Praticado desde o mecenato renascentista por aficionados e artistas, o colecionismo anda junto da arte como a tela repousa ao cavalete. Não à toa, a organização de coleções possui importante papel na difusão da arte pelo Brasil. Por esse prisma, a Casa MGA, no Cabo Branco, inaugurou ontem a exposição Colecionadores da arte paraibana, apresentando mais de 50 obras de conterrâneos como Pedro Américo, Ariano Suassuna, João Câmara, Flávio Tavares, Santa Rosa e Clóvis Jr., todas oriundas de coleções privadas. Com curadoria de Augusto Moraes, a mostra pode ser vista até o dia 22 de maio, de segunda-feira a sábado (das 14h às 19h). A entrada é gratuita.
A partir de acervos pertencentes a 11 colecionistas da terra, as obras compreendem trabalhos de 34 artistas paraibanos, de épocas e estilos distintos, em passeio pelos precursores das artes plásticas no estado e alcançando os artífices mais contemporâneos. Esta é a sétima exposição da Casa MGA, equipamento cultural inaugurado em setembro de 2025, integrante do projeto Paraibanamente MGA, criado pela MGA Construções — uma delas, devotada à obra de Flávio Tavares, foi fruto inclusive da coleção do santaluziense Luizmar Medeiros. “Essa exposição de agora é sobre homenagear os colecionadores de obras de arte”, afirma Augusto Moraes.
“O colecionismo é uma coisa muito antiga. O pessoal sempre colecionava moeda, fotografias, santinhos. E também pessoas que são mais sensíveis colecionam obras de arte. Alguns investem dinheiro em quadros, outros em escultura, arte sacra. Então a gente resolveu escolher alguns colecionadores; inclusive Luizmar é um dos participantes que coleciona muitos artistas paraibanos”, comenta o curador, citando o esforço do colecionador em sua recolha das artes de Flávio Tavares, Santa Rosa e até mesmo do romancista e pintor acadêmico Pedro Américo.
O próprio Flávio Tavares, exposto em pintura, desenho e escultura na mostra, apresenta desta vez sua vertente colecionadora, exibindo, entre outras, telas de Luiz Sôlha. Em visada voltada para a arte da preservação, própria aos colecionadores, a prioridade expográfica foi pensada desde o início como exclusiva aos artistas locais. “Damos ênfase à obra do artista, vista pela pessoa que coleciona”, pontua o curador.
Para Moraes, a mostra tem um gosto especial: “É a primeira vez que eu faço uma exposição como curador nessa perspectiva. Achei genial a ideia de homenagear justamente quem está preservando a história da arte paraibana por meio de uma coleção”.
Figuram ainda, no rol das coleções selecionadas, os seguintes artistas: Alberto Lacet, Alexandre Filho, Amelinha Teorga, Arquidy Picado, Auxiliadora Santiago, Chico Dantas, Ciro Fernandes, Dalva Oliveira, Elpídio Dantas, Genilson Soares, Heloisa Maia, Ivan Freitas, José Altino, José Felipe dos Santos, Luiz Sôlha, Lyra Serrano, Madriano Basilio, Marcos Pinto, Marcos Santana, Marlene Almeida, Miguel dos Santos, Mirabeau Menezes, Nevinha Araújo, Raul Córdula, Regis Cavalcanti, Roberto Lúcio, Sandoval Fagundes, Sóter Carreiro.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 30 de abril de 2026.

