Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em parceria com a Universidade de Utah, nos Estados Unidos, identificaram compostos naturais com potencial para retardar danos associados ao envelhecimento em células dos vasos sanguíneos. O estudo avaliou 20 terpenos — substâncias encontradas em óleos essenciais de plantas aromáticas — e apontou três delas como as mais promissoras: citral, terpinolene e farnesol. A pesquisa foi publicada na revista científica Molecules.
“O trabalho sugere que esses compostos podem, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas voltadas ao envelhecimento saudável e à prevenção de doenças cardiovasculares relacionadas à idade, como hipertensão, aterosclerose e insuficiência vascular”, explica Isac Medeiros, um dos autores do artigo e professor do Programa de Pós-Graduação em Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos (PPGPN).
Para realizar o estudo, em laboratório, os pesquisadores utilizaram células retiradas da aorta de ratos e aceleraram artificialmente seu envelhecimento. Depois disso, as células foram expostas a diferentes concentrações dos 20 terpenos analisados. A ideia foi descobrir qual deles conseguiria retardar esse processo de envelhecimento, considerando três aspectos principais: a quantidade de células envelhecidas, os níveis de estresse oxidativo e a capacidade de sobrevivência celular. Os resultados mostraram que os três compostos se destacaram por apresentar efeitos positivos nos três critérios avaliados ao mesmo tempo.
Outro achado do estudo foi a descoberta de dois compostos, chamados “1R-(-)-myrtenol” e “trans-caryophyllene”, que aparentaram ser capazes de eliminar células envelhecidas sem afetar células saudáveis, hipótese promissora que deve ser investigada mais a fundo em novos estudos.
Segundo Medeiros, a pesquisa fortalece a narrativa de que a biodiversidade brasileira é um laboratório vivo para inovação biomédica — e reforça o papel da UFPB nesse processo. “O impacto deste trabalho para a ciência desenvolvida no Brasil é relevante e abrange diversas frentes, sobretudo por associar compostos naturais abundantes no Nordeste do país a uma das áreas mais estratégicas da biomedicina contemporânea: o envelhecimento celular e dos vasos sanguíneos e a prevenção de enfermidades crônicas”.
Os autores destacam que os resultados ainda são iniciais e foram obtidos em células cultivadas em laboratório. Os próximos passos agora envolvem confirmar os efeitos em organismos vivos. Esse processo já está em andamento: atualmente, os pesquisadores estão realizando experimentos utilizando células de cordão umbilical humano.
A ideia é que o desenvolvimento da pesquisa progrida para parcerias com indústria farmacêutica e cosmética e para o desenvolvimento de patentes na área de biotecnologia e biomedicina.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 27 de maio de 2026.