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Gitana Pimentel pensa a identidade paraibana

publicado: 13/01/2026 09h03, última modificação: 13/01/2026 09h03
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A diretora (sentada, C) e o elenco de seu doc: qual é a cara da Paraíba? | Foto: Divulgação

por Emerson da Cunha*

Como é o rosto da Paraíba? Ou melhor, como as pessoas imaginam o rosto da Paraíba e dos paraibanos? Haveria uma cara própria, padrão? Seria uma cara mais diversa do que a gente vê na mídia? Suscitar essa questão e trazer algumas respostas baseadas na diversidade do nosso povo e da nossa cultura é um dos objetivos do curta-metragem documental As Caras da Paraíba, dirigido pela cantora e atriz Gitana Pimentel, e que está disponível, gratuitamente, no YouTube a partir de hoje, após passar pelo circuito de festivais.

Segundo a autora, o pontapé inicial do curta veio da experiência de preconceito dela própria. De cor branca e com traços afilados, ela conta que sempre viveu escutando que não “parecia” paraibana.

“Porque o povo espera que o paraibano tenha aquela cara que aparece em novela. A cara suja de barro, que não tenha dente, você não pode ser branco, você não pode ter o olho claro. E, aí, foi a vida inteira passando por isso, teste para audiovisual também. Eu nunca era nordestina, paraibana suficiente para determinados papéis”, coloca Pimentel.

O doc transita por depoimentos de uma série de atores sociais, passando por recortes de cor e etnia, especialmente. Os relatos permeiam memórias e lembranças de situações de xenofobia, mas também reforçam a riqueza cultural da terra. Por meio de imagens que se aproximam dessas caras e corpos, encontramos uma diversidade também de profissões, como fotógrafo, assistente social, diretor em arte e mídia, historiador e tatuadora, entre outros. Também faz referência a nomes importantes da nossa cultura, como Ariano Suassuna, José Lins do Rêgo, José Américo de Almeida, Elba e Zé Ramalho.

Se a ideia inicial foi abordar um preconceito estético, a solução foi “mostrar como a gente é bonito em tudo”: fisicamente, nas cidades, no litoral, na gastronomia, na alta costura. “Eu quis fazer esse contraponto mesmo, mostrar os dois lados. A gente tem o artesanato, mas a gente também tem alta costura. A gente tem o cuscuz? Tem, mas a gente também tem drinks internacionais”, finaliza.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 13 de janeiro de 2026.