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Podcasts ganham mais espaço e produção de conteúdo na PB aumenta

Com a quarentena, ferramenta virtual vem sendo usada cada vez mais como alternativa para se aprofundar em temas diversos

por publicado: 09/07/2020 11h03 última modificação: 09/07/2020 11h03
Exibir carrossel de imagens Cada vez mais comuns, os podcasts oferecem conteúdos que envolvem nichos específicos e que podem ser consultados a qualquer momento

Cada vez mais comuns, os podcasts oferecem conteúdos que envolvem nichos específicos e que podem ser consultados a qualquer momento

por Cairé Andrade

Como alternativas para conhecer e se aprofundar em assuntos diversos no período que exige freio no ritmo e na produção de atividades, os podcasts têm crescido e ganhado cada vez mais força. Entre as produções nacionais, podem ser encontradas nas plataformas digitais inúmeras opções que abordam vários assuntos em bate-papos mais específicos e esclarecedores. Na Paraíba não é diferente. Há variedades destinadas a públicos diversos e que abrangem uma grande diversidade de assuntos de cunho social, político e de entretenimento.

O que poderia ser considerado uma “modernização” ou um novo passo para o rádio, o podcast é, na verdade, um complemento em formatos consistentes e aprofundados de fatos ocorridos naquele período da gravação. Inclusive, atualmente o podcast se transforma em uma ferramenta que complementa produções audiovisuais ou matérias jornalísticas, expandindo ainda mais o que é abordado.

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Rádio Tabajara oferece programas reeditados e conteúdo exclusivo de podcast
Um exemplo é a Rádio Tabajara, que oferece, através das plataformas digitais, programas veiculados originalmente na emissora como possibilidade para ouvir de novo ou para conhecer mais sobre o tema que não deu tempo acompanhar ao vivo. “Os programas são reeditados para se aproximar do formato de podcast”, explica o gerente de jornalismo, Marcos Thomaz.

Além da adaptação dos programas já veiculados ao vivo, a Tabajara tem uma programação paralela de podcasts exclusivos para as plataformas, mas que, devido à pandemia, está em pausa. “É um material mais denso, com abordagem mais profunda dos diversos temas atuais da respectiva semana. É uma abordagem que vai além do jornalismo factual”, conta Thomaz. Uma das metas da rádio, segundo ele, é se aprofundar nesse formato.

“O podcast funciona como uma rádio do futuro, mas com conteúdos que envolvem nichos específicos e que podem ser consultados a qualquer momento”, analisa o gerente de jornalismo da Tabajara. “O podcast é um setor de agregação à marca do rádio que traz um novo público, e que volta a atenção para o que se está produzindo na rádio, que faz notícia diariamente e está em constante rotatividade. Somam-se então os elementos enquanto possibilidades que estão sempre se renovando”, completa.

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Podcast 'Nossa Fala' sendo gravado em estúdio
Complementos
Movimento que integra diversas plataformas, o Nossa Fala é uma iniciativa de Érica de Oliveira e Marcela Quirino, e é formado por mais de 30 mulheres que realizam textos, vídeos, ilustrações, e, dentre outras atividades, podcasts. Voltadas para temas que possam provocar interesse de todos os gêneros, o grupo varia as apresentações entre si e convida também homens para participar da conversa.

As temáticas permeiam entre o universo da mulher contemporânea e à sociedade como um todo. Toda terça-feira vai ao ar um episódio. “O primeiro episódio foi dedicado ao Dia Internacional da Mulher, tratamos sobre corpo livre, arte e temáticas que são relevantes e que estão em alta na semana. Mas, em geral, os programas têm caráter político, social e informativo, como também de entretenimento. Procuramos trazer conteúdos atrativos e atuais em linguagem mais leve”, explica Érica de Oliveira.

A preocupação da equipe, como conta uma das fundadoras do grupo, é abranger assuntos que possam atrair diferentes públicos. “Dentro disso, a gente fala sobre feminismo e procura atrair mais homens para a conversa. Existem muitos interessados nessa temática que envolve a mulher contemporânea e tentamos trazê-los para perto da gente, para agregar à discussão”.

Jornalista, Érica de Oliveira se define como uma apaixonada por rádio, mas reconhece que o veículo explora outra linguagem. “De fato, o rádio tem o caráter mais imediato. Mas o podcast vem exatamente em um momento de ritmo de vida muito acelerado no qual a gente tem que montar a própria programação. A gente dedica um tempo agora para parar e ouvir um podcast”.

Érica entende a importância de se convergir a rádio e o podcast. “Possibilita para quem não pode ouvir na hora consultar o programa posteriormente. Não acredito que o podcast vá anular o rádio, mas é um importante complemento”, frisa.

A ferramenta já é relativamente antiga, tendo início em 2004, no Reino Unido. No Brasil, vem ganhando força, principalmente nos últimos meses por conta da pandemia. “Durante a quarentena vem subindo tanto o número de produtores quanto de ouvintes que conversam sobre novos temas que nos permitem evoluir como pessoas”, aponta Érica.

Músico traz para o “palco” do podcast quem é marginalizado

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Marcelo Fontes, artista e criador do projeto Se Eu Parar Você me Vê

Um dos estreantes no podcast na Paraíba é o músico Marcelo Fontes, que está com seu novo projeto Se Eu Parar Você me Vê, trazendo palco para quem é, muitas vezes, marginalizado. Com ele, estão no projeto Carol Figueiredo, responsável pelas mídias sociais e divulgação, Leonardo Guedes, responsável pelas artes e identidade gráfica, Lucas Panta na montagem e edição, e Marcos Aragão nos vídeos e divulgação.

O foco do programa é abordar profissionais que integram a classe trabalhadora e que tem, na sociedade, sua importância diminuída. “Para nós, sem o pedreiro que constrói o prédio, o engenheiro não conseguiria completar o seu trabalho, então todos trabalhadores e trabalhadoras que doam seu tempo para o funcionamento da sociedade são igualmente importantes”, argumenta. “A gente conversa sobre a profissão e vida pessoal dessas pessoas, sobre a visão de mundo ideal, e traz a ideia de que nem tudo é só dor, que elas também são felizes”.

Trazer a visibilidade dos trabalhadores através do podcast, segundo Fontes, é a possibilidade mais viável e prática. “A gente precisa se adequar à rotina de cada entrevistado e a ferramenta mais democrática é o áudio de WhatsApp, que permite que eles gravem quando puderem”. Entre o público, ele já relata observar a maior parte interessada é jovem. “Talvez por ter a ver com orientação política, já que estamos falando de luta de classes”.

O músico não pretende limitar seu podcast à plataforma on-line, e ele pensa em migrar para o rádio um dia. “Quero que se torne um programa de rádio, pois acredito que alcança mais a classe trabalhadora, para que eles possam ouvir pessoas como eles e possam perceber que tem gente querendo ouvir o que eles querem dizer. Também penso em fazer cópias em CDs e distribuir entre ambulantes para que eles possam vender e mais pessoas possam ter acesso ao material. Eles precisam se sentir importantes, com voz”.

*publicada originalmente na edição impressa de 09 de julho de 2020.

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