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Serra da Raiz tem festival de cinema até sábado

publicado: 23/04/2026 09h03, última modificação: 23/04/2026 09h03
Festcine Copaoba começa hoje e tem exibições, debates e shows musicais
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A fome de Lázaro, de Diego Benevides, será exibido hoje à noite | Foto: Divulgação

por Esmejoano Lincol*

Começa hoje a terceira edição do Festcine Copaoba, no município de Serra da Raiz, Agreste do estado. O evento, gratuito, estende-se pelo fim de semana em espaços públicos do Centro da cidade, com mostras competitivas de curtas-metragens, rodas de conversas e um tributo à atriz paraibana Ingrid Trigueiro. Na abertura, a partir das 19h, na Praça Iniguaçu, será exibido o filme A fome de Lázaro, de Diego Benevides. A grade completa está disponível no perfil do festival no Instagram (@copaobafestcine).

O cineasta Torquato Joel, um dos coordenadores do Copaoba, explica que o evento teve início em 2018, como desdobramento dos projetos que ele mantém junto à Universidade Federal da Paraíba (UFPB): o Viação Paraíba e o Laboratório de Roteiros Cinematográficos para Jovens do Interior (Jabre). “A gente chegava num pequeno município e promovia, além de uma mostra de curtas nordestinos, um curso com noções de cinema para jovens. Decidimos que cada cidade teria um filme a ser feito sobre uma temática local”, informa.

Após algumas mudanças no perfil dos curtas projetados e um hiato entre a segunda e a terceira edições, Torquato e os colegas decidiram retomar a iniciativa, adicionando, agora, as apresentações musicais, mas imbuídos do mesmo intuito que tinham na gênese do projeto. “Estimular o surgimento de realizadores, difundir a percepção crítica da linguagem do audiovisual e promover o acesso democrático ao cinema. Na internet, esses espaços são relativamente disponíveis, mas a população pouco compreende como usá-los”, sinaliza.

Um dos destaques desta edição do Copaoba é a roda de conversa sobre os 15 anos do Laboratório Jabre (no sábado, às 10h, na Casa Pau d’Arco), responsável pela formação de dezenas de profissionais, que, apesar das dificuldades, mantêm uma produção regular. “Até um tempo atrás, o cinema que era feito sobre a nossa realidade tinha uma ótica externa — muita gente de fora, sobretudo os sudestinos. Essa é a idéia do Viação e do Jabre: fomentar a aparição de diretores e roteiristas que também pertencessem àquele lugar”, crava.

Shows musicais encerrarão as atividades em cada um dos dias, sempre às 21h30: hoje, um baile com canções dos anos 1980; amanhã, Seu Pereira e Coletivo 401; no sábado (25), Totonho.

Sobre o tributo a Ingrid Trigueiro (durante a cerimônia de encerramento, no sábado, às 19h), Joel assevera a participação da atriz em títulos recentes, a exemplo de Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. “Ingrid esteve recentemente num filme lindo, dirigido por Rodolpho de Barros [o curta A arte de morrer ou Marta Díptero Braquícero]. Ela é uma atriz impactante, seja no teatro ou no cinema, mas tem tido, nos últimos anos, uma visibilidade maior por conta dessa atuação expressiva nos filmes”, atesta.

Fazendo um balanço de suas empreitadas na última década e do avanço que ele e seus pupilos perceberam no segmento audiovisual, Torquato aponta um incremento importante nos sets de gravação, nos cursos e nas mostras exibidoras.

“O cinema sempre foi um ambiente de homens. Nas primeiras edições do Jabre, sequer tínhamos mulheres inscritas. Depois, o público feminino tornou-se maior. Por isso que um de nossos debates [no sábado, às 15h, na Casa Jenipapo] será com Veruza Guedes [cineasta egressa do laboratório]”, conclui.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 23 de abril de 2026.