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artes visuais

Exposição evoca mar e comunidades ribeirinhas

publicado: 27/02/2026 09h13, última modificação: 27/02/2026 09h13
Individual de Kal Yoga abre hoje à tarde, na Galeria Lavandeira
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Montagem inspira-se no fluxo de um rio | Fotos: Divulgação

por Daniel Abath*

O percurso artístico como consequência do acaso, das escolhas feitas e, portanto, também, das inevitáveis recusas, orienta a exposição Tudo o que Você Não Fez Te Trouxe Até Aqui, primeira individual do multiartista Kal Yoga. A exposição consiste em um apanhado de 13 obras desenvolvidas durante o percurso do mestrado do artista em Artes Visuais, e será aberta hoje, às 17h, na Galeria Lavandeira, no Centro de Comunicação, Turismo e Artes, no Campus 1 da Universidade Federal da Paraíba. A entrada é franca, com visitações de segunda a sexta-feira (das 8h às 12h e das 13h às 19h), até o dia 27 de março.

Segundo o artista, a exposição nasce da ideia de percurso e de intercorrência, tomando como referência a imagem do fluxo de um rio em seu movimento contínuo. “A analogia do trabalho vai muito para essa perspectiva decolonial, de relação com a natureza, pensando a partir de Ailton Krenak essas rotas, essas quedas d’água a que a vida nos leva, e os desvios também. Reafirma mais uma questão de que a gente não está no controle, de fato”, afirma Kal. 

Mostra tem 13 obras de autoria de Yoga

Kal destaca que o conjunto de sua produção constrói-se a partir de lembranças da infância, da relação com comunidades ribeirinhas e de sua origem em uma família de agricultores, conectando-se igualmente a pensamentos diaspóricos, à travessia forçada pelo Atlântico, compreendida como um processo que produziu outros territórios, encontros e possibilidades — elementos da miscigenação, que atravessam os trabalhos apresentados, aparecem associados a mitologias afro-brasileiras e afro-indígenas,

Pinturas em aquarela, instalação, vídeos e fotografias são compostos por conjuntos que, conceitualmente, formam uma única obra. “Eu tenho essa necessidade de trabalhar com outras perspectivas”, diz ele. “O trabalho que pede a técnica e, aí, muitas vezes, uma única técnica não dá conta daquilo que eu tô querendo criar, como uma paisagem visual”.

Um tal diálogo entre os diferentes meios é mesmo organizado a partir da ideia de paisagem. Yoga compara a experiência do público à observação do mar. Entre os elementos utilizados está o sal, material muitas vezes associado à ideia de oxidação, confrontando diretamente com a lógica de conservação que é própria à estrutura museológica. “Para mim, o sal tem uma simbologia de proteção; é um elemento mágico e faz relação direta com a terra, carregado pelo mar”, comenta.

O artista espera provocar uma percepção da água como uma espécie de entidade espiritual. “Precisamos reconhecer a água como constituinte e fundante da nossa existência. Acho que esse respeito a esse elemento e o respeito à natureza vai fazer com que a gente consiga caminhar nesse mundo de uma forma mais consciente e genuinamente integrada ao nosso propósito por aqui”, proclama.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de fevereiro de 2026.