O escritor e magistrado Adhailton Lacet Porto, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), lançará, em João Pessoa, seu terceiro livro: Dito e Feito — Crônicas Possíveis (Editora Dromedário). A obra reúne reflexões sobre o cotidiano, com textos já publicados em veículos como Diário de Pernambuco, Correio da Paraíba e portal MaisPB. Este é o terceiro livro de Adhailton Lacet Porto. Ele também é autor de Lamentos a Dois (Editora Grafset, 1977) e Os Ditos do Quiça (Editora Arribaçã, 2020). Este último está na segunda edição.
A data de lançamento na capital paraibana está em processo de construção com sua assessoria, mas a obra já foi apresentada com sucesso no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, durante o Fórum Nacional da Justiça Protetiva (Fonajup), no mês passado. 
“Quando escrevi o primeiro livro, tinha apenas 17 anos de idade e prenhe de imaturidade. Claro que leituras, vivências e maturidade nos deixa com um olhar mais contemplativo sobre a vida que nos é ofertada. E aprendemos com o dito popular que ‘menos é mais’. Como dizia Drummond, escrever é a arte de cortar palavras”, comentou o cronista, colunista e leitor semiótico.
Entre sentenças e páginas, Lacet construiu uma trajetória em que literatura e Justiça caminham lado a lado. Integrante de uma tradição intelectual marcada pela observação sensível do cotidiano nordestino, o juiz do Poder Judiciário estadual e referência na área da infância e juventude, transformou a experiência humana — com suas contradições, afetos e conflitos — em matéria-prima para uma obra que ultrapassa os limites do universo jurídico. Em seus textos, a precisão do magistrado convive com a imaginação do cronista, revelando um autor atento às nuances da memória, da cultura paraibana e das relações sociais.
“A atuação judicante me pôs diante de situações que a imaginação sequer poderia supor, porque, muitas vezes, a realidade é mais cruel do que a ficção. E essa vivência evidentemente me deu musculatura criativa para escrever meus textos, sejam crônicas, contos ou poemas”, relatou Adhaiton Lacet, que é titular da Vara da Infância e Juventude de João Pessoa e assessor especial de Convênios da Presidência da Associação Brasileira dos Magistrados da Infância e Juventude (Abraminj).
Para o escritor, “o cronista bebe na fonte dos acontecimentos diários, lançando um olhar de lince sobre pessoas, fatos, coisas e até mesmo a falta de assunto. Manuel Bandeira dizia que Rubem Braga era excelente em escrever sobre esses fatos, mas era genial quando escrevia sobre a falta de assunto”.
Adhailton Lacet ocupa um lugar relevante na literatura contemporânea da Paraíba por conseguir unir sensibilidade artística e conhecimento da condição humana. Sua produção literária destaca-se pela linguagem refinada, observação crítica da sociedade e capacidade de transformar experiências cotidianas em narrativas densas e reflexivas. Como magistrado, acumulou vivências que ampliaram sua compreensão sobre conflitos sociais, emoções e dilemas éticos, elementos que aparecem em seus textos com grande intensidade psicológica.
A importância literária de Adhailton Lacet também se manifesta na valorização da cultura nordestina e da identidade paraibana. Em suas obras, é possível perceber um compromisso com a memória regional, os costumes locais e os dramas humanos presentes no cotidiano do Nordeste brasileiro.
Sem recorrer a estereótipos simplificadores, o autor constrói personagens complexos e universais, aproximando a realidade paraibana de temas amplos da literatura brasileira. Essa característica contribui para fortalecer a presença da produção cultural da Paraíba no cenário nacional.
Além disso, Adhailton Lacet representa a conciliação de atividade pública e criação artística, demonstrando que o exercício da literatura pode dialogar diretamente com a reflexão sobre justiça, ética e sociedade. Sua obra contribui para ampliar o repertório da literatura paraibana contemporânea e inspira novos escritores ao mostrar que a escrita pode servir tanto como expressão estética quanto como instrumento de interpretação da realidade humana e social.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de maio de 2026.