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Escritor e jornalista Tiago Germano ganha primeiro lugar em concurso do Sesc

por publicado: 02/05/2016 17h07 última modificação: 03/05/2016 01h05
Divulgação Tiago Germano é natural da cidade de Picuí, na região 
do Seridó paraibano

Tiago Germano é natural da cidade de Picuí, na região do Seridó paraibano


Guilherme Cabral

"A consolidação de um momento muito importante para a cultura da Paraíba”. Foi o que declarou para o jornal A União o escritor paraibano Tiago Germano - natural de Picuí, cidade localizada na região Seridó do Estado, mas radicado em Porto Alegre (RS) -, ao se referir à importância de ter sido o grande vencedor do Prêmio Sesc de Crônicas Rubem Braga, cujo texto intitulado Óculos Ray-Ban, escrito em homenagem ao seu próprio pai, rendeu-lhe o troféu de primeiro lugar, além da quantia de R$ 2 mil e, ainda, a publicação em uma coletânea a ser lançada ainda neste ano, reunindo os trabalhos dos 30 finalistas do concurso, que também contemplava a categoria conto, que presta tributo a Machado de Assis. A cerimônia de premiação ocorreu na última quinta-feira, realizada no Teatro Serviço Social do Comércio Garagem, em Brasília-DF. 

Na opinião de Tiago Germano, a premiação agora recebida significa muito para a Paraíba pois, conforme lembrou, o Estado já havia se sobressaído com o prêmio Sesc Literatura 2014, conferido - pelo romance intitulado Enquanto Deus não está olhando - à escritora, que é sua esposa, Débora Ferraz, a qual é pernambucana mas desenvolveu a carreira literária na Paraíba, e o Jabuti, em 2015, pela Câmara Brasileira do Livro, para a autora Maria Valéria Rezende, paulista nascida em Santos, mas radicada em João Pessoa, pelo também romance Quarenta Dias. “As editoras precisam mudar o eixo do Sudeste e Sul para o Nordeste e Norte”, disse ele, acreditando que destaques assim podem contribuir para que isso venha a acontecer, por entender que há bons autores nessas duas regiões.

Tiago Germano considerou “bem surpreendente” a premiação, agora, da sua crônica, a primeira em âmbito nacional. “Tinha batido na trave duas vezes, pois fui finalista, na categoria conto, na Off Flip (Feira Literária de Paraty, no Rio de Janeiro), em 2014, e, com a primeira prosa, no Sesc, em 2015. “Havia inscrito a Óculos Ray-Ban no último dia, por ter uma certa burocracia, registro em cartório, e esqueci, pois esses prêmios são uma porta aberta para os autores, mas que pode dar em um labirinto, pois a concorrência é grande e deve ser muito difícil ganhar”, disse ele, que está radicado desde o ano passado em Porto Alegre, onde faz mestrado - sob orientação do autor Luiz Antônio de Assis Brasil - em escrita criativa na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, na qual ainda pretende permanecer até concluir, posteriormente, o doutorado para, só depois, retornar à Paraíba, onde acredita haver “grande celeiro” na área literária. A propósito, o Prêmio Sesc 2016 registrou, no total, 1,2 mil inscrições provenientes de todo o território nacional.

Durante a cerimônia de premiação em Brasília, Tiago Germano - que também é jornalista, formado pela Universidade Federal da Paraíba em 2005 - lembrou o problema que enfrentou, na área da literatura. “Ter passado pela experiência de ter sido plagiado e, hoje, estar aqui, sendo reconhecido pelo meu trabalho, é algo muito importante para mim”, disse ele, naquela ocasião, em seu discurso. O plágio, de acordo com o escritor, ocorreu depois que grande parte de suas crônicas, publicadas em uma coluna semanal que manteve no jornal A União entre 2004 e 2006, passou a circular na internet sob a autoria de um jornalista do Amapá. “Eu só descobri o plágio quase 10 anos depois, quando tentei compilar as crônicas em livro e as procurei na web. Na época, contratei um advogado para me representar, mas ele desistiu do processo alegando dificuldades de ordem prática: teria que dar entrada na ação no domicílio do réu, ou seja, ir até lá, no Amapá, para fazer isso.”, lembrou.

Tiago Germano lembrou só ter percebido o plágio do jornalista - que publicava seus textos no Diário do Amapá - uma década depois, quando precisou reunir textos para a publicação de um livro de crônicas. No entanto, ele garantiu para o jornal A União que a questão - a qual lhe deixou com uma “sensação muito incômoda” - já foi superada, com o pedido de desculpas e a promessa da retirada do material do site, que foi cumprida. “Gosto muito da crônica Óculos Ray-Ban, que ele não plagiou. Isso aumentou demais o valor do prêmio, pois foi um reconhecimento”, confessou o jornalista e escritor paraibano, que já está com um livro contendo cerca de 100 crônicas fechado, mas ainda sem data prevista para publicação. “Espero que essa premiação sirva de holofote para que alguma editora se interesse”, disse ele.

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