O Festival de Música da Paraíba (FMP) divulgou, ontem, os 30 selecionados para sua oitava edição, que começará no próximo mês, na cidade de Campina Grande. O anúncio se deu no programa Tabajara em Revista, da Tabajara FM 105,5, e foi publicado na edição de hoje do Diário Oficial do Estado (DOE). As obras e os artistas classificados têm temáticas e perfis diversos — de composições solo a parcerias com quatro autores —, nascidos na capital ou em municípios do interior do estado, como Emas, Sousa, Alagoa Grande e a própria Rainha da Borborema. Como etapa seguinte, o sorteio da ordem das músicas nas duas eliminatórias será na próxima sexta-feira (4), a partir das 14h, também durante o Tabajara em Revista.
Essa seleção contou com a curadoria de três especialistas: o jornalista e pesquisador Zema Ribeiro, do Maranhão; a cantora e professora de música Monise Borges, do Piauí; e o engenheiro de som Tofu Valsechi, de São Paulo. Informações coletadas do perfil dos inscritos dão conta de que a grande maioria está na faixa dos 30 aos 59 anos de idade (cerca de 51%), seguida dos artistas de 18 a 29 anos (40%) e dos indicados maiores de 65 anos (9%). Esses 30 candidatos concorrem a R$ 30 mil em prêmios, distribuídos assim: os três primeiros lugares, escolhidos por júri, ganham, respectivamente, R$ 10 mil, R$ 7 mil e R$ 5 mil; a melhor canção, de acordo com votação popular, R$ 5 mil; e o melhor intérprete, R$ 3 mil.
O minucioso processo de construção dos arranjos para cada música se dará a partir de 7 de abril, seguido dos ensaios com a Banda Base da Funesc, em 5 de maio, sob a regência do maestro Sérgio Gallo. As eliminatórias serão realizadas nos dias 22 e 23 do mesmo mês: cada uma contará com 15 canções.
Por fim, sete faixas comporão a grande final, no dia 31, no Teatro de Arena do Espaço Cultural, em João Pessoa, como de costume. O FMP é realizado em conjunto pela Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) e a Secretaria de Estado da Comunicação Institucional (Secom).
Palco estruturado
O gerente de Jornalismo da Rádio Tabajara, Marcos Thomaz, está na organização do evento há cinco anos: sua “estreia” no festival foi durante a pandemia, fato que adicionou mais desafios à empreitada, naquela ocasião. Todavia, o contexto de isolamento não trouxe perda de popularidade, segundo o gestor — pelo contrário. “O Festival de Música da Paraíba se manteve pujante demais e cresceu, mesmo em meio a esse período. Há fatores e fenômenos que geram uma catarse em ocasiões assim. Os grandes festivais que marcaram a história da cultura brasileira encamparam polêmicas — jurados escolhendo uma música e o público torcendo por outra... via de regra, essa força de comoção contamina positivamente o público”, assinala.
A parceria da EPC com a Funesc e a Secom é o que garante a “assinatura” do evento, também segundo Marcos. Todas as tratativas são decididas coletivamente pelos três órgãos do Governo do Estado, ainda que algumas demandas sejam mais específicas para cada equipamento — como a montagem do palco, de responsabilidade da Fundação Espaço Cultural. “Posso destacar também a colaboração que conseguimos com alguns agentes externos. No ano passado, por exemplo, contamos com a Prefeitura de Sumé, onde as eliminatórias aconteceram. Ganhamos um apoio estrutural significativo, já que todas as noites, a praça principal da cidade estava lotada para receber o festival”, rememora Thomaz.
Nesta edição, foram validadas 214 inscrições do montante inicial de 237. João Pessoa, conta com o maior número de selecionados — 21 —, seguida de Campina Grande — com cinco. Marcos Thomaz revela que, graças ao FMP, artistas campinenses têm se reunido em pequenos coletivos para compor faixas e se inscreverem no evento. “Temos essa característica: propiciar intercâmbio entre os músicos, mesmo de regiões distantes. Cria-se um circuito também entre eles, de levar um para a sua cidade, ou de ir até outro município. Há ainda essa vitrine direta, num palco estruturado, som de primeira e transmissão ao vivo com o melhor da tecnologia, tanto pelo rádio quanto por meio do perfil da Tabajara no YouTube”, assinala.
