Em dois anos seguidos, duas atuações de intérpretes brasileiros, faladas em português, foram consagradas em uma das principais premiações do mundo do cinema. Há três anos, poderíamos imaginar isso? Mas essa é a realidade hoje, um ano depois que Fernanda Torres ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em filme de drama, por Ainda Estou Aqui (2024), e dois dias depois que Wagner Moura repetiu o feito, como melhor ator em filme de drama, por O Agente Secreto (2025). Não bastasse isso, a produção dirigida por Kleber Mendonça Filho levou também o prêmio de melhor filme de Língua não inglesa e fez história como a primeira vez que um filme brasileiro ganhou dois prêmios no Globo de Ouro, na cerimônia realizada no domingo, no hotel Beverly Hilton, em Los Angeles.
Das três indicações a que concorria, perdeu uma: a de melhor filme de drama para Hamnet – A Vida antes de Hamlet (2025). O filme de Chloé Zhao também viu a irlandesa Jessie Buckley ser eleita a melhor atriz em filme de drama. Já como melhor filme de musical ou comédia foi Uma Batalha após a Outra (2025), que ganhou também como direção, roteiro (os dois para Paul Thomas Anderson) e atriz coadjuvante (Teyana Taylor).
O Agente Secreto segue em uma trajetória vencedora que começou em maio do ano passado, quando o filme ganhou os prêmios de melhor direção, melhor ator e o prêmio da crítica no Festival de Cannes. De lá para cá, foram quase 50 prêmios.
Na sua disputa particular pelo Oscar com Valor Sentimental, do dinamarquês Joachim Trier, e Foi Apenas um Acidente, do iraniano Jafar Panahi, O Agente Secreto coloca-se à frente. Valor Sentimental ainda conseguiu a categoria de ator coadjuvante, com o reconhecimento de Stellan Skasgard.
Em seus discursos de premiação e nas coletivas pós-prêmio, tanto Kleber Mendonça Filho quanto Wagner Moura ressaltaram a importância de um filme sobre a memória e sobre a história do país. “Se o trauma puder ser passado por gerações, os valores também podem ser passados por gerações. Esse prêmio vai para aqueles que estão seguindo seus valores em momentos difíceis”, disse, em inglês, complementando em português: “Viva o Brasil, viva a cultura brasileira”. “Esse é um momento muito importante na história para fazer filmes — no Brasil e aqui nos Estados Unidos”, disse o diretor. “Jovens diretores, façam filmes”.
O filme brasileiro segue em cartaz em João Pessoa, no Cine Bangüê. As próximas sessões são amanhã, às 16h30 e às 19h30, e no domingo, às 16h40 e às 19h40.
Rumo ao Oscar
Os filmes de terror acabaram saindo derrotados. Pecadores (2025) ainda ganhou dois prêmios, o de filme evento (para os campeões de bilheteria) e de trilha sonora (que nem foi entregue na cerimônia televisionada). Já sobre A Hora do Mal (2025) havia a expectativa de ver Amy Madigan premiada como atriz coadjuvante. O prêmio acabou indo para Teyana Taylor, de Uma Batalha após a Outra.
Michael B. Jordan, de Pecadores, era o principal concorrente de Wagner Moura na categoria. Os outros nomes fortes para melhor ator no Oscar estavam do lado musical ou comédia. Ali, a vitória ficou com Timothée Chalamet, por Marty Supreme, parecendo se posicionar (no momento) à frente nessa corrida.
A disputa para melhor atriz no Oscar, por sua vez, parece estar entre as duas vencedoras do Globo de Ouro: Jessie Buckley, melhor atriz em filme de drama por Hamnet, e Rose Byrne, melhor atriz em Filme de musical ou comédia, por Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria.
Séries
No âmbito da televisão e streaming, três shows saíram como grandes vencedores. O programa médico The Pitt ganhou como melhor série de drama e melhor ator em série de drama (Noah Wyle). Na área de comédia, O Estúdio venceu também como melhor série e ator (Seth Rogen). Os de melhor atriz destoaram: Rhea Seehorn (drama, por Pluribus) e Jean Smart (vencedora pela terceira vez em comédia, por Hacks).
Mas a grande vencedora no segmento foi Adolescência, da Netflix, que conquistou quatro categorias: melhor minissérie ou telefilme, ator em minissérie ou telefilme (Stephen Graham), ator coadjuvante (Owen Cooper) e atriz coadjuvante (Erin Doherty).
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 13 de janeiro de 2026.
