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Concerto narra tragédia de Carmen

publicado: 27/05/2026 09h26, última modificação: 27/05/2026 09h26
A Orquestra Sinfônica da Paraíba e o Coro Sinfônico apresentam hoje, no Pedra do Reino, a ópera de Bizet
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Foto: César Matos/Divulgação

por Esmejoano Lincol*

Estreando a série que homenageia o maestro cearense Eleazar de Carvalho, a Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB) une-se ao Coro Sinfônico da Paraíba e apresenta, gratuitamente, Carmen, do francês Georges Bizet, para o público da capital: nesta ópera, a protagonista comete desatinos para conquistar os homens que deseja, enquanto eles mesmos também caem em desgraça. Juntam-se aos grupos os solistas Karla Teodósio, Júlia Ess, Estêvão Batista, Iuri Neery e Lucas Barreto. O evento acontece hoje, a partir das 20h30, no Teatro Pedra do Reino, no Centro de Convenções de João Pessoa (Polo Turístico Cabo Branco).

A história da cigana Carmen (Ilustração de Gaston Vuillier), musicada por Georges Bizet, será interpretada pela Sinfônica da Paraíba

A OSPB está sob a regência de Gustavo de Paco de Gea ao passo que o coro entra sob o comando de Daniel Berg. Este destaca que um dos diferenciais de Carmen é a união entre a sofisticação musical das faixas e um enorme poder de comunicação com platéias de todo o mundo, mediante a sua carga dramática. “A música de Bizet possui uma extraordinária capacidade de construir identidade emocional: cada personagem parece respirar musicalmente, possuir uma voz própria, uma psicologia sonora muito clara. Do ponto de vista artístico, há méritos incontestáveis na escrita orquestral, nessa riqueza melódica”, explica.

Os ensaios foram realizados em conjunto com instrumentistas e cantores. Daniel sinaliza que nessa obra de Bizet o coro não é um elemento acessório, ao contrário: o conjunto de vozes é, segundo o maestro, um “personagem coletivo”, que amplia as tensões e cometa, silenciosamente, a intricada trama. “Há um aspecto especialmente significativo nesta produção: duas intérpretes, Karla Teodósio, no papel de Carmen, e Julia Ess, como Micaëla, possuem uma história afetiva e artística com o nosso grupo, tendo atuado anteriormente tanto como coristas quanto como solistas. Isso cria uma conexão muito orgânica”, assevera.

Ao longo dos anos, o Coro Sinfônico da Paraíba trouxe a público outras óperas tão populares quanto Carmen. Daniel Berg cita alguns exemplos: A flauta mágica, de Wolfgang Amadeus Mozart; Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo; Cavalleria rusticana, de Pietro Mascagni; O barbeiro de Sevilha, de Gioachino Rossini; e Aida, de Giuseppe Verdi.  “Reapresentar importantes trechos dessa nova ópera é motivo de grande alegria, sobretudo pela oportunidade de compartilhar com o público uma obra que continua emocionando diferentes gerações, preservando sua força artística e sua impressionante atualidade”, conclui.

Composta no século 19, Carmen foi a última ópera de Bizet, cuja estréia deu-se em Paris, no ano de 1875. O trágico triângulo amoroso entre a cigana, o militar Dom José e o toureiro Escamillo foi duramente criticado neste lançamento, alcançando aclamação apenas anos depois. Uma das primeiras apresentações da peça do Brasil data de 1881, numa montagem da companhia francesa de Maurice Grau. Em 1987, o texto ganhou adaptação para o formato de telenovela, por meio da autora Glória Perez: a anti-heroína, defendida pela atriz Lucélia Santos, oferecia sua alma à Pombajira em troca de enfeitiçar quaisquer homens.  

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de maio de 2026.