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Documentário sobre Ariano é exibido na Itália

publicado: 09/06/2026 09h04, última modificação: 09/06/2026 09h04
A pedra do reino e o Sertão de dom Pantero participa de festival na Europa
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Ariano e a esposa Zélia em cena do documentário de Manuel Dantas Vilar | Foto: Divulgação

por Daniel Abath*

Rodado na Paraíba e baseado na obra-prima do escritor Ariano Suassuna, o documentário A pedra do reino e o Sertão de dom Pantero (2025, 60 min) participou do Arara Azul Brazilian Film Festival, na cidade italiana de Prato, dos dias 28 a 31 de maio. Propondo revisitar a geografia dos lugares que tanto influenciaram a produção ficcional do paraibano, o filme amplia seu escopo de exibição com a circulação internacional, levando a literatura encantada de Ariano e a cultura nordestina para o mundo.

Com direção do primo de segundo grau do escritor, Manuel Dantas Vilar (também conhecido como “Dantinhas”), o longa paraibano foi exibido no Cinema Terminale. Embora não tenha conseguido acompanhar a exibição presencialmente, Dantinhas afirma ter recebido notícias animadoras dos organizadores e participantes do evento, que demonstraram satisfação com o material apresentado.

Para Manuel, a presença em um festival europeu representa mais do que um reconhecimento artístico, configurando oportunidade de apresentar ao público estrangeiro elementos da cultura paraibana e da trajetória de um dos maiores escritores brasileiros.

“Fiquei muito feliz por ter levado a Paraíba e Ariano para lá”, afirma o diretor acerca da primeira investida do documentário a nível internacional — curiosamente a inscrição em festivais estrangeiros não era o seu principal objetivo como realizador.

Ainda assim, a oportunidade surgiu, e ao refletir sobre os laços históricos entre os idiomas português e italiano, ambos originados do latim, Manuel decidiu inscrever o filme no festival de Prato.

“Tenho dado prioridade a festivais aqui do Brasil. A grande dificuldade é porque há muito festival de curtas, e ele está com 60 minutos. Então, é mais difícil abrir festivais para o lado dele. Parece que tá todo mundo ‘vexado’ nesses tempos agora”, ele brinca a respeito das curtíssimas produções audiovisuais, principalmente na internet.

Dantas lembra que a partir do acesso aos livros do primo passou a identificar vários espaços físicos (como a Casa da Pólvora, a Fazenda Onça Malhada e o Convento São Francisco), referenciados por Ariano às narrações de suas histórias. Tudo isso confirmou-se ainda mais a partir da tese do escritor e professor universitário Carlos Newton Júnior — que agrega depoimentos ao filme —, especialista na obra do precursor do Movimento Armorial.

“Depois foi surgindo a vontade inicialmente de fazer uma exposição fotográfica, mas aí teve a oportunidade de fazer um documentário mesmo. Então, eu aproveitei e ampliei o projeto”, comenta. “A minha vontade é que esse documentário percorra todo o país, porque o projeto de Ariano, sempre, era de mostrar o Brasil ao brasileiro, como fazia em suas aulas-espetáculo. Mas ele terminou atravessando o Atlântico e indo parar na Europa. Eu tô torcendo aqui que até o papa tenha assistido”.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 09 de junho de 2026.