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Correio das artes

EPC publica edição especial acessível

publicado: 19/10/2026 09h03, última modificação: 19/10/2026 11h47
Suplemento literário conta com capa em braille e reportagem adaptada para pessoas com baixa visão
Lançamento Correio das Artes em Braille_F. Evandro (19).jpg

Revista, que traz destaques sobre áreas como literatura e artes, foi lançada ontem, em JP, e será disponibilizada para algumas instituições paraibanas | Fotos: Evandro Pereira

por Camila Monteiro*

O suplemento literário mensal Correio das Artes, vinculado ao jornal A União, da Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), teve sua edição deste mês voltada ao público deficiente visual, em alusão ao Setembro Verde, campanha que visa promover a inclusão social da pessoa com deficiência (PcD).

O lançamento do exemplar aconteceu na manhã de ontem (16), no auditório do Instituto dos Cegos Adalgisa Cunha, em João Pessoa. A revista, que traz destaques sobre literatura, poesia, artes plásticas, cinema e música, teve sua edição de setembro com a capa em braille, além da matéria principal adaptada para pessoas de baixa visão, com fontes maiores e descrições das imagens. Na oportunidade, também foi distribuído um material inteiramente em braille, contendo o texto principal da publicação, para instituições que fomentam a inclusão. 

“O suplemento já tem mais de 70 anos de circulação e é nele que está o ápice da cultura paraibana no campo literário. Essa iniciativa é muito positiva, porque temos que trabalhar por uma sociedade cada vez mais inclusiva. Vamos incluir, somar e respeitar. Essa foi a ideia”, destacou a diretora-presidente da EPC, Naná Garcez.

Para William Costa, diretor de Mídia Impressa da empresa, o lançamento da edição em braille representa um marco na história do Correio das Artes. “É uma iniciativa de inclusão social. Temos várias ações já com relação a esse público, mas a cultural é sempre diferenciada. É um projeto louvável sob todos os aspectos”.

Segundo Vanessa Veloso, diretora escolar do Instituto dos Cegos, foi uma honra receber o evento e o material. “A gente se sente muito honrado, a publicação é de suma importância porque valoriza o braile, que é tão essencial na vida das PcD”, destacou.

O revisor de braille da EPC, Otto de Sousa, que também atuou como cerimonialista, enfatizou, durante o evento, a relevância do momento para ampliar o acesso à arte e à cultura para as pessoas com deficiência, garantindo que a literatura e a informação cheguem a todos, sem barreiras.

Na ocasião, a publicação integralmente em braille foi entregue a representantes do Instituto dos Cegos de João Pessoa, da Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), bem como para os das bibliotecas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), e das bibliotecas públicas Augusto dos Anjos, localizada no Centro de João Pessoa, e a Juarez da Gama Batista, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo. O material “ Temos várias ações já com relação a esse público, mas a cultural é sempre diferenciada. É um projeto louvável William Costa Fotos: Evandro Pereira Revista, que traz destaques sobre áreas como literatura e artes, foi lançada ontem, em JP, e será disponibilizada para algumas instituições paraibanas também será distribuído para o Instituto dos Cegos de Campina Grande.

A ideia da temática foi sugerida pela gerente de Imprensa Braille da EPC, Hanna Pachu, e o projeto foi abraçado pelo editor do suplemento, Audaci Júnior.

“Em março, quando vimos a revista especial voltada para as mulheres, pensamos que seria interessante uma edição do Correio das Artes com a temática PcD. E foi o próprio pessoal da revista que teve a ideia de fazer a matéria em fonte ampliada para as pessoas com baixa visão e também de colocar o braille na capa”, explicou Hanna. Ela ainda destacou que toda a transcrição do texto principal foi realizada pelo setor de Imprensa Braille. “Nós fizemos a edição da matéria de capa toda em braille, que será disponibilizada para as instituições paraibanas que já trabalham com os empréstimos de materiais nesse formato. Estamos trabalhando também para que o formato digital seja disponibilizado de forma acessível para os leitores de tela”

De acordo com Audaci Júnior, despertar o público para a existência desse lado invisibilizado da cultura foi o objetivo da iniciativa. “Eu queria que o leitor regular também tivesse essa experiência, que conhecesse o braille”, detalhou. Para ele, é possível, sim, incluir as pessoas com deficiência em todas as áreas, sem preconceitos, e com os ajustes necessários para tal.

A matéria principal foi escrita pelo repórter Esmejoano Lincol. De acordo com o jornalista, o texto foi construído a partir de um painel de depoimentos de pessoas com e sem deficiência, mas que integram redes que auxiliam no contato com as artes. “Eu fiz questão de explorar um leque maior de pessoas com deficiência auditiva, física, mental, intelectual, entre outras. Então o desafio da diversidade também é dar essa visibilidade a todas as formas de deficiência, como uma maneira de dizermos: ‘Enxergamos todos vocês e o trabalho de vocês como pessoas’”

A diagramação da publicação, realizada por Débora Borges, também foi pensada de maneira a dispôs o texto graficamente de modo equilibrado e visualmente atraente, sem deixar de lado a acessibilidade.

Serviço especializado

O setor de Imprensa Braille da EPC atua na produção de materiais acessíveis para pessoas com deficiência visual. Para a gerente Hanna Pachu, a repartição surgiu para promover o acesso informacional, primordialmente com as impressões em braille. “Estamos ampliando, no estado, a produção de materiais impressos em braille. Temos o projeto anual em que produzimos a transcrição de um autor paraibano e distribuímos para as instituições. Também estamos na segunda etapa do processo de implementação dos cartões de vacinação em braille. Estamos sempre produzindo para ampliar o acesso informacional para as pessoas com deficiência visual do estado”, finalizou.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de outubro de 2026.