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Eleições 2022: Cresce número de idosos que votam

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o público da terceira idade já representa 21% dos brasileiros aptos a votar

por publicado: 13/08/2022 00h00 última modificação: 15/08/2022 10h19
Exibir carrossel de imagens Foto: Arquivo Pessoal Vilma Almeida conta que faz questão de ir às urnas

Vilma Almeida conta que faz questão de ir às urnas

por Ítalo Arruda*

 

Além de um direito constitucionalmente garantido, o ato de votar é uma expressão da cidadania e da liberdade que o cidadão tem para escolher seus representantes políticos. Em 2022, eleitores com 60 anos ou mais atingiram a maior porcentagem já registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com o órgão, este público representa 21% dos cidadãos brasileiros aptos a votar. Na Paraíba, são mais de 300 mil idosos com condições de ir às urnas este ano. O número não só representa o crescimento da participação eleitoral dessa população, mas também coloca em evidência a importância e a responsabilidade do voto na terceira idade.

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Para Maria José, o direito ao voto é a ferramenta mais valiosa

Para a aposentada Maria José, 72 anos, o direito ao voto é a ferramenta mais valiosa que o cidadão tem para ser livre e respeitado. Mesmo não sendo obrigada – haja vista a faculdade do voto para pessoas acima de 70 anos –, ela faz questão de manifestar a sua opinião e vontade diante das urnas. “Para mim, o ato de votar é uma manifestação da minha opinião e vontade. É na eleição que poderei escolher alguém que faça acontecer ações que venham beneficiar a sociedade”, destaca a aposentada.

Ela acrescenta, ainda, que não se manifestando, além de sofrer as consequências pela abstenção, pode desencadear sentimento de culpa por ter perdido a oportunidade de poder ter feito diferente. “Certa ou errada diante da visão dos demais, a minha intenção é somar. Se abster de votar não se justifica”, declara Maria.

O mesmo sentimento com relação ao voto e à relevância desse dispositivo para o bem-estar social tem a professora aposentada e ex-presidente da Comissão em Defesa dos Direitos dos Idosos da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Paraíba (OAB-PB), Vilma Almeida, 77 anos. Ela conta que faz questão de ir às urnas e exercer o seu direito como cidadã porque se enxerga como sujeito da história e, além disso, reconhece a sua responsabilidade neste cenário de construção da cidadania e soberania social.

“As eleições representam a possibilidade das mudanças necessárias para uma vida melhor. Sei que as escolhas erradas podem impactar minha vida de forma negativa, mas eu tenho de respeitar a vontade da maioria, mesmo que seja contrária ao que eu penso e quero”, ressalta Vilma, destacando que não participar do processo eleitoral é uma forma de omissão. É um direito tão valioso que não há diferença entre o voto da pessoa idosa e o do jovem. Ambos devem participar da eleição para não serem omissos”, acrescenta.

Eleitores paraibanos que não são obrigados a votar

  • 70 a 79 anos - 191.229
  • +79 anos - 78.285
  • Fonte: TRE-PB (dados passíveis de alteração conforme atualização cadastral no sistema)


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Gildo Araújo ressalta o momento “turbulento” no país

Experiência de vida e hábito de participar ativamente das eleições

De acordo com o cientista social pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), jornalista e comentarista político Gildo Araújo, o momento pelo qual o país está passando é “turbulento”, e o público com idade acima de 60 anos, principalmente, já passou por experiências difíceis em outro momento da história política do Brasil. “São pessoas que vivenciaram um momento de recessão muito forte na época da ditadura militar, quando eram jovens, e que têm uma preocupação com o país”, observa Gildo.

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Vilma Almeida conta que faz questão de ir às urnas
Segundo ele, desde a redemocratização as pessoas dessa faixa etária têm adotado o hábito de participar ativamente dos pleitos eleitorais, porque “foram pessoas que viveram e sentiram na pele tudo que aquele período ocasionou, e, agora, fazem suas escolhas pensando no futuro dos filhos, netos e bisnetos”. “Elas querem um país com oportunidade e igualdade para todos. É daí que surge o interesse pela eleição, sobretudo, este ano”, avalia o jornalista político, ao justificar o aumento do eleitorado idoso.

Para se ter uma ideia, o número de pessoas aptas ao pleito com idade acima dos 100 anos, no território paraibano, cresceu, em 2022, 113% com relação ao número registrado nas últimas eleições, em 2018, saltando de 256 para 547 eleitores, conforme as estatísticas divulgadas pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Já o total de pessoas com idade entre 95 e 99 anos teve um aumento de 105,1%, saindo de 1.008, em 2018, para 2.068, em 2022.

Para Gildo Araújo, entre os temas que mais atraem o interesse e orientam o voto dos idosos está a previdência social, que, diretamente, impacta a qualidade de vida dessas pessoas. “Muitos já se aposentaram, outros estão nesse processo de aposentadoria e, ainda, há aqueles que estão em plena atividade. Todos, enfim, querem um salário justo e uma aposentadoria digna. Então, sem dúvidas, a previdência é uma das principais preocupações”, avalia.

A aposentada Maria José, além dessa questão, outras coisas são avaliadas na hora de escolher a melhor pessoa para representá-la na vida pública. “Eu analiso a vida política de um candidato, não me prendo a um partido, mas ao desempenho que ele teve ou tem no cumprimento das suas propostas. Para mim, elas devem estar voltadas ao bem-estar social e priorizar os pilares saúde, educação e trabalho”, pontua.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa de 13 de agosto de 2022.

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