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PriCler lança canção premiada

publicado: 06/02/2026 08h46, última modificação: 06/02/2026 08h46
“Deixa eu cantar aqui” venceu o Festival de Música da Paraíba em 2025
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PriCler (no centro) e as Panteronas ganham a companhia de Chico César na gravação | Foto: Divulgação

por Daniel Abath*

Com “Deixa eu cantar aqui”, a cantora e compositora Priscilla Cler, a PriCler, vencia, no ano passado, a 8ª edição do Festival de Música da Paraíba. Celebrando a conquista, seu grupo, o PriCler e as Panteronas, lança hoje a canção nas plataformas de streaming. A música deve compor, ainda no primeiro semestre deste ano, o primeiro álbum de estúdio da banda, sob o selo paraibano da Taioba Music.

Dotada de teor político e afetivo acerca da arte que é feita na Paraíba, “Deixa eu cantar aqui” foi composta por PriCler e Pedro Medeiros especialmente para o festival. O motivo inicial da canção-manifesto tergiversa a luta de um amigo artista por reconhecimento, de partida para o Sudeste — a frase-título da canção, incorporada ao tema, nasceu de uma péssima experiência em que a cantora fora impedida pela polícia de subir ao palco em função do horário.

“A frase ficou martelando na minha cabeça”, diz ela sobre a música, que conta ainda com a participação especial de Chico César. “Chico já chegou com uma música pronta para cantar, ouviu as minhas sugestões sobre a divisão da música entre nós, e também contribuiu criativamente, cantando um aboio no fim. Ficou lindo”, comenta.

O encontro para o feat aflorou pós-festival. Quando viu um vídeo de apresentação da canção que PriCler publicou em suas redes sociais, o mestre catolaico apaixonou-se e as interações posteriores culminaram com o encontro em estúdio. “Resolvi arriscar e chamar Chico para cantar com a gente. Ele simplesmente topou”, conta a cantora.

Soprando o vento quente do descontentamento diante do tratamento despendido aos artistas independentes, a artilharia vocal de PriCler emoldura em “Deixa eu cantar aqui” a emoção real, que ora compartilha: “Deveriam pagar os músicos daqui do mesmo jeito que pagam os músicos de fora. Deveriam tratar os músicos daqui com o mesmo respeito que tratam os músicos de fora, deveriam oferecer as mesmas condições de trabalho, de camarim, de palco, de técnica, de tratamento, de respeito”.

De acordo com Priscilla, a disparidade dos cachês pagos entre as bandas “de fora” e as “de casa” é grande. “As poucas bandas daqui que vão tocar no Carnaval vão tocar várias vezes. Algumas, né? Não querendo tirar o mérito artístico, tem que trabalhar mesmo, mas, assim, estou falando também de programação feita com dinheiro público. Por que é que tem bandas que vão tocar três, quatro vezes e outras bandas não vão tocar nenhuma? Fica aí o questionamento. Será que está equilibrada a distribuição do dinheiro público na programação dos eventos da cidade? Eu não sei”, afirma.

Fazendo convergir arte e realidade, a impressão da compositora é a mesma ecoada por sua canção, quer seja a de que o artista independente não é valorizado, até que entre na lógica do chamado “êxodo cultural”. “Fazer um nomezinho lá fora para voltar para cá e fazer arte com respaldo dos sudestinos. É muito triste, eu acho horrível isso que acabei de dizer, mas é uma impressão bem forte que eu tenho”, entoa.

Afora Priscilla, PriCler e as Panteronas é formada por Bruno Alves (baixo), Thamires Ellis (bateria), Cassicobra (percussão), Pedro Medeiros (guitarra), além de Bárbara Pontes e Dani Baldissera (backing vocals).

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de fevereiro de 2026.