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publicado: 27/03/2025 09h29, última modificação: 27/03/2025 09h31
Maria lança hoje, nas plataformas digitais, o disco Luminosa e comenta cada faixa para A União
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Cantora vai apresentar as músicas em show na semana que vem | Foto: Gi Ismael/Divulgação

por Esmejoano Lincol*

Foto: Gi Ismael/Divulgação

Tudo começou com uma conversa sobre sonhos: há alguns meses, a cantora pessoense Maria compartilhou seus anseios de vida com a amiga e diretora artística Joyce Barbosa. No caminho de volta para casa, ela recebeu, por inspiração divina, talvez, a melodia de “Luminosa” — música-gênese e nome do seu primeiro álbum solo, que chega hoje às plataformas digitais. No embalo dessa estreia, a artista anuncia, para o dia 4, às 19h, o show que celebrará essa nova etapa de sua carreira, ao lado da pernambucana Flaira Ferro: será no Teatro Paulo Pontes, situado no Espaço Cultural, na capital. Os ingressos estão disponíveis no site Sympla. Em conversa com A União, Maria comentou Luminosa faixa a faixa, com carinho e orgulho.

  • “Luminosa

“Quero cantar as minhas músicas / A minha forma de amar / Quero falar tudo que eu sinto / o que eu sinto aqui dentro”. A guitarra de Lucas Gaião e os versos que abrem a música anunciam as intenções de Maria com o novo trabalho. “O nome ‘Luminosa veio nesse intuito de mostrar que há uma luz dentro da gente, a partir dos nossos próprios sonhos, e que nos ajuda a materializá-los. Vivemos de propósito, da nossa missão. E a minha missão é cantar. O disco fala sobre isso, inclusive, sobre cantar, sobre ser artista. E sobre colocar as minhas canções no mundo”, pontua.

  • “Ancestral”

“Na força do sagrado ventre / Honrar pai e mãe pela semente / mas não se curvar as opressões”. Falar sobre suas origens e o impacto delas na sua é um tópico importante para a artista: adotada quando criança, Maria busca remontar seu passado biológico, sem deixar de refletir sobre o que viveu. “É sobre essa ancestralidade que eu sinto, mas que eu não conheço, o cantar que carrega toda essa força das mulheres e dos homens, dos parentes que vieram antes de mim, e que, de alguma forma, está impressa na minha voz. Todas essas origens acompanham a minha voz e estão em todo o álbum”, assinala.

  • “Sentido”

“Enxergar além dos olhos / Escolher lidar com a culpa / Saborear o estranho ser que habita em ti / Redefinir o caminho a seguir”. Escrita a quatro mãos pelas paraibanas Isis Queiroga e Naomi Barroso, conta com as vozes de Glaucia Lima, Vó Mera e Suzy Lopes. “Quando eu estava montando o setlist, escolhendo as faixas para o disco, essa canção retornou na minha cabeça. Eu senti que ela tinha que estar no Luminosa, porque tem tudo a ver com ele: fala sobre o invisível que faz as coisas acontecerem, algo que acredito muito. Fiquei muito feliz quando as meninas autorizaram essa gravação”, declara.

  • “Partida”

“Eu te deixo ir / o amor morreu / tenho que partir / não é nada seu / Só eu, sou eu / fui eu que aprendi a me olhar / Só eu, sou eu / Fui eu que aprendi a me amar”. Concebida como uma ode ao desapego e ao recomeço, após o fim de um relacionamento, inspirada pelas próprias experiências de Maria. “Olhei para essa letra e pensei: ‘Está faltando alguma coisa’. E de imediato eu pensei em Guga Limeira. Ele é um amigo muito querido, um parceiro desses anos todos de estrada, além de ser um grande incentivador do meu trabalho. Encaminhei a letra para ele, para finalizarmos juntos, e assim nasceu ‘Partida’”, informa.

  • “Casa-cabeça-coração”

“A minha casa tem pé e tem mão / A minha casa, fé e oração / A minha casa, meu pulmão e meu cantar / A minha casa é aqui, todo lugar”. Composta em parceria com Joyce Barbosa. Ao falar sobre identidade, a cantora remonta a mudança mais importante na sua carreira: batizada como Maria Alice, nome que usou como cantora até o ano passado, assina agora apenas como Maria. “Essa música é sobre isso, sim, pertencimento, no sentido de saber quem eu sou, e que faço parte desse mundo, de que eu mereço estar nele, tanto quanto qualquer outra pessoa. Essa faixa dialoga com a minha história”, assinala.

