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FCJA exibe o longa "Incêndios", releitura moderna de "Édipo Rei"

por publicado: 01/02/2017 00h05 última modificação: 31/01/2017 21h35
Reprodução O filme "Incêndios" foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011, e tem como pano de fundo os conflitos religiosos no Oriente Médio

O filme "Incêndios" foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011, e tem como pano de fundo os conflitos religiosos no Oriente Médio


Guilherme Cabral

Drama dirigido em 2010 pelo canadense Denis Villeuneve, o longa-metragem intitulado Incêndios será exibido hoje, em sessão única - e cuja entrada é gratuita para o público - a partir das 19h30, pelo Cineclube O Homem de Areia, na sede da Fundação Casa de José Américo (FCJA), instituição vinculada ao Governo da Paraíba e localizada em João Pessoa. O enredo dessa produção, realização conjunta do Canadá com a França e indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2011, se desenrola durante 130 minutos e o pano de fundo é um dos conflitos religiosos no Oriente Médio. A classificação indicativa é 14 anos.

“Incêndios faz, de forma primorosa, uma releitura do drama grego Édipo Rei (peça escrita por volta de 427 A.C. pelo dramaturgo Sófocles - 496 / 406 A.C.). Nesta repaginação, porém, tem-se, como pano de fundo, um dos tantos conflitos religiosos do Oriente Médio. Essa obra, classificada como uma das mais dramáticas deste século, recebeu, inclusive, em 2016, uma versão teatral no Rio de Janeiro, onde foi protagonizada por Marieta Severo e considerada a peça do ano. Ademais, apesar da violência irracional que permeia as relações, vale notar que o filme em questão busca respaldo na lógica quase inabalável da matemática pura. E a junção desses dois polos (irracionalidade e lógica), aparentemente incompatíveis, já se revela motivo suficiente para assistir a esse intrigante trabalho”, antecipou, para o jornal A União, o crítico de cinema Andrés von Dessauer, que vai comentar o longa-metragem para os espectadores na noite de hoje, na FCJA.

No contexto da peça grega intitulada Édipo Rei, e tendo como pano de fundo um conflito religioso no Oriente Médio, o filme Incêndios leva o espectador a empreender uma jornada que lhe tira o fôlego, sob um clima de suspense raramente visto nas telonas. Nesse sentido, a leitura do testamento de uma mãe, chamada de Nawal Marwan (encarnada pela atriz Lubna Azabal), é a porta de entrada para se viver intensas emoções. No Canadá, os dois filhos gêmeos da falecida, Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Marwan Maxim), vão ao escritório do notário Jean Lebel (Rémy Girard) para saber do conteúdo daquele documento por ela legado.

No documento, Nawal pede que seja enterrada sem caixão, nua e de costas, sem que haja qualquer lápide em seu túmulo. Ela deixa, também, dois envelopes: um para ser entregue ao pai dos gêmeos e o outro ao irmão deles. No entanto, apenas após a entrega de ambos é que Jeanne e Simon receberão um envelope endereçado a eles e será possível colocar uma lápide. Só que Jeanne e Simon nada sabem sobre a existência de um irmão e acreditavam que seu pai estava morto. É o início de uma jornada em busca do passado da mãe, que os leva até a Palestina, onde um conflito de cunho religioso vai contribuir para desencadear a devastação de uma família.

A estranha condição imposta pela falecida leva Simon a querer rebelar-se contra as instruções. No entanto, a reação de Jeanne é outra: decide ir logo buscar as pistas necessárias para cumprir a vontade da saudosa mãe. Porém, ao longo da jornada, ela vai encontrando indícios que, aos poucos, contribuem para reconstituir a impressionante biografia de Nawal Marwan, que, quando era jovem, engravidou do namorado, morto por seu irmão, por desonrá-la. E ela mesma só não foi morta, também, porque recebeu proteção da avó, que a abrigou em casa por todo o período da gravidez.

Contudo, ao dar à luz um menino, Marwan é obrigada a renunciar a esse filho e, como se não bastasse, partir. No entanto, ela nunca desistirá de procurá-lo em orfanatos e campos de refugiados, num País abalado por guerras religiosas, as quais colocam em lados opostos cristãos e muçulmanos. E, por ser uma cristã, essa mãe, não raro, é obrigada, pela necessidade, a ocultar o crucifixo que carrega no pescoço para salvar sua própria vida. E, em meio a um ambiente de conflagração, ela mesma envolve-se na luta política e termina sendo presa, condição esta que, bastante dura, origina desdobramentos ainda mais dramáticos na história dessa mulher.

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