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‘Dia Nacional do Braille’ é comemorado neste domingo

por publicado: 08/04/2018 00h05 última modificação: 07/04/2018 07h12
Marcos Russo Otto de Souza contribui para que outros deficientes visuais tenham acesso à informação

Otto de Souza contribui para que outros deficientes visuais tenham acesso à informação


Iluska Cavalcante

Ler e escrever são atividades essenciais para a formação educacional e para a comunicação na vida de qualquer pessoa, e com os deficientes visuais isso não é diferente. Neste domingo, dia 8 de abril, é comemorado o Dia Nacional do Braille, sistema de escrita tátil importante que proporciona a inclusão de deficientes visuais desde o século 19. É através do sistema Braille que as pessoas cegas são incluídas e têm acesso à literatura, informação e educação.

De acordo com o Censo demográfico 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), de 823.039 pessoas com algum tipo de deficiência visual na Paraíba, 8.477 são cegas.

Otto de Souza faz parte desta estatística. Perdeu a visão ainda criança, mas, aprendeu a usar outro sentido para se comunicar e aprender: o tato. Foi através do sistema Braille que teve a possibilidade de estudar e se formar no curso de rádio e TV na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Hoje, a leitura e escrita fazem parte do seu dia a dia.

Apesar de ter acesso a tecnologia para escrever e escutar através do computador, algo que poucos deficientes visuais têm acesso na Paraíba, Otto não dispensa ter o papel sempre à mão. “Apesar de ter os programas de voz no computador para escrever e digitar, nem sempre você tem o computador disponível para poder fazer isso. Então nada melhor do que ter uma folha em braille, ou um livro, seja o que for, para você ter em mãos na faculdade, na escola. Sem o braille com certeza eu não teria como ter adquirido esse aprendizado que tenho hoje”, declarou.

Como comunicador, Otto contribui para que outros deficientes visuais tenham acesso à informação. Ele é funcionário do jornal A União, e trabalha diariamente na elaboração do jornal em Braille mensal, como revisor Braille. “O jornal leva a informação e inclui os deficientes visuais. Apesar da tecnologia atual, nem todo mundo tem computador para fazer a sua leitura. Então é importante ter o acesso ao jornal para ficar por dentro das notícias do dia a dia”, comentou.

O sistema de inclusão é realizado pelo Governo do Estado por meio da Superintendência de Imprensa e Editora A União. Este é o primeiro jornal impresso da Paraíba a ter a iniciativa de imprimir edições periódicas em Braille. Cerca de 300 deficientes visuais têm acesso ao serviço no Estado e podem ler gratuitamente as edições.

Na opinião da superintendente do jornal A União, Albiege Fernandes, a iniciativa ganha valor principalmente pela importância inclusiva. “Eu te garanto que o pioneirismo de A União vai ficar para a história, é importante, mas a decisão de fazer isso não foi pra sair na frente, foi pra incluir”, disse.

Albiege enfatizou que a inclusão é o foco há muito tempo. “As políticas de inclusão são espinha dorsal, a envergadura maior do governo do PSB de Ricardo Coutinho”, comentou.

Para o diretor de operações do jornal A União, Gilson Renato, a iniciativa de A União contribui na vida dos deficientes visuais não só com a informação como também com o exercício da leitura. “Quando a gente promove isso fazemos com que eles tenham acesso e exercitem a leitura do braille, que hoje é cada vez mais é difícil. Eles têm acesso, naturalmente, aos livros, mas não corriqueiramente, então é importante também esse detalhe do exercício da leitura deles”, comentou.

O Braille

O presidente do Instituto dos Cegos, José Antônio Ferreira, enfatiza que sem o Braille não há como crianças cegas serem alfabetizadas e terem acesso à educação. Ele explica que mesmo com a tecnologia atual é importante incentivar o aprendizado desse sistema e, principalmente, a inclusão.

O Instituto dos Cegos foi criado com o intuito de educar pessoas cegas e, atualmente, tem cerca de 100 adultos e crianças cegas estudando braille. José Antônio explica que, há 74 anos, quando o instituto foi criado, era muito difícil o acesso a esse sistema na Paraíba e que essa foi a motivação para a criação do instituto. “Desde a fundação a essência é essa, fazer a criança cega ter acesso ao Braille e os adultos cegos também a se alfabetizarem. Até hoje mantemos essa história e levamos para as escolas, com o objetivo de alfabetizar”, disse.

Essa data traz um motivo especial para José Antônio comemorar. Já que ele foi um dos responsáveis para que ela existisse

De acordo com o presidente do instituto os avanços foram muitos, principalmente com a criação de um dia para o Braille, porém, a luta pela inclusão não terminou. “Existir esse dia é de extrema importância, a gente fez parte dessa luta para criar essa data e quero dizer que a gente continua brigando para o Braille ser cada vez mais difundido e que o valor e a importância dele para as pessoas cegas seja cada vez mais conhecidos pelas pessoas”.

Funad realiza simpósio

Em alusão ao Dia Nacional do Braille, A Fundação Centro Integrado à Pessoa com Deficiência (Funad) realizará um simpósio com debates e palestras sobre a importância do Braille. Ele ocorrerá amanhã e contará com a participação de entidades públicas como o Ministério Público da Paraíba e a superintendência de imprensa A União.

A inclusão através do Braille deve ser o foco do evento que terá como palestrante a professora universitária Joana Belarmino. Os temas das palestras serão “O Braille como investimento para comunicação acessível no século XXI” e “A importância do Braille no ensino básico”.

Segundo a presidente da Funad, Simone Jordão, há a necessidade que o dia do Braille seja lembrado e comemorado para que a importância desse sistema seja enfatizada e mostrada para as pessoas. “Vamos abordar o tema do Braille e abrir espaço para outros temas de inclusão e ajudar a fortalecer esse sistema”, disse.

Além disso, Simone enfatizou sobre a importância de ter uma imprensa em Braille na Paraíba. “É de uma sensibilidade da diretoria do jornal A União e do Governo do Estado para reconhecer a importância do Braille. Abrindo uma possibilidade para que outros também queiram se tornar acessíveis”, comentou.

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