Lucy Alves está em casa. Pessoense, ela vem reforçando essa ideia nos materiais de divulgação do show gratuito que realiza hoje, no Busto de Tamandaré, às 19h. Desde dezembro, ela curte João Pessoa, sua família e prepara a apresentação que será gravada para um registro audiovisual, no qual recebe seis convidados: Elba Ramalho, Luizinho Calixto, Xande de Pilares, Dorgival Dantas, Joyce Alane e Priscila Senna. Ontem, mais duas atrações foram anunciadas como participações especiais: o bailarino Fernando Perrotti e a professora de escrita Iza Poetiza.
“Eu estou em João Pessoa, meu lugar. Mas esse é um show que eu quis fazer para usar também na estrada”, conta Lucy para A União. “Aí eu disse: ‘Cara, vamos fazer um show astral’. É uma coisa solar, mas é bem forró mesmo. E com brasilidades, obviamente, como eu sempre venho fazendo nas minhas produções”.
Elba é uma natural referência para Lucy, que a conheceu ainda adolescente, quando fazia parte do Clã Brasil, grupo formado por membros de sua família e da família do Maestro Chiquito. “Eu acho que painho [Badu Alves], talvez, conhecia a família dela”, recorda. “Eu tenho foto da gente pequenininha com ela, foi bem no início do clã, eu acho que devia ter 14 anos. A gente meio que fez uma apresentaçãozinha ali para ela, acho que na casa de um irmão dela, e desde então a gente veio mantendo contato”. 
Foi o primeiro nome em que Lucy pensou para o show de hoje. “Eu acho que ela é uma cantora brasileira que tem essa latinidade, que eu adoro também. Ela já misturou muito forró com essa coisa mais caribenha, com salsa”, aponta. “Para mim, a música latina do Brasil é a nossa, né? A nordestina. Esse forró bom tem essa ‘quentura’ assim. Elba é essa mulher que é um cartão-postal da Paraíba. É meio que pedindo mais uma vez a bênção dela”. As duas já gravaram clipe juntas, mas Lucy acredita que seja o primeiro registro audiovisual das duas juntas em um show.
A ligação de Lucy com o samba está representada através de Xande de Pilares. “Indo para o Rio de Janeiro, conhecendo tantas figuras, Xande é uma pessoa de quem eu me aproximei”, conta. “Eu acho ele tão Brasil! A gente ficava nesse desejo: ‘Vamos fazer alguma coisa, vamos fazer alguma coisa, vamos fazer alguma coisa’. E aí quando eu disse: ‘Xande, vou fazer um DVD. Pronto, vai ser aí’. Aí ele na hora topou”.
Joyce Alane vem para representar uma nova geração. “Da nova geração de compositoras, cantoras, acho que ela é uma das mais talentosas”, diz. “A gente também fez uma colaboração juntas recentemente, num álbum dela que esteve indicado ao Grammy agora, Casa Coração. Eu acho que é importante trazer os medalhões, mas também mulheres que fazem parte dessa nova safra, que também são inspiração para mim”.
Dorgival Dantas faz parte do time dos medalhões e se apresenta com Lucy Alves em uma canção inédita. “É um grande, grande, grande medalhão”, elogia. “Eu tenho uma grande admiração por Dorgival, porque eu acho que ele conseguiu construir uma coisa que é muito difícil: ele consegue transitar muito bem no leque completo do forró, seja no piseiro, seja no vaneirão, seja no xote mais pé de serra. E eu acho que eu faço um pouco disso também hoje. Adoraria produzir algum álbum com ele. Eu tenho certeza que vai dar muito bom. Acho que ele é muito visionário. Ele é um cara que entende da música do povo: já embalou a vida de muita gente com as canções dele”.
Priscila Senna é mais uma convidada. “Há muito tempo que ela constrói uma carreira bonita, sólida e genuína. Sou fã da pessoa, da voz, do repertório”, conta Lucy. “Como a noite está cheia de mulheres que são inspiradoras para mim, fiquei feliz que ela aceitou. A musa do brega trazendo mais um tempero, mais um ritmo para a noite”.
Luizinho Calixto, uma mestre da sanfona de oito baixos, abre a noite ao lado de Lucy Alves. “Como falar de forró na Paraíba e não reverenciar um dos caras que carrega o legado, né?”, pergunta. “Da sanfona de oito baixos, que é uma coisa que está pedindo até um carinho maior, um olhar”.
O bisavô de Lucy tocava o fole de oito baixos e ela também já tocou o instrumento. “Tô meio enferrujada, na verdade. É mais difícil”, confessa. “Eu admiro bastante quem toca esse instrumento com destreza mesmo”.
Atriz de TV e teatro e multi-instrumentista, foi com a sanfona que a cantora apareceu para o mundo. Curiosamente, foi por causa do Clã Brasil que ela assumiu o instrumento.
“Eu comecei tocando violino, aí toquei piano”, lembra ela, que era cercada de música em casa quando criança e estudou na Escola de Música Antenor Navarro e num curso de musicalização na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “Então, desde muito criança, eu já era instrumentista. Surgiu a ideia de formar o Clã Brasil, aí foi quando eu pensei: ‘Ah, vai precisar de uma sanfona aqui, né?’. Foi nessa época também que eu comecei a cantar, eu não era cantora”.
E ela, que tocava cavaquinho, passou para as teclas. “Eu gosto de aprender, eu gosto de desafio assim. E nunca mais larguei”, conta. E a sanfona simboliza muita coisa para a gente que trabalha com música nordestina. Então, eu também aprendi a me apaixonar por ela e ela me abriu muitas portas”.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 14 de janeiro de 2026.