem no evento realizado na cidade de Serra da Raiz | Foto: Vitória Sanz/Divulgação

por Alexandre Macedo (Especial para A União)*

Serra que não tem fim. Esse é um dos significados de “Copaoba”, título do festival de cinema Festcine Copaoba, que movimentou a cidade de Serra da Raiz durante os dias 23, 24 e 25 de abril, com exibições de filmes, rodas de diálogos, oficinas e shows musicais com Seu Pereira e Coletivo 401 e Totonho. As exibições dos curtas- -metragens aconteceram numa tenda instalada em frente à Praça Iniguaçu, no Centro da cidade brejeira. Na abertura do evento, houve a exibição do filme convidado A fome de Lázaro, um documentário com 17 minutos de duração, que tem direção do realizador paraibano Diego Benevides.

Sobre a escolha do nome do festival, o idealizador Fernando Abreu explicou. “O antigo nome de Serra da Raiz era ‘Serra da Copaoba’ e existe um projeto para que este seja resgatado, porque aqui era uma terra indígena e foram eles que nomearam, e o nosso intuito é a valorização e o reconhecimento da história pela população”.

A iniciativa contou com a participação de moradores da cidade e região circunvizinha, que puderam desfrutar de uma programação cultural gratuita em espaços de convergência social da cidade. No alto da serra, na casa Pau D’arco, a roda de conversa “15 anos do Laboratório Jabre: estética, linguagem e condições de produção do cinema interiorano”, sob facilitação do cineasta Torquato Joel e, na casa Jenipapo, o debate “Mulheres no cinema da Paraíba”, coordenado pelas próprias realizadoras. Também aconteceu uma oficina de dança contemporânea, com apoio do Centro Estadual de Arte (Cearte-PB). O resultado da oficina artística foi apresentado no último dia do evento e contou um público muito siginificativo.

Na mostra competitiva, foram premiados os curtas-metragens A nave que nunca pousa (Ellen Morais), como Melhor Filme; Pupá (Osani), Melhor Direção; Ressonância (Anna Zêpa), Melhor Atuação, de Soia Lira; Recife tem um coração (Rodrigo Sena e Wallace Santos), Melhor Montagem; A nave que nunca pousa (Janaina Lacerda e Romero Coelho), Melhor Som; Tempo de vaqueiro (Ramon Batista), Melhor Fotografia, para Breno César; e Pedra mar (Janaina Lacerda), Melhor Direção de Arte, para Lucas Mendes. O Melhor Roteiro foi para O cravo (Renan Amaral), e o Júri Popular escolheu Ressonância (Anna Zêpa). O Festcine Copaoba também homenageou Ingrid Trigueiro, Toinha e os amigos do festival, Laura Moreno e Josenildo Fernandes.

Sobre a homenagem, a atriz Ingrid Trigueiro admitiu: “Ser homenageada no Festicine Copaoba me deixa muito feliz. É uma honra e uma alegria muito grande ter o reconhecimento da nossa trajetória no audiovisual realizado neste festival”. E acrescentou sobre o evento: “Em sua terceira edição, o Festicine já faz tanto. Difunde o audiovisual de diferentes maneiras, com oficinas, debates, exibições, onde o público tem total acesso e pode conhecer e prestigiar o que está sendo produzido na Paraíba e no Brasil. Isso é de uma riqueza imensa, poder dar oportunidade às pessoas apreciarem e valorizarem o cinema e sua potencialidade”.

Fernando Abreu também avaliou a terceira edição do Festicine Copaoba. “Foi um grande desafio, mas conseguimos chegar até o final de uma forma muito positiva, com os resultados esperados e foi até além das nossas expectativas, e isso é enriquecedor porque nos dá motivação para realizar o próximo festival, no ano que vem”, concluiu.

O projeto foi realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab) — Ciclo 2, com apoio da Secretaria de Cultura e parceria do Cearte na realização das oficinas formativas.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 29 de abril de 2026.