Hoje, dia 26 de maio, comemora-se o Dia Nacional do Sanfoneiro. E, por mais que a data se faça associar no senso comum ao nome do pernambucano Luiz Gonzaga (1912–1989), o patrono maior da efeméride é um paraibano de Itabaiana, conhecido por sua genialidade ao instrumento, o multi-instrumentista Severino Dias de Oliveira, ou, simplesmente, Sivuca (1930–2006). Em João Pessoa, desde 2011, uma orquestra composta apenas por sanfonas, vinculada à Associação Cultural Balaio Nordeste (ACBN), tem contribuído para a disseminação das práticas culturais e a formação musical voltada para o instrumento tipicamente venerado pelos nordestinos.
Trata-se da Orquestra Sanfônica Balaio Nordeste (OSBN), regida pelo sanfoneiro Lucílio Souza. “Pra você ver como é a música nordestina, porque poderia ser ‘dia do acordeonista’, porque contemplaria todo mundo — no Sul é gaita, ponto”, harmoniza Lucílio. “Quando a gente diz ‘Dia do Sanfoneiro’, estamos falando do músico nordestino. A Paraíba tem uma contribuição imensa pra esse estilo, essa forma musical que a gente toca. O Brasil inteiro conhece a Paraíba justamente pelos seus sanfoneiros”.
Completando 15 anos em atividade, a OSBN evoca uma história comprovada por músicos que passaram a ter contato direto com os palcos e a entender mais acerca da produção musical como um todo. “É uma formação nesse sentido, bem como na qualificação de cada músico que integra a orquestra”, afirma o maestro.
O próprio repertório orquestrado para o instrumento e as leituras musicais de maior complexidade acabam por aperfeiçoar e atualizar os estudos diante da troca de experiências entre músicos veteranos e iniciantes. Na dinâmica, os alunos primeiro têm aulas com Lucílio como uma preparação para o ingresso na orquestra, já que os arranjos construídos para o conjunto de sanfonas são bem diferentes daqueles de uma banda comum ou um trio de forró.
“A ideia é pensar nessa formação a partir de crianças. Tenho quatro novos alunos, na média de 12 anos, que são muito talentosos. E o sonho desses meninos é de participar do grupo, o que mostra como a orquestra tem influenciado a sociedade, a ponto de vermos meninos que têm o desejo de querer aprender a tocar sanfona a partir do que assistem da orquestra”, ressalta.
A OSBN, que tem sua sede no prédio da Associação Comercial da Paraíba (Ascom-PB), localizado na Rua Maciel Pinheiro, no Centro da capital, admite em seu corpo de sanfonas adolescentes de 14 anos em diante. Mas é preciso que o candidato possua o instrumento e conhecimento musical prévio.
“Dou prioridade ao mais jovem, porque o adulto tem onde estudar, se qualificar e já entrar na orquestra, caso ele queira, com a qualificação que ele mesmo corre atrás. Já a criança e o adolescente muitas vezes depende dos pais”, Lucílio explica.
Com apresentações em diversos espaços da cidade, a Balaio Nordeste já teve circulação internacional — passou pela França em três ocasiões, esteve no Peru e cogita tocar na Itália. Com o tempo, o grande grupo também agregou cantores, como a artista independente Helayne Cristini, que integra a orquestra há cerca de cinco anos.
“Esse período tem sido de grande importância na minha trajetória artística e pessoal”, diz ela. “Pra mim, esse projeto vai muito além dos ensaios e das apresentações de forró que fazemos. Ele é um trabalho de valorização, resistência e preservação da nossa cultura nordestina, mantendo viva a força das nossas raízes, da nossa música e da nossa identidade”.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 26 de maio de 2026.