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Projeto Mulheres da Ciência da UEPB abre espaço e estudos na área de TI

publicado: 13/03/2026 09h14, última modificação: 13/03/2026 09h14

por Mirvan Lúcio*

Um projeto de extensão vem incentivando o engajamento das mulheres na área da tecnologia, no Sertão do estado. A atividade extensionista Mulheres da Ciência é promovida pelo curso de bacharelado em Ciências da Computação da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Campus Patos. O objetivo é despertar nas mulheres o interesse em estudar, pesquisar e trabalhar na área de tecnologia da informação (TI), campo de atuação ainda dominado pelo público masculino.

As mulheres já são maioria nas universidades no Brasil. Elas representam 59% das matrículas em instituições de Ensino Superior, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com base no Censo da Educação Superior de 2024. Destaque também na pós-graduação, representando 57% do universo de pessoas com titulação no Brasil.

Porém, quando analisada a participação feminina no setor de tecnologia, a representatividade é inferior. O W-Tech 2025, estudo promovido pela Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), apontou que dos quase meio milhão de trabalhadores na área de TI existentes no país, apenas 19,2%, aproximadamente 90 mil profissionais, são mulheres.

Para tentar atenuar essa realidade, o projeto Mulheres da Ciência vem estimulando ações de divulgação científica, oficinas e atividades educativas voltadas para meninas e mulheres interessadas em ingressar no campo da tecnologia. A graduação em Ciências da Computação da UEPB/Patos conta hoje com 677 alunos, sendo apenas 17,57% desse total composto por mulheres. Há três anos, esse percentual era de 17,37%, um aumento pouco significativo.

Coordenador do bacharelado, o professor e doutor Jucelio Santos afirma que o curso não pode limitar-se apenas à oferta das disciplinas. “Existe uma preocupação com a qualidade da formação profissional, com as oportunidades que os alunos terão ao longo da graduação e com o fortalecimento de iniciativas que ampliem a participação de públicos historicamente sub-representados na computação, especialmente das mulheres”, afirmou.

A iniciativa de extensão universitária surgiu em 2023, após relatos de alunas sobre a pressão de estarem inseridas em um ambiente majoritariamente masculino. “Nesse período, a gente tem visto uma mudança em relação ao respeito da mulher na ciência, principalmente na tecnologia, que é o nosso campo de fala”, afirmou Rosângela Medeiros, professora e coordenadora do projeto, que conta hoje com 17 extensionistas.

“Eu entendo que precisamos avançar cada vez mais em estratégias que não atuem apenas no discurso ou em ações pontuais, mas que consigam impactar de forma mais efetiva o ingresso, a permanência e o protagonismo das mulheres no curso, reforçou Jucelio Santos.

Feirão de livros

Uma das ações do projeto aconteceu ontem, no campus da universidade. O primeiro Feirão de Livros reuniu obras de diversos autores e gêneros, tendo como público-alvo a comunidade acadêmica e demais pessoas interessadas em adquirir exemplares literários. Os livros foram comercializados a preço simbólico, a partir de R$ 5. De acordo com a organização, a iniciativa busca estimular o hábito da leitura e ampliar o acesso às produções, fortalecendo também as atividades do projeto de extensão.

“A proposta é democratizar o acesso à leitura e incentivar o contato com diferentes tipos de literatura. A ação reforça a importância da leitura como ferramenta fundamental para o desenvolvimento do conhecimento, da criatividade e do pensamento crítico, fortalecendo também a integração entre a universidade e a comunidade”, ressaltou Rebeca Barbosa, professora e idealizadora do evento, que aconteceu em alusão ao mês da mulher.

Além do Feirão de Livros, também já foram promovidas atividades como cursos em áreas como matemática e linguagem de programação, rodas de conversas e visitas às escolas, em Patos e cidades vizinhas. O projeto também tem uma vertente que atua no campus da universidade estadual, em João Pessoa, agregando estudantes de outras áreas. “Não tem diferença quando a gente faz ciência. É o cérebro e o compromisso. E o compromisso não está ligado ao gênero”, reforçou Rosângela, ressaltando que as ações reúnem mulheres cis e trans.

Mais do que atrair futuras profissionais e pesquisadoras para a tecnologia, é preciso garantir pertencimento, apoio e perspectivas reais de continuidade e crescimento dentro da área.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 13 de março de 2026.