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Extensão Universitária cresce e incentiva o empreendedorismo

por publicado: 14/08/2017 16h49 última modificação: 14/08/2017 16h49
Marcos Russo Projetos de extensão desenvolvidos por instituições de ensino aproximam estudantes de graduação do mercado de trabalho

Projetos de extensão desenvolvidos por instituições de ensino aproximam estudantes de graduação do mercado de trabalho


Louise Tonet
- Especial para A União

A extensão universitária é um dos tripés fundamentais para o desenvolvimento das habilidades e competências dos estudantes de nível superior. É através desta prática que é possível estabelecer uma conexão entre o universo acadêmico e o mundo real, extinguindo ou reduzindo a grande muralha existente que, não raramente, separa os centros de pesquisa e a sociedade.

Nesse sentido, reduzir esta distância e preparar os alunos ao mesmo tempo em que eles são estimulados a saírem do ambiente acadêmico e ingressarem ao mercado de trabalho, faz com que sejam abertos novos horizontes de aprendizagem e experimentação, assim como o compartilhamento de experiências, o que também consiste em um fator fundamental na construção do conhecimento.

Com objetivo de desenvolver ações integradas de projetos de extensão em João Pessoa, o Game Lab, da Faculdade Estácio da Paraíba, é um projeto onde os voluntários selecionados participam do dia a dia da produção de games para o mercado de entretenimento.

A expectativa desse projeto é criar formas de participação e envolvimento social dos participantes, possibilitando a oportunidade de aproximação com a universidade e ingresso ao mercado de trabalho. O público terá acesso às informações e atividades de forma contextualizada sobre a questão de games, com a participação de diversos profissionais especializados na área que estarão coordenando, acompanhando, e prestando tutoria aos extensionistas, de modo que estes possam desenvolver diversas habilidades necessárias para trabalhar nesta área.

O projeto é gratuito para quem quiser participar e será conduzido na Faculdade Estácio da Paraíba, com a parceria da Zug Studios, estúdio multimídia que desenvolve games para o mercado de entretenimento e com a participação de profissionais ligados a outras desenvolvedoras de games, como a Ni Digital, Broz e ThinkBox Games.

O mercado de trabalho na área de jogos encontra-se em alta em João Pessoa, atualmente. No entanto, é necessário um público maior na região. A intenção do projeto é fomentar este mercado através da criação de produtos reais para o público consumidor real. Assim pode-se estimular o desenvolvimento de empresas relacionadas, bem como gerar novas oportunidades.

O público em geral são os alunos de cursos de graduação, bem como graduados, a partir dos 16 anos de idade. “É interessante que o voluntário tenha alguma habilidade relacionada, como programação orientada a objetos, ilustrar, escrita criativa, utilizar ferramentas gráficas, ou qualquer outra habilidade que possa ser aproveitada. Porém, não é necessária experiência específica com produção de games”, esclarece Marisardo Filho, idealizador e coordenador do projeto.

Crochê e sustentabilidade

Em outubro de 2015 um grupo de mulheres apoiadas pela Igreja Evangélica Verbo da Vida de Itabatinga, no município de Pedras de Fogo (PB), representado pelas coordenadoras Carolina Vidal Accioly e Cláudia Gama, começou a se reunir com uma visão: “Exercer um trabalho ocupacional, criando assim uma alternativa de renda cooperada através do artesanato e trabalho manual em crochê, utilizando materiais de fácil acesso”. O grupo se organizou e criou o projeto “Tecendo Arte”. O trabalho e o interesse destas mulheres motivaram as coordenadoras a buscarem alternativas para expandir e profissionalizar o grupo. A aproximação da Faculdade Devry João Pessoa com o projeto se deu por meio da intermediação das fundadoras do projeto e, a partir de então, a questão que se colocou foi: Como contribuir e transformar a arte em negócio sustentável?

Com isso, um grupo de professores se reuniu e realizou uma primeira visita à comunidade para compreender o contexto de formação do projeto e conhecer a produção das mulheres. A partir desse primeiro contato, nasceu o projeto de extensão “Fios e desafios” com a missão de apoiar e qualificar as crocheteiras e tornar a produção de crochê feito por mulheres em um negócio, estimulando a transformação social na localidade. O contexto social em que aquele grupo populacional está inserido, historicamente, é de violência, grande índice de suicídios, incestos, prostituição, falta de informação e isolamento. E na maioria das famílias toda renda doméstica provém do homem, enquanto as mulheres cuidam da casa e dos filhos.

Posteriormente, o projeto sofreu uma expansão agregando mais um grupo de mulheres da comunidade de Algodão de Jandaíra com os mesmos interesses. O processo de sistematização para que a produção seja realizada dentro de um padrão de eficiência e eficácia será realizado em etapas e com a realização e várias oficinas (empreendedorismo, por exemplo), assim como ações que estimulem as mulheres a especializarem-se.

A ideia é definir estratégias de melhoria tornando aquela arte um negócio. Para tal, contar-se com alunos que serão selecionados para o projeto. Eles darão apoio na construção da marca, na formação dos custos, nas formas de divulgação. Com isso, espera-se consolidar um processo de transformação de realidade que já vem ocorrendo, tornando estas mulheres empreendedoras e que, futuramente, possam se associar por meio de uma cooperativa para que possam praticar, de fato, a ideia de sustentabilidade enquanto continuidade do negócio, pois a partir de um processo bem estruturado, de uma marca bem construída, custos definidos e demais estratégias organizadas, é possível fazer com que, com o apoio fundamental dos alunos, este projeto ganhe cada vez mais espaço no cenário regional, nacional ou até internacional, como já acontece com outros projetos existentes na Paraíba.

A partir do reconhecimento do papel dos projetos de pesquisa e, neste caso, de extensão universitária, a Faculdade Devry, tem estimulado estas práticas de forma sistemática, sobretudo a partir do corrente ano, quando está em processo de implantação o Centro de Empreendedorismo e Internacionalização (CEI) que consiste em um ambiente criativo de desenvolvimento e estímulo ao empreendedorismo. O CEI tem como papel acompanhar o desenvolvimento de projetos novos ou em andamento.

A faculdade apresenta pelo menos três projetos que tem obtido êxito: “Fios e Desafios”, que consiste no acompanhamento por alunos e professores de um grupo de mulheres crocheteiras; “Hortas agroecológicas em um ambiente de idosos” que teve como objetivo o estímulo à qualidade de vida, enfatizando hábitos saudáveis e; o “Medicon”, um projeto que envolve alunos do curso de Direito, com o tema “mediação de conflitos” no bairro de Mangabeira, em João Pessoa.

Portanto, a extensão universitária é uma ferramenta que, sem dúvida, aproxima, facilita, permeia e integra lados que devem andar juntos, fazendo com que os alunos estejam sempre mais preparados para o exercício de sua profissão.

“Os resultados obtidos com o projeto no semestre de 2017.1 foram bastante relevantes para o meio acadêmico. Além de apoiar as atividades do grupo de crocheteiras no sentido de profissionalizar sua produção, as atividades acadêmicas realizadas trouxeram grande valia para o trabalho multidisciplinar, permitindo que alunos e professores interagissem com áreas diversas para construir o mesmo objetivo. A característica de multidisciplinar mostra aos discentes a interdependência das várias ciências para a resolução de problemas reais”, disse a coordenadora Cristiana Vidal Accioly.

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