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Filme sobre Alceu abrirá o Aruanda

publicado: 21/10/2026 09h30, última modificação: 21/10/2026 09h30
Festival, que começa no dia 2 de dezembro, anunciou sua produção de abertura: o documentário Vivo 76
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Alceu em cena do filme de Lírio Ferreira e, mais à direita, nas filmagens: o cantor estará presente na noite de abertura, em 2 de dezembro, e faz show em Tambaú no dia 3 | Fotos: Divulgação

por Daniel Abath*

A 21ª edição do Fest Aruanda do Audiovisual Internacional da Paraíba já desponta no horizonte da cena cultural paraibana. Em anúncio realizado pelo fundador do festival, Lúcio Vilar, o filme escolhido para a abertura do evento é o documentário musical Vivo 76 (2026, 102 minutos, classificação livre), recente longa-metragem do cineasta pernambucano Lírio Ferreira a respeito de vida e obra do cantor e compositor Alceu Valença. A exibição, que contará com a presença especial de Alceu à sessão, está prevista para o dia 2 de dezembro, em sala da rede Cinépolis Manaíra, em João Pessoa – no dia seguinte (3), Alceu Valença fará show de abertura do Aruanda Praia, segmento “pé na areia” do evento.

Lançado por Valença em 1976, o disco Vivo! é o ponto de partida da investigação sobre a formação de uma das personas mais marcantes da música brasileira. Com roteiro coassinado por Lírio Ferreira, Dillner Gomes e Claudio Assis, Vivo 76 revisita o período em que o artista articulava referências culturais, experiências pessoais e diferentes linguagens para construir sua identidade nos palcos ao longo da carreira.

A escolha deixou o diretor satisfeito, especialmente pela possibilidade de retornar a um festival que considera de grande importância. A sessão também deve marcar momento singular para o próprio Alceu que, segundo Lírio, ainda não assistiu à versão finalizada do documentário em uma sala de cinema. Ademais, o cantor celebra 80 anos de vida enquanto o álbum que inspira a produção, por outro lado, comemora cinco décadas. 

“Na verdade, quando você já faz um filme mais com ficção, tem um caminho mais delimitado. O bacana do documentário é esse, de não saber exatamente onde é que vai chegar”, afirma Lírio em conversa com A União. No longa, o disco funciona como uma porta de entrada para um contexto mais amplo: ao investigar o período anterior ao lançamento, o diretor encontrou elementos que ajudam a compreender como Alceu reuniu elementos distintos na construção de sua presença artística. “Naquele momento que ele vivia, enfim, arrumando a sua identidade, criando. Na verdade, é um processo de criação de um personagem”.

Em meio à memória afetiva do Agreste pernambucano, especialmente de São Bento do Una (PE), descortina-se um multifacetado Alceu ao lado da tradição dos violeiros, cantadores, aboiadores e repentistas, imerso no ambiente das feiras e da convivência familiar com a música. Tal trajetória do artista também passa por experiências que ampliaram seu repertório, como os estudos de Direito, a prática do basquete, o universo circense da infância e a participação no filme musical A noite do espantalho (1974), dirigido por Sérgio Ricardo.

“A essência está ali naquele momento. E é um momento extremamente conturbado, um momento de ditadura militar, [quando ele] vem morar no Rio de Janeiro. Todas essas influências foram criando esse personagem, e que ficou muito marcante. Um personagem muito valenciano, mas que tem uma conexão muito forte com o público”, explica Ferreira.

Para o realizador, a combinação dessas vivências contribuiu para formar uma figura de palco cuja expressividade permanece reconhecível e louvável por mais de cinco décadas. Vivo 76 é o 13º longa-metragem do cineasta, que transita entre documentários e ficções e encontrou na não ficção um espaço para explorar histórias e personagens sem seguir um percurso inteiramente predeterminado. Confessando cantar muito desafinado, Lírio consegue realizar nas telas uma de suas maiores paixões: “Não é uma coisa pensada, mas talvez seja uma coisa meio de frustração de não ter sido músico. Eu acho que com o cinema eu consigo fazer música e suprir um pouco dessa frustração na minha vida”.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 21 de outubro de 2026.