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Professor é finalista do Jabuti

publicado: 20/10/2026 09h32, última modificação: 20/10/2026 09h32
Juvino Alves Maia Júnior, da UFPB, concorre na categoria Tradução pela edição de Plotino Enéadas
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O professor cearense traduziu do grego os tratados do filósofo neoplatônico | Imagens: Reprodução/Nova Acrópole

por Daniel Abath*

Nascido em Fortaleza (CE), Juvino Alves Maia Júnior, professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), está entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2026 na categoria “Tradução”. O mestre concorre com a obra Plotino Enéadas (Editora Nova Acrópole), primeira tradução integral e bilíngue para a língua portuguesa em quatro volumes que reúne 54 tratados do filósofo neoplatônico. Os vencedores da premiação serão anunciados no próximo dia 27 na Sala São Paulo, na capital paulista, com transmissão ao vivo pelo canal da Câmara Brasileira do Livro (CBL) no YouTube.

Para o tradutor, o reconhecimento reflete o que se espera de melhor em âmbito acadêmico: “Tudo mais a gente vai conseguindo, vai alcançando pequenos objetivos, mas o reconhecimento talvez seja o ponto final, onde você diga que agora realmente a gente tem algo alcançado. Acho que faz tempo que nós não temos um exemplo, porque nós tínhamos na concorrência alguns outros textos dos clássicos, acho que uns dois ou três, não me lembro bem”.

Geralmente, como explica Juvino, o impeditivo à progressão no páreo está diretamente relacionado com a produção editorial. Sobretudo quando pensamos na experiência em trabalhar com textos no grego – mesmo sendo mais comum, ainda assim o latim apresenta os mesmos problemas.

“Eles ficam em dúvida de como fazer. É como se você estivesse editando um texto em chinês, uma coisa que você não conhece absolutamente nada. Aí eles ficam perguntando e a gente entra falando: ‘Olha, as edições europeias fazem assim. Era melhor fazer desse jeito. Tem que fazer, por exemplo, numerando as linhas, colocando um título, colocar os índices’. E tudo isso é um trabalho danado”, detalha Juvino, que fez questão de publicar no formato de justalinear, com o texto numerado à esquerda e a tradução paralea, na subsequente página à direita.

Escritos em fins do século III, durante o tempo em que Plotino viveu em Roma, os tratados das Enéadas se debruçam sobre questões metafísicas, como a origem da vida, a alma e seus vínculos com a corporeidade dos seres humanos, bem como o destino do indivíduo na Terra. A base conceitual se encontra ancorada em Platão, mas também bebe da fonte dos pensadores pré-socráticos. Depois da morte do autor, a obra foi reunida por um de seus discípulos, Porfírio, agrupada em séries de nove argumentos a cada volume – por isso o nome, do grego ennéa, que significa “nove”.

Traduzir o texto não significa, no entanto, reduzir sua complexidade. Muito pelo contrário, traindo minimamente a essência do que é dito, Plotino Enéadas se mostra uma obra densa e de enorme dificuldade ao leitor comum, não iniciado às clássicas letras. Diz-se que até mesmo os discípulos do filósofo esbarravam na incompreensão de seu pensamento, tamanho o hermetismo de suas conjeturas e hipóstases.

“Esse texto não é um texto aberto. Ninguém pode dizer isso”, atesta. “Os argumentos, que são esses longos capítulos das Enéadas, são muito simbólicos. Você precisa estudar, conhecer Platão, a filosofia muito bem dele, para poder adentrar. Nunca ninguém editou as Enéadas completas, porque é muito vasto. E [os editores] cobriram a aposta, digamos assim, por uma linha de pensamento de alguém que trabalhou mais de 10 anos nisso, só com esse texto. E deu certo por isso”.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de outubro de 2026.