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Em João Pessoa, entram em cartaz as exposições ‘Anamnese’, de Vanessa Dias, e ‘Vultus’, de Davi Queiroz

Artes visuais: mostras estreiam na Usina Energisa

publicado: 16/06/2022 09h27, última modificação: 16/06/2022 09h27
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Foto: Divulgação

Hoje estreiam individuais simultâneas na Usina Energisa, em João Pessoa: Anamnese, da artista Vanessa Dias, e Vultus, do artista Davi Queiroz tem vernissage a partir das 19h. Ambos foram selecionados no Edital de Ocupação da instituição de 2019-2020.

Com curadoria de Dyógenes Chaves, as mostras reúnem um total de 35 obras, entre pinturas, desenhos e objetos, todas produzidas entre os anos de 2018 e 2022. As exposições gratuitas ficam em cartaz até o dia 16 de julho.

“O conceito da exposição Vultus foi construir a narrativa dentro da fragmentação que foi trazida pela pandemia da Covid-19, que foi um black out para o ser humano, pois não esperava por isso”, explica Davi Queiroz. “Quando falo fragmentação, eu me refiro ao fato de que o ser humano, diante da surpresa causada pela pandemia, teve que passar a ser afetuoso, quando não era, não tinha objetivos e teve de definir metas”.

Para a questão da crise existencial do ser humano presente em Vultus, Davi Queiroz fundamentou nos ensinamentos de Santo Agostinho e em um filósofo um mais contemporâneo, que é o polonês Bauman, que morreu em 2017. Bauman desenvolveu a Teoria da Sociedade Líquida, na qual avalia que as relações das pessoas são efêmeras. A grafia sugere a fragmentação do ser humano, onde os órgãos dos sentidos se misturam, mostrando a sua vulnerabilidade”, aponta o artista visual de João Pessoa, ceramista da Casa do Artesão e que, em seu atelier, ministra oficinas de desenho, pintura e escultura.

Já Anamnese, Vanessa Dias conta em seu texto de apresentação que os objetos fazem parte de uma nova fase de produção, em que ela se afasta das formas de contorno e da forma de uso da linha no sentido formal para adentrar em novas maneiras de representação do feminino, nas palavras da artista.

“Eu me inspiro em histórias de outras pessoas que, misturadas aos meus fragmentos se desenrolam em objetos onde posso representar não só uma, mas várias mulheres”, apontou Dias. “Nessa fase, faço o caminho inverso, o que antes se fazia de fora para dentro, agora parte de dentro de mim para representar nos objetos que produzo, um devir – obra de mim, busco fragmentos internos costurados em uma trama de maneira processual”.

Segundo ela, o projeto vai para além da busca excessiva pela perda da forma normativa da linha, tratando de uma verdadeira obsessão pelo embrulho de fragmentos e da memória. “Nesses novos caminhos, me interessam os processos, os fragmentos, quase sempre descartados afim de um produto final. Fragmentos esses, concretos e não concretos. Parto para um mergulho na memória, materiais, estudos de formas de linguagem, vísceras de minhas lembranças vividas que constroem meus processos artísticos”, explicou Vanessa Dias, que é natural de Guarabira e reside atualmente em João Pessoa.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa de 16 de junho de 2022