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memória preservada

A caminho do Sertão

publicado: 30/01/2026 09h08, última modificação: 30/01/2026 09h08
Museu do Futebol de Cajazeiras receberá extenso acervo do jornalista paraibano Iata Anderson, fruto de doação da família
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Foto: Arquivo pessoal

por Danrley Pascoal*

O Museu do Futebol de Cajazeiras prepara-se para receber um dos maiores acervos de sua história. O material futebolístico acumulado pelo jornalista cajazeirense Iata Anderson, durante toda sua trajetória na profissão, vai compor o patrimônio da instituição paraibana. Iata morava em Araruama, no interior do estado do Rio de Janeiro, e morreu no dia 8 de janeiro, aos 81 anos. A doação do material, que inclui dezenas de camisas históricas da Seleção Brasileira em diversas Copas do Mundo, além de revistas e documentos, foi anunciada pelo irmão do jornalista, o desembargador aposentado Siro Darlan.

Agora, Reudesman Lopes, curador do Museu do Futebol de Cajazeiras, aguarda o fim do inventário do patrimônio de Iata Anderson para realizar o transporte dos objetos do interior fluminense para a Paraíba. Segundo o criador da instituição sertaneja, serão investidos pouco mais de R$ 20 mil para efetuar o translado, em uma operação que exige um cuidado maior pelo teor do acervo. 

Com camisas históricas e mais de duas mil revistas encadernadas, acervo registra a longa trajetória de Iata com o futebol, a qual incluiu, ainda, uma relação com Pelé que lhe rendeu o apelido de “Amigo do Rei” | Foto: Arquivo pessoal

“É um acervo de mais de duas mil revistas. Então, tem um material impressionante. Tem troféus e muitos documentos. Enfim, é toda uma história que vai, sem sombra de dúvidas, enriquecer e tornar o Museu do Futebol de Cajazeiras um dos maiores museus de futebol da América Latina. Disso eu tenho certeza”, explicou Reudesman, que contou um pouco da história de Iata Anderson.

Segundo o curador, no Rio de Janeiro, o profissional da imprensa ingressou em emissoras de rádio logo que terminou o curso de Jornalismo. Sua carreira começou na Rádio Tupi, tendo passado pelo Grupo Globo — onde uma entrevista com Pelé, aliás, rendeu-lhe o apelido de “Amigo do Rei”. Conta que: “Durante 40 anos, Iata Anderson militou nas rádios do Rio, ao lado de Waldir Amaral e Jorge Curi”, Reudesman acrescenta que “O grande ponto, o grande marco de tudo isso, para nós cajazeirenses, é que Iata sempre honrou o nome de Cajazeiras. Então, por onde ele andou, ele sempre disse que era cajazeirense e paraibano. Ele tinha um amor, assim, muito profundo por nossa cidade”.

Iata Anderson foi diretor de comunicação do Estádio Maracanã por 10 anos. No cargo, ele criou o Museu do Maracanã e a Calçada da Fama. Ao longo da carreira, o jornalista também trabalhou em várias emissoras de TV, como a Manchete e a Tupi. Além disso, esteve na Assessoria de Comunicação do Flamengo.

“Quando eu fui constituir nosso museu, uma das primeiras pessoas, se não a primeira pessoa, que consultei foi Iata Anderson. E, naquele momento, ele me apoiou, dizendo da grande novidade que seria um Museu do Futebol em Cajazeiras. Ele foi um dos maiores colaboradores, tanto com doações [para o acervo] como com divulgação. Foram muitas ideias e sugestões concedidas”, ressaltou Reudesman, que disse ter uma grande amizade com o jornalista, quando em vida.

“A família destacou, no momento da doação, que era um pedido de Iata que todo o seu acervo futebolístico fosse doado para o Museu do Futebol de Cajazeiras. Nesse acervo, tem camisas excepcionais, camisas históricas da Seleção Brasileira, de Pelé [do Santos e do Cosmos de Nova Iorque], e de todas as Copas do Mundo autografadas por jogadores. Tem uma coleção completa de revistas Placar, todas encadernadas”, declarou Reudesman, que articulou grande mobilização para conseguir verba para fazer o transporte do material.

O curador trabalhou em várias frentes: fez uma vaquinha virtual, procurou por parceiros e pediu ajuda da Prefeitura. Conforme ele contou ao jornal A União, a administração municipal prontificou--se em ajudar no transporte do material que vem do Rio de Janeiro para a Paraíba.

“Tivemos conversas com a secretária de Esportes sobre qual o valor do transporte. A empreitada para trazer esse acervo é uma coisa impressionante. Então nós estamos nessa luta. O nosso desejo é trazer todo esse acervo o mais rápido possível, dependendo, obviamente, da família. Tem aquela questão do inventário, coisas assim. Mas nós estamos trabalhando e vamos fazer uma grande homenagem ao cajazeirense Iata”, afirmou Reudesman.

Instituição

Reudesman Lopes é o curador do museu, que abriga desde uniformes de times e da Seleção a troféus e fotografias raras | Fotos: Reprodução/Instagram @museudofutebolcajazeiras

O acervo cajazeirense catalogado por Reudesman Lopes é formado por mais de mil peças que contam a história e registram o passado do futebol municipal, paraibano e brasileiro. O Museu do Futebol de Cajazeiras possui camisas históricas, fotografias raras, troféus e diversos objetos que narram a trajetória do esporte na cidade. Todo o trabalho de curadoria é feito pelo fundador da instituição.

No local, não passam despercebidas a camisa da Seleção Brasileira autografada por Pelé; a camisa do Flamengo assinada por Zico; itens do Memorial de Perpétuo Correia Lima, maior jogador da história do futebol de Cajazeiras; e a única fotografia do Pitaguares Futebol Clube, primeiro clube de futebol fundado na cidade, em 1923.

Apoio da Secult-PB

A Secretária de Cultura do Estado da Paraíba (Secult-PB), por meio do gestor da Pasta, Pedro Daniel dos Santos, iniciou conversas para apoiar o trabalho de Reudesman Lopes. No último dia 23, o curador e o secretário reuniram-se para tratar da história, criação e ideia de conservar em um único lugar um acervo que registra o passado futebolístico de Cajazeiras.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 30 de janeiro de 2025.