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Exposição de Tônio segue em cartaz na Livraria do Luiz até o fim do mês

por publicado: 24/06/2018 00h05 última modificação: 23/06/2018 06h48
Divulgação Tô ao lado da pintura em óleo sobre tela intitulada ‘Carro de boi’, 
produzida em 2016 e que é um dos destaques da exposição

Tô ao lado da pintura em óleo sobre tela intitulada ‘Carro de boi’, produzida em 2016 e que é um dos destaques da exposição


William Costa

O artista plástico Tônio expõe, na Livraria do Luiz, em João Pessoa, catorze óleos sobre tela, sendo oito trabalhos com motivos regionais - entre os quais se destaca o quadro “Carro de boi” - e seis caricaturas de artistas paraibanos: Augusto dos Anjos, Ariano Suassuna, José Lins do Rego, Pedro Américo, Sivuca e Jackson do Pandeiro. A mostra permanecerá aberta ao público, no horário comercial, até o final do mês de junho.

Em entrevista, Tônio afirmou que realizar uma exposição individual de pinturas na Livraria do Luiz é motivo de muito orgulho, para ele, por se tratar de um dos mais tradicionais estabelecimentos de cultura da capital paraibana. “A Livraria do Luiz voltou a ser um ponto de encontro de escritores, professores, artistas e intelectuais, e eu fico muito feliz de poder participar dessa assembleia de notáveis da nossa cultura”, ressaltou o artista.

A arte de Tônio não se distingue pelo experimentalismo. Sua estética não é de ruptura, ou seja, sua proposta não é iconoclasta. Sua pintura se caracteriza pelo esmero técnico e por situar-se em um território conceitual que ora se distancia do que, tradicionalmente, se convencionou chamar de figurativismo realista, ora da arte naïf, embora ostente elementos formais das duas escolas. No entanto, é a xilogravura popular que melhor ilumina o espírito de sua obra.

A composição é sofisticada na forma geral e nos detalhes. Há equilíbrio cromático. Delicadeza e poesia nas cenas retratadas. No mais das vezes, Tônio apropria-se de uma temática regionalista; campesina. De um discurso “sociológico” que denuncia as agruras de grupos sociais ou de indivíduos excluídos, que ainda (sobre)vivem no litoral e interior nordestinos.

O artista não fica só nisso. Em um “denuncismo” agressivo. É que Tônio optou por uma “crítica social” implícita, referida. Ao que parece, ele busca retratar mais o cotidiano do povo simples de sua terra – a cidade de Santa Rita, na zona canavieira da região metropolitana de João Pessoa. Valores, virtudes e situações que estão fora do alcance das métricas que regem os modos de produção.

O que também empresta vigor extra à pintura de Tônio é a fuga que o artista empreende do realismo em sua forma mais pura, no retrato ou na paisagem, objetivando, com uma técnica personalíssima, a transfiguração, ora pelo nonsense, ora pela poesia, daquelas vivências que deixaram marcas indeléveis em sua alma de menino do povo, nascido próximo aos canaviais.

No entanto, a figuração de Tônio vai mais além. Assimila informações da arte indígena. Da ancestralidade rupestre. Da xilografia de cordel. Dos mestres primitivos brasileiros. Do muralismo mexicano. Do figurativismo colombiano. Avizinha-se, inclusive, no que diz respeito à sua cromática e volumetria, da “modernidade” de um Di Cavalcanti; de um Tomás Santa Rosa.

Vale ressaltar que Tônio é um excelente colorista. Harmoniza as tonalidades, e suaviza as cores primárias em uma opacidade que torna singular sua paleta. Seu traço também remete à geometria cubista de Picasso. A arte de Tônio está nos detalhes. No jogo de sombra e luz. Daí a beleza de suas paisagens e retratos; a expressão da alma humana que sabe expor no rosto de suas figuras.

Há um Brasil que existe apenas no universo artístico de Tônio. Um mundo que ele construiu e cuida com paciência de Buda – a luz que ele traz dentro do peito. Um Brasil a que jamais se poderá voltar – a não ser pela arte -, mas cuja essência faz-se necessário cultivar; trazer dentro de si, caso contrário, a vida real imitará aquela que Aldous Huxley preconizou, em seu admirável romance.

Sobre o artista

Natural de Santa Rita (PB), Antônio Gonçalves de Sá, o Tônio, 66 anos, integra a equipe de desenhistas do Departamento de Artes de A União. Autodidata, o artista fez, na “universidade da vida”, especialização em cartum, mestrado em desenho e doutorado em pintura. É autor de vários personagens de tirinhas, destacando-se, entre eles, O aConde, Angie e Zé Meiota.

Ao longo de uma trajetória profissional iniciada em 1975, n’A União, Tônio venceu concursos de desenho, participou de exposições coletivas e salões de artes visuais, publicou álbuns (bico-de-pena) e ilustrou livros, jornais e revistas. Ainda hoje continua sendo disputado por escritores, editores e publicitários, que o procuram para ilustrar livros e outros tipos de publicação.

A assinatura de Tônio consta nas ilustrações de páginas e mais páginas de A União (e de seus suplementos [como o Correio das Artes] e cadernos especiais), além de livros de inúmeros autores paraibanos, como Adalberto Barreto, Anco Márcio, José Souto, Terezinha Fialho, Luiz Augusto Crispim e, mais recentemente, Neide Medeiros Santos, Jairo Cézar e Socorro Barbosa.

Tônio é autor de capas de livros que trazem o selo de A União Editora e, durante o tempo em que trabalhou em agências de publicidade, desenvolveu projetos gráficos para cartazes e anúncios de jornal, além de paginar e montar livros. Estamos, portanto, diante de um profissional cujo talento é respaldado por uma vasta folha de serviços prestados à cultura paraibana.

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