  • “Néctar”

“Conectar com néctar da vida / Acreditar no teu profundo sonho / Esperança no passo de partida / Cantar, cantar, cantar teus oceanos”. Ao falar, aqui, de sua própria essência, a intérprete busca não esquecer daquilo que está no seu cerne, apesar das mudanças. “Mantive a minha paixão pela música e a certeza de ser cantora, quando eu disse para mim  mesma, aos nove anos de idade, que eu seria cantora. Eu adoro o meu nome de batismo, Maria Alice, mas eu acho que, quando a gente assume o que a gente mais gosta, começa a ver o restante do mundo também com outros olhos — mais atentos, maduros”, diz.

  • “Pressa”

“A tua pressa cega teu passo / Não sobra espaço pra criação / Do imaginário fogo latente / Só na tua mente há perfeição”. Dueto com a cantora Ylana, de Pernambuco, acompanhadas por quarteto de cordas: Mayra Brito, Rayssa Claudino, Ana Rosa e Letícia Carvalho. De onde vem sua pressa, Maria? “Eu tenho muita energia e pressa de fazer as coisas. Gosto de fazer tudo ao mesmo tempo. Mas, quando a gente quer muito uma coisa, às vezes se atropela nessa ‘corrida’ e não aproveita o processo, esbarra na ansiedade. Então ‘Pressa’ acaba sendo um recado para mim mesma: mais importante do que a chegada é o caminho”, assevera.

  • “Videopoema”

“Vídeo pra sentir saudade / foto pra lembrar presença / Cheiro pra acordar lembrança / som pra despertar vontade”. Nessa letra, Maria explora, além da música, outras linguagens para falar de afeto — das mais ancestrais às mais modernas. “Fiz teatro também e sou uma entusiasta de todas as artes. Mas, no dia a dia, eu costumo recorrer também à poesia, à pintura, à dança — esta última foi minha primeira linguagem artística, pela qual mantenho muito apreço. Todas elas são parte do meu cotidiano, tanto na vida prática, de modo geral, quanto nos shows”, garante.

  • “FomefamaFome”

“Você quer que eu me forme em medicina, seja advogada, engenheira / Mas na verdade não é isso que eu quero”. Espremida, no título, entre duas menções à “fome”, a “fama” não é objetivo principal de Maria: ela busca, em vez disso, reconhecimento. “Quando a gente decide seguir sendo artista, é por fome — de criar, de revolucionar, de transformar as realidades, de fazer esse mundo melhor. O reconhecimento desse trabalho é consequência dele próprio, do que a gente coloca no mundo. Eu almejo ter cada dia mais fome de fazer o que eu faço, porque é isso que me impulsiona para a frente”, atesta.

  • “Besta-fera”

“Canto para todas elas / cis, trans, bi, as ‘sapatão’ / O machismo é um escroto, para ele grito ‘Não’”. Aqui, Maria divide os vocais com a também paraibana Sandra Belê, em letra que fala sobre como a mulher deve superar expectativas sobre ser frágil e submissa, assumindo a postura de “fera”. “Quando quis dividir essa canção com alguém, quis que fosse uma mulher como Sandra, que está à frente das nossas pautas feministas. Ela fala disso nos seus trabalhos e tem uma presença física e simbólica muito marcante na arte paraibana e nordestina. Ela é incrível e é, sim, uma ‘besta-fera’ total”, define.

  • “Bicho coletivo”

“Amor é um bicho que se amplifica, multiplica, fica / Só recebe quem se abre, só dá quem se liberta e não se aperta”. Fechando o disco, Maria traz a participação de Flaira Ferro, pernambucana com quem dividirá o palco na semana que vem. “Eu acho que, além do amor, a arte e o sonho deveriam ser, cada vez mais, coletivos. Esse disco só foi possível porque eu o sonhei com outras pessoas — ele existe graças a uma campanha de financiamento coletivo, inclusive. Quando a gente faz coisas assim, juntos, conseguimos chegar muito longe. A gente não é muita coisa sozinho, não”, conclui. 

Clique aqui e acesse o site para ouvir o disco

 *Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de março de 2025.