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Doc conta a vida de Jackson

publicado: 06/01/2026 08h57, última modificação: 06/01/2026 08h57
Documentário sobre o Rei do Ritmo será exibido amanhã, no Sesc Cabo Branco, em sessão do cineclube da Fundação Casa de José Américo
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A trajetória de Jackson do Pandeiro é contada em detalhes no longa-metragem dirigido por Marcus Vilar e Cacá Teixeira | Foto: Heleno Bernardo

por Emerson da Cunha*

Ainda adolescente, passando por apertos financeiros após a morte do pai, José Gomes Filho, ao lado da mãe e das irmãs, faria o êxodo de Alagoa Grande até Campina Grande. Lá, trabalhando com serviços gerais, mas carregando o gosto pelos ritmos tradicionais nordestinos, tornaria-se Jack do Pandeiro, como referência aos personagens de filmes de faroeste. Foi apenas quando mudou-se para Recife que ganhou sua alcunha final: Jackson do Pandeiro. É fazendo o trajeto dos passos iniciais até ganhar os palcos em cidades como Rio de Janeiro e Brasília que é conduzido o documentário Jackson – Na Batida do Pandeiro, que será exibido nesta quarta-feira (7), às 19h, no Cineclube O Homem de Areia, da Fundação Casa de José Américo (FCJA). A sessão no Sesc Cabo Branco, no bairro de mesmo nome.

O documentário, com direção de Marcus Vilar e Cacá Teixeira e produção de Heleno Bernardo, aborda depoimentos de colegas de profissão, imagens de arquivo com suas participações na TV e no rádio, alem de passagens conturbadas e polêmicas, seguindo até sua morte em 1982. O filme foi lançado em 2019, ano do centenário de aniversário de Jackson, e tem rodado festivais, sem ter estreado no circuito. A previsão é que últimas questões de direitos autorais sejam resolvidas para então o filme seguir o percurso comercial.

“Eu sempre gosto de dizer que quem conhece Jackson vai continuar gostando mais ainda, e quem não conhece vai começar a gostar. Jackson fazia parte da minha trilha sonora de adolescência, eu nasci em Campina Grande, perto do Parque do Povo. Ouvia muito Jackson, nunca imaginei que iria trabalhar com cinema e muito menos que iria fazer um documentário sobre Jackson um tempo depois”, explica Vilar.

Segundo ele, a tentativa foi de que cada cidade pudesse ser apresentada com uma espécie de curta-metragem do local. “A gente gravou com pessoas que foram fundamentais e que tiveram influências dele, como Genival Lacerda e Biliu de Campina”, explica. “Aí seguindo mais para frente, a gente vai para Gilberto Gil, Alceu Valença, Gal Costa, João Bosco, Hermeto Pascoal, Zeca Pagodinho, e a turma da nova geração, que é o João Cavalcanti e Pedro Luiz e a Parede também”.

Segundo a coordenadora do cineclube, Fátima Farias, a escolha do filme como o primeiro do ano coaduna com a exposição Jackson do Pandeiro – É Ritmo, É Raiz, É Paraíba, com 20 artistas, e que está montada na unidade Tambaú da Fundação Casa de José Américo até o final de janeiro. A mostra apresenta um conjunto de painéis com biografia, discografia, fotografias, depoimentos, notícias e registros de mídia. “A diretoria decidiu abrir o ano com um filme paraibano, um personagem paraibano e diretores paraibanos coincidindo com essa avalanche de muita gente de fora da cidade ter acesso a ver um filme assim de uma personalidade nacional como foi Jackson”, explica Farias.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de janeiro de 2026.