A voz da jornalista e ativista cultural Olga Costa, que morreu em janeiro deste ano, continuará ecoando por aí. Concebido como um tributo, o Festival Grito de Olga promoverá sua primeira edição amanhã, a partir das 20h, na Caravela Cultural, situada no Centro de João Pessoa. Foram convocadas artistas que coadunam com o espírito rock and roll e independente da homenageada: FlauFlau, Matriarcado, Long Way Home, Halfway Dead e a DJ Jorja Moura. Os ingressos estão disponíveis no site Shotgun e custam R$ 20 (preço do primeiro lote).
O evento é promovido pelos coletivos Morcegona Prod e Morífera Mag. Beatriz Jarry, umas das responsáveis pela iniciativa, diz que as bandas foram escolhidas com base na representatividade feminina dos grupos.
“Halfway Dead marca o retorno da Wiliane de França, vocalista da lendária Rotten Flies. Wiliane entrou nesse cenário por indicação de Olga, numa época extremamente misógina. Long Way Home também é uma banda que nasce na junção das bandas Bárbara e Noskill, cruciais no cenário dos anos 2000, em João Pesssoa”, explica.
Beatriz assinala que a intenção das organizadoras é fixar Grito de Olga no calendário de festivais musicais de João Pessoa, mas que, para isso, precisa angariar visibilidade nesta primeira edição.
“Além do mais, é um evento que a partir da produção e logística, todas as intenções são pensadas em prol da segurança e da representatividade da mulher do cenário musical voltado para o rock. Queremos um espaço que elas possam se sentir à vontade e desfrutar uma boa música, abrindo espaço, também, para esse line--up diverso”, assevera.
Olga Costa deixou um disco de canções autorais e inéditas, Chandler, que chegou às plataformas em fevereiro. A jornalista Ana Rogéria Araújo, amiga da artista, diz que o álbum foi recebido com surpresa e entusiasmo pelos que a conheciam e pelos fãs de seu programa de rádio, Jardim Elétrico.
“Ela já tinha assumido o vocal em bandas como Nailspop e Motoserra. Mas, no álbum póstumo, ela se mostra mais, conseguimos ouvir toda a potencialidade vocal. De alguma forma, ela já tinha melodia na voz, dominando a vibração em algumas palavras”, aponta.
As gravações ocorreram há 20 anos, no período em que ela residiu em São Paulo, e foram retrabalhadas, no presente, pelo arranjador Robson Feoli. As intervenções contaram com a supervisão e os palpites de Olga, que, no fim da vida, quis compartilhar esse projeto com o mundo.
“Não para mostrar o lado intérprete, não era o caso, mas para deixar esse material registrado, como se ela tivesse intuição do que viria. ‘Intuição’, aliás, é a faixa que abre o álbum, creio que seja uma forma de manter todo esse legado. Chandler cumpre este papel”, conclui.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 05 de março de 2026.