Oficinas de aperfeiçoamento são importantes na construção da carreira de um desenhista e, semana que vem, o circuito Arte da Palavra, promovido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) traz para a Paraíba uma master class de imersão em histórias em quadrinhos, com o mineiro Guilherme Balbi, que trabalha com editoras dos EUA, como DC e Marvel. O evento, gratuito e com emissão de certificados, é dirigido a iniciantes (a partir dos 15 anos) e veteranos. Em João Pessoa, será nos próximos dias 13 e 14, no Sesc Centro da capital. Em Campina Grande, nos dias 16 e 17, no Sesc Centro da Rainha da Borborema. Em ambas as cidades, das 13h às 17h. As inscrições podem ser feitas por meio da página da instituição: https://www.sescpb.com.br/sesc-paraiba-promove-master-class-de-historias-em-quadrinhos-com-artista-que-atuou-para-marvel-e-dc.
Essa oficina de imersão, destinada a ilustradores, roteiristas e entusiastas das artes gráficas, tem por objetivo apurar os conhecimentos e as técnicas na concepção de quadrinhos, a partir de elementos essenciais dessa linguagem como o enquadramento, o ritmo e o encadeamento de sequências na obra.
“A proposta é ser acessível a todos. Cada artista tem seu próprio processo e o que eu proponho é uma abordagem intuitiva para a criação de quadrinhos e artes visuais. Os conteúdos são estruturados de forma que o participante consiga extrair valor — seja dando os primeiros passos ou refinando um método já existente”, explica Guilherme.
Além dos quesitos práticos do ofício, haverá também a difusão de orientações sobre o mercado editorial e a consolidação da carreira nas artes visuais. Guilherme antecipa que ao fim de cada master class haverá a apresentação dos trabalhos concretizados pelos inscritos, por meio de avaliação coletiva — parte importante na formação, ele aponta.
“Para iniciantes, a oficina oferece métodos para acelerar o aprendizado, organização de processo e introdução a materiais. Para artistas mais experientes, o foco está em otimização: métodos de criação, ferramentas e estratégias para tornar o trabalho mais eficiente e consistente”, esmiuça.
Além do próprio Guilherme, 39 quadrinistas e ilustradores percorrerão o Brasil ao longo de 2026, em 140 iniciativas similares no Arte da Palavra.
“Já ministrei palestras em Salvador e na Ufop, em Ouro Preto. Além disso, tenho uma trajetória de quase 20 anos atuando como professor nesse segmento. Diversos alunos conseguiram se inserir no mercado internacional, atuando como quadrinistas e ilustradores. Esse, sem dúvida, é o maior indicativo do impacto do trabalho”, celebra.
Guilherme tem passagens pelos estúdios Marvel, DC, Dark Horse e IDW Publishing. Seu currículo conta com colaborações em pôsteres cinematográficos e graphic novels: Avatar (Editora Panini), Predador (Max) e Metal society (Image/ Top cow), além de Sacred six (Dynamite) e Critical role (Dark Horse).
“Trabalhei por um período de 2008 a 2010. Depois, retomei a carreira de forma contínua a partir de 2018. Desenvolvi projetos autorais, como a criação do meu universo Jackpot, garantido por meio de uma plataforma de financiamento coletivo, em 2015. Essa iniciativa foi indicada a prêmios, como HQMix”, destaca.
Carreira internacional
A paixão pelos quadrinhos vem da adolescência, por volta dos 14 anos. Para A União, Guilherme recorda que, no começo, consumia as revistinhas herdadas do pai, com os heróis Tarzan e Tex. Depois, com o tempo, ele foi desenvolvendo um gosto próprio nas leituras do segmento, influenciadas por outros interesses.
“Também comecei a jogar RPG com amigos em Ouro Preto (MG), cidade onde eu morava. Na infância, meu foco era totalmente voltado para o futebol e outros esportes, nem pensava em desenhar. Mas, na época, eu era fascinado por artistas como Jim Lee e Adam Kubert. Hoje, tenho como referência Katsuhiro Otomo”, sinaliza, referindo-se ao autor de Akira.
O vislumbre de uma carreira profissional no gênero se deu por volta dos 20 anos, quando de sua mudança para Belo Horizonte. Ao passo que ingressou no curso de Artes Visuais da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), foi aluno e monitor na Casa dos Quadrinhos, um importante espaço de formação local.
“Posteriormente, tornei-me professor efetivo lá. Para me manter, fazia alguns trabalhos paralelos. Em relação à família, houve opiniões divergentes: uns apoiaram, outros foram contra. Mas, sinceramente, isso não foi determinante para mim. Eu estava decidido a seguir meu próprio caminho — e segui”, assevera.
O contato com os grandes estúdios ocorreu por meio do desenvolvimento de um portfólio atrativo, que passa pelo crivo de agentes brasileiros e internacionais, porta de entrada para esses mercados. Um deles é Alzir Alves, da Rascunho Studio, de João Pessoa.
“Meus primeiros trabalhos no mercado norte-americano foram para uma editora menor chamada Screen Factory. Em seguida, tive a oportunidade de trabalhar com Superboy, na DC Comics, e com Predador, na Dark Horse”, informa.
Um dos títulos mais importantes de seu currículo é Alien: original screenplay (Dark Horse), que chegou a público em 2020. Ao lado do roteirista Cristiano Seixas, Guilherme reimaginou o universo de Dan O’Bannon, roteirista do filme Alien, o oitavo passageiro (direção de Ridley Scott, 1979), munido do material que serviu de base para o primeiro longa. Os autores tiveram liberdade para construir um novo universo, autorizados pela 20th Century Fox Uncovered. Mais recentemente, essa empreitada foi republicada em Aliens: the original years omnibus — Vol. 4 (Max).
Em seu perfil no Instagram, Guilherme Balbi compartilha muitos de seus exercícios e trabalhos mais recentes — um deles, o monstro de The thing (do filme que no Brasil ganhou o título de O enigma de outro mundo). Sem dar muitos spoilers dos próximos passos, ele adianta estar envolvido em um projeto importante na Vault Comics e em parcerias habituais com a Marvel Comics e Studios. Paralelamente a tudo isso, ele pretende continuar com os eventos de formação.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de abril de 2026.
