Sérgio Botelho, jornalista e produtor de conteúdos memorialistas sobre a história de João Pessoa, é o mais novo membro do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba (IHGP). Eleito no último sábado (16), Sérgio assume a cadeira do historiador Thomas Bruno de Oliveira, falecido em dezembro do ano passado. A posse de Sérgio está prevista para acontecer em setembro, por ocasião das festividades dos 121 anos de fundação do instituto.
Escolhido por unanimidade entre os votantes presentes ao pleito, Botelho ressalta a satisfação quanto ao reconhecimento de sua caminhada enquanto contador dos fatos históricos de sua cidade. “É um reconhecimento pelo fato do trabalho ter até uma boa audiência, porque uso Facebook [@botelhosergio] e Instagram [@paraiba.jampa] – são quase 22 mil seguidores. Não é na casa do milhão”, ele brinca, “mas já satisfaz”. Segundo o jornalista, seus escritos são replicados diariamente em distribuição virtual que chega a alcançar mais de 500 pessoas. “Foi um excelente reconhecimento – isso faz bem à gente”, ele confessa.
Quanto às contribuições à casa, Sérgio diz estar disposto a somar em tudo o que for possível, sobretudo em prol da aproximação do instituto à população, o que na sua opinião já vem sendo feito. Uma primeira missão, adiantada pelo presidente da casa, Jean Patrício, é a de criar um evento mensal, quiçá aos sábados, denominado “Café com história”. O formato ainda está em discussão, mas já prenuncia o bate papo dos tempos idos.
Botelho quase chegou a concluir a graduação em História – participou inclusive da fundação do Núcleo de Documentação e Informação História Regional (NDIHR), órgão suplementar da Reitoria da Universidade Federal da Paraíba. “Participei das primeiras discussões e sempre tive um interesse muito alto a esse respeito, mas enveredei pelo jornalismo político”, conta ele, que em 2010 chegou a substituir o então jornalista Martinho Moreira Franco em A União, cobrindo suas férias.
Dali em diante, mesmo com frequência mais esparsa, passou a escrever sobre o tema e de uns três anos para cá assumiu para si a tarefa de escrever diariamente sobre a história da capital, ele que nasceu e se criou no Centro e até chegou a andar de bonde. “Desde os sete anos que eu já ‘morcegava’ bonde. Eu morava na [rua] Artur Aquiles e subia na Visconde de Pelotas. Quando ele vinha passando eu morcegava e saltava lá na Praça do Bispo”, relembra espirituoso acerca da arte de pegar o bonde andando, e da não menos importante técnica de saltar dele em movimento.
Assegurando que nem tudo anda como dantes no quartel de Abrantes, Sérgio diz ter testemunhado o Centro da capital, nas suas palavras, em “um outro tipo de existência”, principalmente em relação à presença massiva de imóveis residenciais. E assevera a importância do Instituto Histórico como sendo a casa da preservação da memória da Paraíba: “Antes do Instituto Histórico o que existia de história da Paraíba era diluído em historiadores pernambucanos, do Sul do país. Irineu Pinto, Coriolano de Medeiros, esse pessoal que fundou, fundou também a historiografia paraibana, e disseram: ‘Aqui nós temos história também’”.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 19 de maio de 2026.