Em 2026, o Serviço Social do Comércio (Sesc) completa 80 anos de uma jornada voltada, entre outras ações, para o campo da cultura. A efeméride inspirou o Sesc Paraíba à realização de 80 anos de cultura: retrospectiva artistas do Sesc Publica, exposição coletiva aberta no último dia 12 na Galeria do Hotel Sesc Cabo Branco, na orla da capital. A mostra inédita convoca 13 artistas paraibanos que foram publicados em livros especiais pelo selo da instituição a exporem uma de suas obras, com visitação gratuita e aberta ao público até o dia 30 de abril.
A reunião conforma narrativa visual orquestrada por trabalhos de Flávio Tavares, Cristina Strapação, Clóvis Júnior, Alice Vinagre, Wilson Figueiredo, Gina Dantas, Rodrigues Lima, Heloísa Maia, Alberto Lacet, Tito Lobo, Mirabeau, Antonio David e Irismar Fernandes (in memoriam).
O fotógrafo Antonio David afirma que a iniciativa marca oito décadas de memória e da força da arte paraibana. “O Sesc fez um vídeo institucional e um catálogo da exposição mostrando o livro de cada artista. O meu trabalho [exposto] foi uma foto da praia, que eu tinha feito durante o dia, mas com uma luz bem bonita, saindo de cima da nuvem e descendo, iluminando os barcos”, detalha sobre o registro realizado em Cabedelo.
David lembra ter sido o pioneiro junto às publicações locais do Sesc, com o livro O Ser e o Mar (2014). “Eles valorizam muito a arte e acabam difundindo também para o interior. É uma iniciativa importantíssima essa do Sesc”, comenta.
Já “Liberdade sempre”, obra do artista plástico Clóvis Júnior pertencente ao acervo do Sesc, depõe às paredes da galeria acerca da força perene da natureza sobre os homens, transmutada em quatro pássaros enredados pelos ramos do cajueiro, assinatura maior do pintor. Clóvis explica que cada um dos 13 artistas envolvidos na coletiva doaram uma obra em contrapartida à ação.
A pintura naïf do artista nasceu em 2018, ano em que o selo publicou o epônimo Clóvis Júnior. “É o único órgão hoje na Paraíba que se dedica a divulgar a arte, e as artes plásticas principalmente”, diz ele. “Essa minha obra representa a liberdade, como os pássaros [que] têm a liberdade de voar, vão pra onde querem. Já que o homem não têm asas, ele pode voar através dos sonhos, do pensamento. Isso é fantástico: você não tem asas pra voar, mas através da sua imaginação você sente esse prazer da liberdade de pensar e de voar e imaginar coisas que até nem existem”.
“Um povo sem cultura é um povo sem história. Os artistas fazem parte de tudo isso; têm esse papel de registrar a história e fazer a história”, acrescenta Clóvis Júnior, que atualmente se debruça sobre a pintura de um painel de 36 metros, encomendado para Recife. A obra, tal como a homenagem do Sesc, se volta para elementos pictóricos da cultura regional, embebidos que são por influências paraibanas e pernambucanas.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de março de 2026.