Muito se discute, até hoje, na mídia especializada e entre os artistas ao redor do mundo, sobre uma suposta “morte do rock”. Para os próprios músicos do segmento, a resposta a uma tal especulação é quase sempre a mesma: o rock é uma atitude e, como tal, nunca morre. Atento a essa ideia e voltado para a cena rock do século 21 (nacional, internacional e, claro, a paraibana) estreia hoje, às 20h, na Parahyba FM 103.9, o programa 103.Rock, ao vivo também via internet (no endereço epc.pb.gov.br/radio-ao-vivo). No comando da apresentação, toda quarta-feira, às 20h, está a cantora e compositora Val Donato.
Serão quatro blocos de 30 minutos, totalizando duas horas de duração, em quadros como “DDD 83” (com destaque contextualizado para bandas e roqueiros locais), “Sangue novo” (sobre os lançamentos da semana), “Batalha 103” (o público escolhe entre duas músicas para ouvir no último bloco), “Descoberta 103” (aqui o ouvinte sugestiona bandas de fora do circuito e que merecem ser ouvidas) e “Rebeldia” (assumindo o espírito contestatório do gênero, é o momento em que toca um rock clássico do século passado, contrariando o epíteto de “rádio do século 21”).
Tudo começou com a história exitosa do programa Rock do Brasil, abrangendo amplo leque temporal dos rocks clássicos, que Val apresentou dos anos de 2018 a 2023, sempre nas tardes de sábado na Rádio Tabajara (105.5 FM). De posse da experiência pregressa e atendendo a um convite da gerência de programação da rádio, Val topou de imediato quebrar o hiato que deixou na rádio vizinha: “O Rock do Brasil tinha um público bem interessante, bem fiel, e que ficou nessa carência”, afirma a apresentadora.
“A gente tá sempre buscando novidades, buscando sempre estar próximo do ouvinte e um programa [de rock] foi uma demanda muito da parte dos ouvintes”, reitera André Cananéa, gerente executivo da Parahyba FM. “Ter uma pessoa como Val Donato na equipe — uma talentosíssima artista, cantora e compositora, e um dos ícones do rock aqui na Paraíba —, naturalmente a coisa convergeria para ela, mais cedo ou mais tarde, apresentar um programa de rock. E esse dia chegou”.
Val confirma o desafio de adequar a pegada mais aberta do Rock do Brasil à proposta da Parahyba FM, de compor a grade somente com músicas do século 21, ou seja, lançadas de 2001 para cá. “A gente que curte rock and roll muitas vezes fica muito apegado realmente às bandas clássicas, né? Bandas dos anos 1960, 1970, 1980… os anos 1990 ainda renderam muita coisa e a gente fica com essa sensação de que o rock dos anos 2000 perdeu um pouco de força. Mas isso a gente precisa investigar mais a fundo”, ela comenta.
Val, que é gerente operacional de programas da emissora, relembra do programa antecessor com alegria. Afinal, foi sua primeira experiência com rádio, não apenas como locutora, mas também operando a mesa de som, um aprendizado que, como ela mesma diz, a fez ganhar uma nova profissão.
De qualquer forma, trata--se de uma função conectada à música, seara familiar à campinense e na qual labuta, desde o início do século, com a dose acertada da atitude rock exigida pelo programa.
Quanto à cena roqueira paraibana, Val cita como exemplo a banda Papangu — que este ano marcou presença no Lollapalooza, um dos maiores festivais de música alternativa do país — para ilustrar o excelente momento que vivido pelo segmento no estado, não esquecendo das várias bandas independentes que surgem a todo instante, inclusive femininas.
“A gente tem nomes muito jovens aí chegando, mostrando que o rock ainda tem uma longa estrada pela frente e que não vai morrer tão cedo”, diz ela ao confessar as saudades que sente dos botões da mesa de som: “Tô ansiosa pra jogar esse ‘videogame’ de novo”.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de maio de 2026.