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Jota.pê canta hoje em JP

publicado: 07/05/2026 09h20, última modificação: 07/05/2026 09h20
Cantor paulista é a atração do Projeto Seis e Meia, no Teatro Paulo P0ntes; Kennedy Costa é o show de abertura
Crédito foto_ Clara Lobo.JPEG

Jota.pê leva sua carreira solo em paralelo à dupla Àvuà (com Bruna Black) e ao Dominguinho, projeto com João Gomes e Mestrinho | Foto: Clara Lobo/Divulgação

por Daniel Abath*

Característica dos grandes intérpretes, o timbre de voz do cantor e compositor paulista João Paulo Gomes da Silva, que assina artisticamente Jota.pê, soa inconfundível. De voz suave, porém vigorosa, ele lembra que só veio a João Pessoa uma única vez, suficiente para se apaixonar pelas belezas da cidade. Animado em poder voltar, Jota.pê aporta no projeto Seis & Meia e faz show hoje, a partir das 18h30, no Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural, em Tambauzinho, com abertura do cantor e compositor paraibano Kennedy Costa. Os ingressos podem ser adquiridos pela plataforma Olha o Ingresso e na Loja Furtacor do MAG Shopping (em Manaíra), por R$ 140 (inteira) e R$ 100 (solidário + 1kg de alimento não perecível) — os bilhetes com desconto de meia-entrada encontram-se esgotados.

Em conversa com A União, Jota.pê afirma que o conhecido formato mais intimista do Seis & Meia não deve mudar em nada o teor da sua performance. “Acaba mudando mais de acordo com a minha formação”, diz ele. “Já fiz shows de voz e violão, em quarteto — como vai ser esse, com metade da minha banda —, e com banda completa. O arranjo acaba mudando o jeito que a gente pensa o show”.

Pelo repertório passeiam sucessos de toda a carreira solo (que ultrapassa uma década), diluídos em álbuns como o propulsor Se o meu peito fosse o mundo (2024), o debutante Crônicas de um sonhador (2015), além do EP Garoa (2021) e incursões sobre o cancioneiro de projetos que integra, como o duo Àvuà (que toca ao lado da cantora e compositora Bruna Black) e a mais recente e aclamada tríade parceira com o cantor João Gomes e o sanfoneiro Mestrinho no acústico disco Dominguinho (2025). Este último trabalho, inclusive, rendeu ao trio o Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa.

Para ele, não existe dificuldade em administrar as identidades sonoras do Àvuà, por exemplo, com sua produção autoral, “porque mesmo com esses projetos todos, cada um tem sua característica sonora e eu consigo identificar isso. E sempre puxar coisas do Àvuà pelo jeito que eu faço o solo, ou puxar coisas do Dominguinho, como é no Àvuà. Pra mim é bem natural e tranquilo; a banda me ajuda muito nisso também, na construção dos arranjos”, explica.

Ouro nordestino

O salão de suas principais referências musicais é feito de reboco, onde figuram quadros de nordestinos diletos, como Chico César, Djavan, Lenine ou Maria Bethânia. “Sem Djavan, Gilberto Gil e Lenine talvez eu não fosse músico, né?”, admite o cantor, que chegou a gravar hits atemporais do alagoano, como “Açaí” (que consta no setlist) e “Seduzir”.

Natural de Osasco e nascido em 14 de fevereiro de 1993, Jota.pê conquistou o Brasil e já ocupa lugar de respeito entre os artistas da música popular da atualidade. Oriundo de uma família de músicos, sua história com a arte foi forjada nos bares de São Paulo, influenciado pela MPB, pop e soul. Em 2018, o cantor participou da sexta temporada do programa The Voice Brasil. Não chegou a vencer a disputa, mas sua experiência no formato de auditório serviu de trampolim para conquistas muito maiores do que a consagração efêmera na telinha. 

Em 2021, o artista cruzou o Atlântico e excursionou pela primeira vez em terras estrangeiras, em turnê de passagem por Portugal. E eis que, em 2024, Jota.pê venceu três Grammys latinos com Se o meu peito fosse o mundo (álbum de música popular brasileira/música afrobrasileira, álbum de engenharia de gravação e canção em língua portuguesa).

No álbum, destacam-se canções sobre racismo e luta por reconhecimento, como o hit “Ouro marrom”, faixa que depõe sobre seu lugar de fala no mundo — “Sonhos sob meus pés/ Que as minhas mãos só toquem ouro/ Oração dos meus pais/ E bem mais atrás nosso tesouro”, conclama a letra em favor da dignidade para as vidas negras.

Nos moldes afetuosos do primeiro trabalho do trio, Dominguinho 2 chega exatamente hoje ao mundo fonográfico digital, com faixas autorais e canções selecionadas de outros artistas, a exemplo de “Pontes indestrutíveis”, reggae da banda Charlie Brown Jr. Agora, Jota.pê prepara-se para a gravação de um novo disco solo, ao mesmo tempo em que projeta novidades também junto ao Àvuà.

“Fico feliz de ver a reação das pessoas. Eu tento ser o mais verdadeiro e honesto possível com os motivos que me fizeram estar no palco, compondo essas canções e acho que o público sente isso. Então é sempre especial saber que esse público, esses lugares que geraram tantos artistas que eu amo também gostam do som que artistas do Nordeste e do Norte me influenciaram a fazer”, ressalta.

Prata da casa

Kennedy Costa lançou EP no ano passado | Foto: Rafael Passos/ Divulgação

Em misto de canções autorais e releituras, o cantor e compositor Kennedy Costa dá as boas-vindas ao paulista cantando, exclusivamente, a prata da música paraibana, que tanto lhe influenciou em sua formação musical. “Vou cantar Chico César, Vital Farias, Sivuca, Cátia de França, Zé Ramalho, fazendo um repertório autenticamente paraibano”, declara ele, que também vem acompanhado por banda.

Quanto às afinidades com Jota.pê, Costa reitera o inconteste talento do artista: “Acho muito importante a gente estar fazendo esse link entre os artistas que estão aí no cenário nacional, junto com os artistas locais — que são artistas também, e apenas não têm esse destaque da mídia”.

Afeito à ideia de que é possível conhecer um lugar por meio de seus compositores, o cantor, que lançou aos streamings no ano passado seu EP Pessoas, costuma enaltecer João Pessoa em muitas de suas antigas composições, tendência que também será revisitada na apresentação desta noite.

“São canções que a gente fala da nossa cidade, que é uma maneira de resgatarmos a nossa autoestima, falando que a cidade é bela”, entoa.

Além disso, este é o terceiro ano consecutivo em que Costa, ao lado do compositor Naldinho Freire, vem promovendo o projeto Ponte Sonora, estreitando laços musicais com artistas do Rio Grande Norte, Alagoas e Paraíba.

“Neste ano estamos fechando projetos com as três cidades — João Pessoa, Maceió e Natal. Vai se iniciar lá pro mês de setembro e como é projeto independente é tudo feito, como diz o ditado, ‘(na tora)lmente’”.

Através deste link, acesse o site para compra de ingressos

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de maio de 2026.