Glorinha e Cassiano
O diretor de Rádio e TV da EPC, Rui Leitão, também está na organização do 8º Festival de Música da Paraíba e foi espectador de diversos outros eventos similares no estado: nos anos 1960, quando ainda era estudante, testemunhou a segunda edição do Festival Paraibano da Música Popular Brasileira, que consagrou Luiz Ramalho, autor e intérprete de “O tropeiro”. “Em 2010, quando, pela segunda vez, ocupei a direção da Rádio Tabajara, promovemos a etapa estadual do Festival de Música da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub) A canção vencedora, que representou a Paraíba na finalíssima, em Salvador, foi ‘Alegria de farol’, composta e interpretada por Adeildo Vieira”, rememora.
Mantendo a tradição, Rui Leitão anuncia que o evento fará reverência a mais dois artistas paraibanos — um falecido e outro ainda presente. O primeiro é Cassiano (in memoriam), natural de Campina Grande e conhecido por grandes sucessos da MPB, como “Coleção” e “A lua e eu” — ambas em coautoria com Paulo Zdanowski. A segunda é Glorinha Gadelha. “Mais recentemente os promotores do festival decidiram prestar homenagem a artistas vivos — em 2024 foi Cátia de França. Neste ano, nossos aplausos vão para a sousense Glória Gadelha. Sua música de maior sucesso é ‘Feira de mangaio’ [com Sivuca]. Sem dúvidas, uma justa homenagem pela excelente contribuição que Glória ofereceu à nossa cultura musical”, garante o diretor de Rádio e TV da EPC.
Comentando suas expectativas para o oitavo festival, os entrevistados prevêem o sucesso dessa nova empreitada. Marcos Thomaz, baiano radicado na Paraíba há quase 30 anos, atesta o estado como um celeiro de artistas de renome regional e nacional que merecem esse e outros espaços em que possam ser reconhecidos. “E, a cada ano, o festival se credencia como essa grande celebração em que os paraibanos apresentam seus trabalhos inéditos. Este ano não poderia ser diferente. A expectativa é de que o sucesso se repita e que tenhamos a oferta de canções de ótimo nível, conferindo assim a fama de que a Paraíba produz excelentes performances”, finaliza Rui Leitão.
Confira as canções concorrentes
“A Rabeca e o Pandeiro”
Ninno Amorim;
“À Solta”
Matheus Andrade;
“Abelhas”
Pedro Francisco;
“Ainda Estou Aqui (Uma Música)”
Diógenes Ferraz;
“Antes do Mundo Explodir”
Adri L.;
“Antes Que Me Pergunte”
Titá Moura;
“Artista e Clt”
Oli;
“As Caras da Paraíba”
Gitana Pimentel, Will e Pedro Haus;
“Asas”
Soz;
“Baque de Realidade”
Paulo Rafael e Karla Oliveira;
“Beijo na Praça”
Juzé;
“Boêmio de Profissão”
Severo Ramos;
“Canto por Igualdade”
Wagner Luiz Malta;
“Canto Triste”
Filipe Sousa;
“Cassiano e Glorinha”
Floriano Maurício;
“Cirandeira do Mar”
Tathy Martins;
“Coco Parahyba”
Heitor Loureiro;
“Coisa Melhor do que Dinheiro”
Bibiu do Jatobá;
“Deixa Eu Cantar Aqui”
Pricler e Pedro Medeiros;
“Escândalo”
Maria, Joyce Barbosa, Eliza Garcia e Ingrid Simplício;
“Esperança de Recomeçar”
Val Félix;
“Eu Sou a Trajetória”
Cecília Albuquerque;
“Eu Sou Demais Pra Pouca Coisa”
Gláucia Reis e Simão Mairins;
“Janaína Perdeu a Cabeça”
André dos Santos;
“Ladainha”
Ruanna;
“Nordestinês”
Vania Airam;
“Olhos de Cobiça”
Thiago Cruz;
“Ponta-Cabeça”
Betinho Lucena;
“Roda-Gigante”
Priscilla Lacerda e Emiliano Pordeus;
“Uma Canção Política”
Guga Limeira.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 02 de abril de 2025.